Para alguns, os hits de Carnaval deste ano podem ser “Jetski”, de Pedro Sampaio, ou até mesmo “Só Pra Tu”, de Anitta. Porém, para os fãs de Rivalidade Ardente (ou Heated Rivalry, em inglês), a nova série do momento, já disponível na HBO Max, “All the Things She Said” e “I’ll Believe in Anything” certamente já devem estar entre as top ouvidas em seus perfis do Spotify.
A adaptação para TV, originada do livro de mesmo título, disponível em português pela editora Alt, conquistou rapidamente o público, com edits de cenas icônicas e dos personagens circulando pela internet. A série acompanha duas estrelas do hóquei, o canadense Shane Hollander (Hudson Williams), e o russo Ilya Rozanov (Connor Storrie), e sua rivalidade no ringue, que rapidamente se transforma em um desejo mútuo fora dele. Repleto de cenas ardentes, como o título já implica, o show tomou conta de redes sociais como o X, TikTok e Instagram.
Entretanto, a popularidade da série não se dá simplesmente por cenas de sexo, mas sim pelo que vem depois: a ternura, os sentimentos não ditos e o anseio por algo a mais. Ambos os personagens mantêm essa parte de suas vidas, de quem são, escondidas de todos ao redor, por baixo de máscaras de perfeição, no caso de Hollander, e de rebeldia, para Rozanov. E não é atoa, afinal, o hóquei masculino não é conhecido por ser um dos esportes mais inclusivos do mundo. Mesmo assim, apesar de tudo isso, ainda há esperança para que as coisas mudem, na série e na vida real.
Eles merecem “sunshine”
Graças à popularidade de Rivalidade Ardente, discussões sobre representatividade LGBTQIAP+ nos esportes ressurgiram com ainda mais potência, principalmente envolvendo o Hóquei. Nas redes sociais, a temática é amplificada com o início das Olimpíadas de Inverno, e há um movimento crescente de celebração de atletas e competidores queer.
Entre eles, estão a patinadora norte-americana Amber Glenn, que se identifica como bissexual e pansexual, e as jogadoras de hóquei Anna Kjellbin e Ronja Savolainen, da Suécia e da Finlândia, respectivamente, que estão noivas, tornando-se uma referência de representatividade dentro da modalidade.
Ainda no tema de Olimpíadas de Inverno, a repercussão da série foi tanta que os protagonistas, Hudson Williams e Connor Storrie, foram convidados pelo comitê olímpico para participarem da cerimônia da tocha olímpica, carregando ela pela Itália.
No TikTok, especificamente, uma trend ganhou destaque frente às demais: ao som de “I’ll Believe in Anything”, da banda canadense Wolf Parade, diversos atletas amadores e ex-atletas publicam fotos antigas em uniformes, compartilhando suas histórias com orgulho, através da hashtag “They Deserve Sunshine”.
Um atleta em especial acabou ganhando grande destaque: Jesse Kortuem, jogador de Hóquei amador do “Cutting Edges Hockey Club”, no Canadá, se assumiu gay em um post do Facebook e informou que a série havia inspirado essa decisão. Apesar dessa crescente representatividade entre as ligas amadoras de Hóquei e outras modalidades esportivas, a NHL (Liga Nacional de Hóquei da América do Norte), por outro lado, ainda tem um longo caminho pela frente.
Diversidade na NHL: panorama atual
Em uma entrevista para o The Kelly Clarkson Show, o ator François Arnaud, que dá vida a Scott Hunter no show, teceu críticas sobre a NHL utilizando o sucesso de Heated Rivalry em suas redes sociais e outras mídias para a divulgação e popularização dos jogos, e acrescentou que gostaria de ver a liga acolher atletas de diferentes identidades. Arnaud destaca também, em sua entrevista, que até o momento, não há nenhum jogador da NHL assumidamente queer.
Historicamente, a NHL mantém uma relação delicada com a comunidade LGBTQIAP+. Em 2023, a liga baniu o uso de qualquer tipo de fita ou uniforme temáticos, incluindo a famosa pride tape, ou fita arco-íris, que decorava os tacos de diversos jogadores que desejavam mostrar suporte à comunidade, principalmente durante as Pride Nights. A decisão foi revertida após forte repercussão na época, e os jogadores atualmente são livres para usar a pride tape caso desejarem. O banimento de uniformes temáticos durante os aquecimentos nos jogos ainda se mantém em vigor.
O tema das Pride Nights, inclusive, ainda é sensível entre alguns times da liga. Como o nome já implica, essas são noites de jogos hospedadas por diferentes times com o objetivo de gerar visibilidade e representatividade para a comunidade LGBTQIAP+. No entanto, após o banimento de equipamentos temáticos em 2023, as Pride Nights passaram a ser menos populares, tornando-se menos consistentes. Alguns times como os Carolina Hurricanes e os Boston Bruins alteraram esses eventos temáticos para “Hockey Is For Everyone Night”, enquanto outros times, como os Los Angeles Kings e os Utah Mammoths pararam de celebrar as Pride Nights como um todo.
Esse movimento também é uma reação direta ao clima político dos Estados Unidos, além dos cortes no financiamento de pesquisas de saúde para a comunidade LGBTQIAP+. No entanto, parece que um time ainda nada contra essa onda. Em janeiro deste ano, os Washington Capitals foram os primeiros à celebrar e hospedar um evento de Pride Night em sua arena, a Capital One Arena.
Com diversas atrações temáticas e um investimento fora do gelo, esse foi o primeiro time da NHL a realizar um evento como esses em 2026. Os Washington Capitals ainda realizaram doações a organizações locais que focam na proteção e segurança da comunidade LGBTQIAP+, incluindo a Wanda Alston Foundation.
O engajamento de times como os Washington Capitals, aliado à visibilidade trazida por Heated Rivalry, mostra que a representatividade LGBTQIAP+ no hóquei masculino pode avançar aos poucos. A série não apenas entretém, mas também inspira conversas sobre inclusão e aceitação, tanto nos esportes, quanto fora.
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O artigo acima foi editado por Lívia Nomoto.
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