O jornalismo é a profissão que concentra todas as outras. Não em níveis braçais, de entendimento ou compreensão, mas como uma profissão que possui a capacidade de relatar sobre todos os meios.
O jornalismo tradicional foi, por muito tempo, o “maná” dos adultos, jovens e até mesmo das crianças. Caracterizado pela imparcialidade, exclusividade e rapidez, os jornalistas sempre foram considerados profissionais respeitados por produzirem um trabalho honroso e verdadeiro. No entanto, com a chegada da tecnologia e das inovações, o trabalho jornalístico tem sido desmerecido nos últimos anos por diversas razões.
Antigamente, o público, tanto da televisão aberta quanto os leitores de jornais, buscavam a informação por necessidade, por interesse em entender e saber os acontecimentos. Eventualmente, se deparavam com um comercial em horário nobre ou com uma palavra-cruzada na parte dianteira do jornal impresso. Hoje, o público é bombardeado por distrações e informações rápidas, cobrindo todas as editorias, ramos e assuntos possíveis.
É raro buscarmos informações, pois elas chegam até nós num piscar de olhos, em um clique — muitas vezes com uma manchete provocativa que convida à leitura da matéria. Além das versões impressas e digitais, os jornais agora possuem redes sociais, o que facilita a visualização por parte do leitor, mas também pode levá-lo a consumir apenas o post e a legenda rasa, sem um aprofundamento no assunto.
Ellen Nogueira, diretora de Jornalismo da CNN Brasil e professora da Faculdade Cásper Líbero, conta como reuniu inovação tecnológica a um formato adaptado às novas formas de consumo de informação, mas sem perder uma base sólida dos princípios do jornalismo tradicional. “É possível fazer um jornalismo sério, com regras de apuração e imparcialidade, e ao mesmo tempo ágil, pensando em várias formas de distribuição.”
A professora expõe que ter equipes especializadas é a chave para conciliar o jornalismo tradicional com as novidades que a nova geração exige, mas que também foi nessa etapa que se deparou com o maior desafio.
“O maior desafio foi estruturar as equipes e especializá-las em produção de conteúdo específico. Criamos editorias, como Economia e Política, para que pudessem apurar com mais profundidade os assuntos. E também preparamos equipes para a transmissão de conteúdo, adequando o material jornalístico a cada forma de distribuição.”
Com a expansão da imprensa nas comunidades virtuais, as grandes mídias passaram a ser menos consumidas e, consequentemente, perderam força, enquanto os meios digitais passaram a produzir conteúdos informativos.
A jornalista explica que técnicas de SEO e o uso das redes sociais a favor do jornalismo entraram totalmente na rotina das redações e que as têm impulsionado para uma maior visibilidade na mídia. “Para atrairmos a audiência, precisamos focar em qual público queremos atingir e produzir um conteúdo interessante para ele.”
O mundo contemporâneo trouxe muitas facilidades e privilégios, entre eles, a possibilidade de reportar um acontecimento com um celular. Com um áudio, uma foto e um “enviar”, qualquer pessoa pode fazer “jornalismo”, e essa é uma das maiores ameaças à classe jornalística.
Ellen Nogueira frisa a importância de aliar a credibilidade do trabalho jornalístico à agilidade na forma de distribuição para manter o jornalismo real bem posicionado no mercado.
“Vivemos o jornalismo pós-industrial, no qual não precisamos de uma grande indústria por trás para distribuirmos o nosso material. Com isso, ganhamos agilidade, mas também ganhamos concorrência com produtores de conteúdo que não são jornalistas, o que confunde o público e também aumenta o risco de desinformação.”
Apesar dos desafios enfrentados pelo jornalismo contemporâneo — como a concorrência com influenciadores e a proliferação de fake news —, a confiança no jornalismo profissional ainda resiste.
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e divulgada em março de 2025 aponta que as mídias tradicionais continuam sendo as mais confiáveis para os brasileiros. Os jornais impressos lideram o índice de confiança com 52%, seguidos pela TV (50%) e pelo rádio (47%). Já as redes sociais e os influenciadores digitais registraram índices bem mais baixos: 19% e 21%, respectivamente.
Esses dados revelam que, mesmo diante da multiplicidade midiática e do excesso de informações circulando nas plataformas digitais, o público ainda reconhece o valor da apuração rigorosa, da checagem dos fatos e da imparcialidade — pilares do jornalismo tradicional. A credibilidade segue sendo um diferencial importante no consumo de notícias, e isso reforça a urgência de adaptar as práticas jornalísticas ao novo cenário sem abrir mão da essência que sustenta a profissão.
Fake news, inverdades, parcialidade e superficialidade são alguns dos desafios enfrentados no dia a dia de quem estudou para exercer a profissão com integridade.
Esses fatores são considerados não apenas desafios na reinvenção do jornalismo tradicional, mas também ameaças pela forma como a comunicação global se encontra. O jornalismo contemporâneo trouxe aperfeiçoamento e acessibilidade, mas também intimida a tradição, colocando em risco a qualidade da informação e a credibilidade da profissão.
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O artigo acima foi editado por Clara Rocha.
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