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Literatura Queer: 11 livros sáficos que você precisa conhecer 

Malu Braga Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

A representatividade queer na mídia e nas artes — seja na literatura ou no cinema — tem tido cada vez mais alcance e relevância, especialmente após o sucesso de títulos como Heated Rivalry, Heartstopper e Vermelho, Branco e Sangue Azul.

Apesar desse avanço, ainda é muito mais comum encontrar recomendações de romances entre dois homens do que entre duas mulheres. Essa disparidade reflete tanto o mercado editorial quanto a visibilidade das obras, mas não significa que faltam histórias sáficas de qualidade.

Com o objetivo de expandir o acesso a uma literatura que trata do amor entre mulheres, apresento uma lista com 11 livros sáficos imperdíveis, de diferentes gêneros e estilos, garantindo opções para todos os gostos.

ROMANCE

Bright Falls (+18) – Ashley Herring Blake

“Você não está vivendo a sua vida, você está vivendo uma vida que morreu há um ano.”

A trilogia Bright Falls é uma série de romances contemporâneos, ambientada em uma pequena cidade. Aclamados como a “santíssima trindade” do romance, os livros acompanham um trio de amigas jovens adultas aprendendo a lidar com a vida e com o amor. É uma verdadeira farofa clichê de casais lésbicos intrigantes, cada um com suas próprias características, apresentando personagens únicas e marcantes! 

Os três livros que compõem a série são: Delilah Green não está nem aí, Astrid Parker nunca falha e Iris Kelly não namora.

(Contém cenas íntimas)

A Jogada do Amor (+13) – Kelly Quindlen

“Porque antes de se preocupar com quem está no banco do passageiro, você tem que aprender a dirigir sozinha.”

A Jogada do Amor (título original She Drives Me Crazy) é uma comédia romântica LGBTQIAPN+ que une o clássico rivals to lovers (rivais para amantes) com fake dating (namoro falso). A obra retrata Scottie, uma jogadora de basquete que, após o término tóxico com sua ex-namorada Tally e uma derrota no basquete, bate no carro de  Irene, a popular capitã das líderes de torcida e sua rival. Para consertar o carro e causar ciúmes na ex, elas fingem um namoro.

O livro passa a mesma sensação que as comédias românticas dos anos 2000, como 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você – porém, supera o filme ao retratar um casal sáfico apaixonante. 

Jogando no seu Time (+18) – Meryl Wilsner

“O corolário de ‘você pode ser o que quiser’ é que você não precisa ser nada que não queira ser.”

Jogando no seu Time, mais conhecido pelo título Cleat Cute do inglês, é um romance sáfico “rivais para amantes” ambientado no mundo do futebol profissional feminino. O livro é descrito como uma comédia romântica “quente” (steamy) e engraçada, muitas vezes comparada a Ted Lasso e A League of Their Own.

A trama segue a estrela veterana Grace Henderson e a novata Phoebe Matthews, que não poderiam ser mais diferentes. A rivalidade é mínima e majoritariamente por parte da veterana, enquanto a novata é sua fã, mas, quando Grace se machuca e vê Phoebe ocupar o seu lugar no time, a relação das duas – que já era complexa – só fica mais difícil. As personagens lidam com atração, competição, tensão, falha de comunicação e inseguranças próprias, enquanto tentam entender seu relacionamento em meio ao mundo esportivo. 

O livro está sendo adaptado para uma série de TV, produzida por Touch More and Future Shack Entertainment.

(Contém cenas íntimas)

Atmosfera (+14) – Taylor Jenkins Reid

“O espaço não pertencia a ninguém, mas a Terra pertencia a todos eles.”

Atmosfera, o mais novo romance de Taylor Jenkins Reid, autora de títulos como Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones and The Six, sai da vida das celebridades – muito explorada pela autora – para acompanhar uma carreira inusitada: a de astronauta.

O livro narra a jornada de Joan Goodwin, uma astrofísica treinando na NASA em 1980. A trama mistura um romance intenso e proibido entre duas colegas, a criação de amizades que são uma segunda família, a dificuldade de descobrir quem você é, e os desafios das mulheres – recentemente introduzidas – no programa espacial, ambientado no cenário dos primeiros ônibus espaciais. 

