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Primeira vez morando sozinha: Dicas e desafios, o que ninguém te conta 

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Sofia Sá Sodero Toledo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Nos contos de fadas, nada te prepara para morar sozinha. Somos sempre encorajadas com histórias de amor e príncipes encantados que salvam donzelas indefesas (no caso, nós). Mas acontece que a vida real não é nem um pouco parecida com isso e mesmo que o futuro assuste e seja uma espécie de vilão em potencial para a nossa ansiedade, não é nenhum príncipe com cavalo branco que vem ao nosso encontro. O futuro, é um novo começo, o qual pode ser em um outro lugar, com um propósito maior, que vamos descobrir sozinhas.

Independentemente do motivo, seja para estudar em outro lugar, começar um novo emprego, ou mudar de vida, o “morar sozinha” assusta. Agora, temos contas para pagar, uma nova rotina para seguir, estudos e trabalhos que precisam ser entregues e (na minha humilde opinião), o mais difícil: cuidar da donzela indefesa que costumávamos ser.

Ser princesa custa caro

O primeiro choque de realidade é, com toda certeza, descobrir o quanto somos caras. Não porque quando você mora sozinha você passa a gastar mais (inclusive, você compra cada vez menos), mas porque, pela primeira vez, o dinheiro que está sendo gasto vem do seu bolso.

Acredite, seus maiores inimigos agora serão o delivery todos os dias, saídas não planejadas, não considerar gastos com meios de transporte, cantina da faculdade, comprinhas on-line e assim vai…

Por isso, é imprescindível que você tenha algum tipo de organização financeira, seja uma planilha no Excel ou, da forma mais antiga, um caderninho de gastos . E aqui vão as primeiras dicas! Nesse caderno é legal você separar seu dinheiro por categorias, por exemplo: alimentação, transporte, saídas e investimentos. 

Para alimentação, gastar com Ifood todos os dias não existe, tire isso da sua cabeça! Por isso, aprenda a fazer suas próprias marmitas da semana. Você precisa do essencial: uma proteína, carboidrato e legumes. Se alguma vez você tiver vontade de pedir ou quiser jantar fora, claro que pode, mas estes gastos não podem ser fazer parte da rotina. 

Em relação aos meios de transporte, se o Uber for a melhor opção para você, ótimo! Mas não são todas as donzelas que conseguem gastar de 30 a 40 reais por corrida… Carruagem custa caro, tá? Por isso, sejamos “divas” que usam transporte público!  Ônibus ou metrô, de qualquer forma você, com certeza, vai gastar menos. Outra dica é procurar saber se na sua cidade você tem desconto por ser estudante

Tanto para saídas quanto para as comprinhas, o ideal é nunca seguir a impulsividade. Festas universitárias, happy hours da empresa, cafés com as amigas, uma ida ao shopping, tudo pode virar gasto não planejado. Por isso, separe uma parte do dinheiro só para isso e organize os rolês que valem mais a pena. 

Antes de gastar com suas comprinhas, espere de uma a duas semanas de “namoro” entre você e o item desejado; se não vingar, é porque não era para ser. 

É muito importante também ter um dinheiro guardado ou rendendo. Muitos bancos já têm suas caixinhas nos próprios aplicativos, e essa pode ser uma boa forma de você começar a investir. Você verá que, no final do ano, esse investimento vai ser sua fada madrinha!

Donzela desorganizada não vira princesa

Quando a gente começa a morar sozinha, é muito importante criar novos hábitos até que eles se tornem uma rotina. Antes de se mudar, você ainda tinha alguma ajuda de seus familiares, por exemplo, com as tarefas de casa. Agora, não é mais assim que funciona, e é por isso que ter uma rotina ajuda muito.

Quem suja e lava a louça agora é você, e o mesmo serve na hora de bagunçar e arrumar o quarto, desdobrar e dobrar as roupas, sujar e limpar o chão, móveis, cômodos e por aí vai.Então, é preciso criar uma rotina prática.

Nela, você vai precisar acordar em um horário razoável – sem dar uma de Bela Adormecida – para ter tempo de tomar café, se arrumar, ir trabalhar ou estudar, depois se exercitar, sem contar com o tempo que você passa nos meios de transporte. Nestas rotinas, é muito importante considerar que você deve se alimentar bem e ter momentos de lazer.

Algumas dicas de ouro: cozinhar suas marmitas no fim de semana agiliza muito sua alimentação em todos os outros dias. Não deixar acumular louça na pia leva menos tempo que lavar todo o acúmulo de uma semana inteira; manter o guarda-roupa em ordem faz com que seus looks levem menos tempo para serem preparados e conseguir deixar o quarto arrumado durante a semana deixa a nossa mente mais limpa e organizada.

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AGORA QUE ESTOU SOZINHA, o que vou encontrar fora do castelo?

O maior inibidor da vontade de se mudar é saber o quão confortável é o lugar que você está deixando para trás. Sair da casa dos pais dá medo, é normal. O conforto não vem só do lugar físico, de ter uma cama quentinha, comida pronta em casa sempre, receber mesada dos pais ou familiares, não ter que se preocupar com consertos ou problemas da casa, já que esse tipo de conforto pode nem fazer parte da realidade de muitas pessoas.

Quando você decide se mudar, o que mais pesa é a saudade de quem ficou e, muito possivelmente, te deu o maior apoio e suporte para ir. E é nesse momento que o medo de “ser sozinha” cresce. Pensa comigo: a maioria de nós cresce rodeado de amigos e familiares que fazem parte da nossa rotina, a companhia deles é essencial nas nossas vidas e, do nada, para “conseguir garantir nosso futuro”, precisamos sair desse “ninho” e voar para longe, em um outro “reino” tão tão distante. É difícil se acostumar com isso, né?

Por isso, como uma última dica para as donzelas que acabaram de comemorar o “chá de casa nova”: não importa onde vocês estiverem, criem uma nova rede de apoio. Não estou falando só de amizades na faculdade ou no trabalho, mas de conexões no prédio com porteiros, vizinhos do mesmo andar e outros moradores, ter contato com professores na faculdade ou chefes no trabalho.

Por último, mas não menos importante, aprenda a diferenciar solidão de solitude. Se você estiver sozinha e bem com a sua própria companhia, então já entendeu essa diferença.

Mudar não é fácil, é um processo de transição e autoconhecimento que eu recomendo para todo mundo. O mais difícil de morar longe da família é que agora você está sozinha com você mesma, e terá que aprender a gostar de sua própria companhia. Então, é um momento de reaprender quem nós somos, nos tornando cada vez mais independentes e fortes. Não precisamos ser salvas por príncipes em cavalos brancos, mas devemos aprender a viver bem na nossa própria torre. 

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O texto acima foi editado por Anna Goudard

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Estou no primeiro semestre de jornalismo da faculdade Casper Líbero. Gosto de gravar vídeos, de moda e de escrever.