O Conselho da Fifa aprovou, em março, uma nova determinação que torna obrigatória a presença de mulheres em comissões técnicas de equipes de futebol. Pela nova regra, pelo menos uma profissional deverá ocupar o cargo de treinadora principal ou de auxiliar técnica, garantindo representatividade efetiva em posições-chave das equipes.
o que isso significa?
A medida faz parte de uma iniciativa da entidade para ampliar a participação feminina em cargos de liderança técnica e reforçar o compromisso com a igualdade de gênero no esporte. Além disso, busca impulsionar o desenvolvimento do futebol feminino em funções estratégicas, indo além da atuação dentro de campo.
A decisão surge em um contexto histórico de desigualdade no futebol feminino. Historicamente, as mulheres enfrentam barreiras para ocupar cargos de liderança, com poucas oportunidades de formação e reconhecimento profissional. Levantamento feito pelo GloboEsporte.com mostra que, no Brasil, menos que 30% das comissões técnicas de equipes femininas são comandadas por mulheres, enquanto em torneios internacionais, como a Euro Feminina, a presença feminina nas comissões técnicas chega a 43,7%.
No entanto, durante a Copa do Mundo Feminina de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia, das 32 seleções participantes, apenas 12 eram comandadas por mulheres como treinadoras principais. O que evidencia que a desigualdade ainda é significativa mesmo em nível mundial.
A nova determinação da Fifa será aplicada a todas as competições organizadas ou reconhecidas pela entidade. O que abrange tanto as disputas de nível profissional quanto as categorias de base, incluindo disputas entre clubes e seleções.
A norma começará a valer já em setembro de 2026, durante a Copa do Mundo Feminina Sub-20, que será disputada na Polônia, e também estará em vigor na Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada pela primeira vez no Brasil. Com isso, a Fifa pretende incentivar mudanças estruturais no esporte, criar mais oportunidades para mulheres e contribuir para um ambiente mais diverso e inclusivo no futebol mundial.
A expectativa é que a medida tenha impactos concretos a curto e longo prazo. Entre os benefícios estão a formação de novas profissionais qualificadas, a ampliação do número de mulheres em posições de liderança e a promoção de uma transformação cultural que valorize a diversidade em todos os níveis do futebol. Além disso, a presença obrigatória de mulheres em cargos estratégicos deve servir de inspiração para jovens atletas e profissionais que desejam seguir carreira técnica, mostrando que o espaço delas no esporte é legítimo e necessário.
Apesar dos avanços, desafios ainda existem. A implementação da norma exigirá que clubes e seleções invistam na capacitação de profissionais femininas, superando barreiras históricas e culturais. A adaptação de equipes a essa mudança poderá variar entre países, dependendo da infraestrutura, do nível de investimento e do desenvolvimento do futebol feminino local. Mesmo assim, especialistas apontam que a medida é um passo importante para consolidar a igualdade de gênero e fortalecer o futebol feminino em todo o mundo.
Em meio a um movimento global por maior equidade, impulsionado pelo crescimento e pela visibilidade do futebol feminino nos últimos anos, a Fifa demonstra, com essa decisão, seu compromisso em transformar o esporte em um ambiente com menor disparidade de gênero. Ao assegurar a participação feminina em cargos de liderança, a entidade não apenas cria oportunidades imediatas, mas também planta as bases para um futuro mais inclusivo, diverso e sustentável no futebol.
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O artigo acima foi editado por Marcele Dias.
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