Sunburn (+18) – Chloe Michelle Howarth

“Estar com ela é um pecado, estar sem ela é uma tragédia.”

Sunburn, o aclamado romance sáfico de estreia de Chloe Howarth, é uma obra muito elogiada pela sua prosa, fortemente indicada aos fãs de Pessoas Normais, e a aqueles que desejam um coming of age (amadurecimento) entre mulheres repleto de amor, dor, e, um dos focos da trama: culpa religiosa.

O livro é ambientado na Irlanda rural dos anos 1990, e narra a paixão entre duas jovens, Lucy e Susannah, em meio a um contexto conservador. As duas garotas se amam com a intensidade de um primeiro amor, mas lidam com uma forte repressão religiosa de época que lhes obriga a manter segredo. Quando Susannah decide que não quer mais se esconder, Lucy é obrigada a tomar uma decisão difícil que, independentemente da escolha, irá mudar suas vidas. 

Embora seja um livro em inglês que ainda não foi traduzido para o português, ele pode ser encontrado facilmente para compra no Brasil e, em breve, pode ter a tradução divulgada por conta do sucesso que tem feito internacionalmente.

Por enquanto somente disponível em inglês.

(Contém cenas íntimas)

FANTASIA

O Priorado da Laranjeira (+16) – Samantha Shannon

“Todo o mundo é uma jaula nos olhos de uma jovem.”

Para os fãs de O Senhor dos Anéis e Game of Thrones, O Priorado da Laranjeira é uma recomendação perfeita, já que apresenta uma fantasia épica de mais de 800 páginas – originalmente um volume único, no Brasil dividido entre A Maga e A Rainha – com um intenso world building (construção de mundo) e muita magia. A obra é frequentemente descrita como uma releitura feminista de São Jorge e o Dragão, e se destaca por seus personagens complexos e por unir culturas ocidentais e orientais. Apesar de conter um romance sáfico, esse não é o foco da narrativa.

A história é contada por diversos pontos de vista – incluindo o de duas mulheres que se apaixonam – e alterna entre o Ocidente, onde a rainha Sabran Berethnet precisa proteger sua linhagem, e o Oriente, onde Tané treina para ser uma cavaleira de dragão. Enquanto isso, Ead Duryan, uma forasteira, protege secretamente a rainha com magia proibida. Eventualmente, os reinos divididos no leste e no oeste precisarão encontrar uma maneira de se unirem antes do retorno do Sem Nome, um dragão gigante e maligno, que devastará ambos os reinos a menos que consigam trabalhar juntos. 

O trono de jasmim (+16) – Tasha Suri

“Se eu tiver que queimar, levarei você comigo, trono e tudo.”

A série Os Reinos em Chamas é uma premiada fantasia sáfica inspirada nos mitos indianos, cujo primeiro livro estabelece o tom para o resto da narrativa.

A trama acompanha uma história de vingança, na qual a princesa Malini, banida por seu irmão tirano, e Priya, uma criada com segredos perigosos – que ameaçam não apenas a própria vida, como muitas outras –, se unem para derrubar o opressor império de Parijatdvipa. Quando seus destinos se entrelaçam em uma teia de artimanhas e revoluções, um romance proibido surge, aumentando seus riscos. 

É Assim Que Se Perde A Guerra Do Tempo (+16) – Amal El-Mohtar e Max Gladstone

“Eu serei todos os poetas, vou matar todos eles e tomar seus lugares um a um, e toda vez que o amor for escrito, em todos os filamentos, será para você.”

É Assim Que Se Perde A Guerra Do Tempo foi escrito por dois autores e ganhou três dos maiores prêmios atuais de literatura (Nebula, Hugo e Loctus). 

Este livro gera constantes debates entre os leitores por discordâncias a respeito do seu gênero literário. Enquanto alguns defendem que seja Sci-fi pelo cenário em que se ambienta, outros argumentam que o world building (construção de mundo) é mínimo, e então seria um romance por focar no relacionamento entre as duas personagens.

Na trama, a guerra não é o principal, e a explicação de seu universo de fantasia também não. O foco está na conexão de duas agentes em facções opostas dessa guerra no tempo. Entre as cinzas de um mundo em ruínas, uma soldada encontra uma carta que diz: Queime antes de ler. Assim, a história das rivais Red e Blue é contada através de cartas que as personagens trocam escondido, pois se forem descobertas, serão mortas. Acompanhamos o relacionamento das duas ir do ódio ao amor, enquanto lidam com os efeitos dessa guerra cruel da qual não podem sair, vivendo num jogo de passado e futuro.

HISTÓRICO

A Noite Passada no Telegraph Club (+14) – Malinda Lo

“Você nunca se perguntou como seria não ter nada que o prendesse ao chão?”

O livro A Noite Passada no Telegraph Club, vencedor do National Book Award, apresenta uma ficção histórica ambientada durante 1954 em São Francisco, Estados Unidos.

A história acompanha Lily Hu, uma jovem de 17 anos sempre considerada a “boa garota”. Ao descobrir o Telegraph Club, um bar lésbico, este se torna seu refúgio e o cenário de exploração de sua sexualidade. Lá, ela conhece e se apaixona por Kathleen Miller, enquanto enfrenta a xenofobia contra descendentes de chineses nos anos 50, a possibilidade de deportação, homofobia intensa e a paranoia anticomunista (Red Scare) da época, arriscando tudo em um romance lésbico em Chinatown

Ela Que Se Tornou o Sol (+18) – Shelley Parker-Chan

“Mas sabe o que é pior do que sofrer? Não sofrer, porque você nem está vivo para sentir.”

A saga O Imperador Radiante é uma fantasia histórica ambientada em 1345, durante o domínio mongol, que reimagina a ascensão da dinastia Ming na China

Esta é uma fantasia com forte ênfase em elementos militares e pouca fantasia: a protagonista consegue ver fantasmas, mas a maior parte da narrativa se mantém realista. A protagonista questiona sua identidade de gênero (sendo possivelmente não-binária), além de ter um relacionamento com uma mulher, mas esse não é o foco da história.

A história retrata a China do século XIV, na qual dois irmãos camponeses descobrem seus futuros: Zhu Chongba está destinado à grandeza, enquanto sua irmã não se tornará ninguém. Porém, quando Zhu Chongba morre, sua irmã assume seu nome e, possivelmente, seu futuro. Ela fará de tudo para sobreviver, mudar seu destino e conquistar o “Mandato de Céu”. A obra foca bastante na psicologia dos personagens, e enquanto Zhu é uma protagonista sagaz e disposta a tudo, o general eunuco Ouyang é um antagonista complexo.

(Contém uma cena íntima)

The Mercies (+18) – Kiran Millwood Hargrave

“Quando as mulheres assumem o controle, é feitiçaria ou poder?”

As Misericórdias (título The Mercies em inglês) é um romance histórico inspirado na tempestade de Vardø de 1617 na Noruega. A obra explora a força feminina, a perseguição religiosa e o medo patriarcal da independência das mulheres.

Na narrativa, após uma tempestade devastadora eliminar os homens da ilha de Vardø, as mulheres assumem o controle, desenvolvendo sua independência. Uma das mulheres restantes é Maren Magnusdatter, que perdeu o pai e o irmão na fatídica tempestade. A situação na ilha muda com a chegada de Absalom Cornet, encarregado de “restaurar a ordem” e caçar bruxas, trazendo sua esposa Ursa. À medida que Maren e Ursa se sentem atraídas uma pela outra, o domínio de ferro de Absalom ameaça a própria existência de Vardø.

Por enquanto somente disponível em inglês.

(Contém cenas íntimas)

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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.

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Malu Braga

Casper Libero '29

Journalism student at Cásper Líbero
Passionate about art, books, culture and music.

Estudante de jornalismo na Cásper Líbero
Apaixonada por arte, livros, cultura e música.