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Casper Libero | Culture

Dia Mundial da Voz: Como jornalistas podem cuidar da saúde vocal?

Maria Fernanda Barros Oliveira Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Hoje, quarta-feira dia 16 de abril, é comemorado o Dia Mundial da Voz –  que é um recurso de extrema importância para profissionais como cantores, atores, e até profissionais da notícia. Radialistas e jornalistas também precisam cuidar de seus instrumentos de trabalho – e a HC enumera algumas dicas para fazê-lo com qualidade.

Por que é importante cuidar da voz?

A Her Campus conversou com o Alan de Mendonça Silva, fonoaudiólogo formado pela USP e especialista em voz clínica e profissional, para entender os cuidados importantes. “A voz não é só um som, ela é quem a gente é, ela expressa o nosso ser”, diz o profissional. 

A sociedade é majoritariamente oralizada, e precisa dela para nos comunicar, expressar. Ele reflete: “Pense em um professor que precisa dar aula e ele está rouco a ponto de não conseguir ministrar a aula porque os alunos não entendem o que ele fala ou ele sente um desconforto tão grande que não consegue exercer a profissão”. 

Sobre a importância do cuidado, garante que a falta dele pode gerar problemas crônicos a curto ou longo prazo. “Cuide da sua voz o quanto antes, prepare ela para não ter um problema no futuro, aprenda a fazer os aquecimentos vocais. O profissional da voz são atletas, não se prepara em cima do evento, começa meses antes.”

A voz para o jornalista 

A tonalidade usada pelo jornalista é algo que não só marca ele – pessoas o conhecem pelo jeito marcante de falar – mas também auxilia em seu entendimento. “O importante é se conectar com quem está assistindo, e a entonação é o meio primordial para isso, que ajuda a se fazer entender e se tornar atrativo”, conta.

Para alcançar tal método, a maioria dos âncoras de telejornais precisa de sessões com fonoaudiólogos . “Para esse grupo específico, trabalhamos aspectos voltados para habilidades comunicativas, a gente vai pensar em como é a cadência das informações que ele fala, o conteúdo que ele fala, se ele faz a prosódia adequada (melodia), não dá para dar uma notícia triste com um jeito feliz ou ao contrário (texto não ser encaixado com a melodia, face, gestos)”, adianta. Além do tratamento que é necessário, as práticas de exercícios para o aquecimento vocal, também existem alimentos que prejudicam a voz.

O que melhora (ou piora) a saúde da voz

Alguns alimentos podem influenciar no jeito que a voz é utilizada! Claro, não há proibições de certas variedades nutricionais – mas encontrar um equilíbrio e evitar em algumas situações é prudente e muito indicado pelo fonoaudiólogo. 

“Derivados de leite, podem deixar a saliva mais espessa e isso deixa sensação de pigarro, principalmente no resfriado que produz mais secreção, gerando mais incômodo no momento de usar a voz”, conta ele.

Para os viciados em café, ele dá uma notícia triste: “Derivados de cafeína causam sensação de ressecamento, deixando resíduos na boca, sensação de pigarro, saliva mais grossa”. Gorduras também não são recomendadas. “Alimentos gordurosos que atacam o estômago, causam refluxo e sensação de ardência”, afirma.

Pastilhas para dores de garganta podem não ser tão aliadas quanto se pode imaginar. “Tudo que tem um gosto refrescante gera sensação anestésica, ao chupar essa bala vai anestesiar a voz, o problema ainda está lá, quando se sente a melhora normalmente abusamos na voz.”

Chás de romã e gengibre tem fama de ajudar as cordas vocais – o que não passa de fábula, segundo o especialista. “Pode ter uma ação de alívio, mas não necessariamente ajuda. Sempre lembre de não abusar, não usar mais a voz do que se deve”, garante.

Existem coisas que podem deteriorar a qualidade da voz ao longo dos anos. Ele enumera alguns fatores: “Abuso com a voz, grito, falar alto em ambientes ruidosos, tensão em região de ombro e pescoço, álcool, fumo, drogas, tudo interfere na saúde vocal, postura inadequada, articulação travada (não abrir muito a boca)”

A respiração também pode ajudar a prevenir o desgaste da voz. Alan explica: “A respiração é o combustível da voz, sem respiração não existe som de voz. As pregas vocais, quando respiramos estão abertas, quando começamos a falar se aproximam, o ar tentando sair produz a vibração, que produz o som. Se não se tem uma respiração adequada, a fala fica desesperadora, causa um esforço maior, deixando-a rouca, mais cansada. Também compromete o entendimento. A forma que falamos chega primeiro que o conteúdo”, finaliza.

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O artigo acima foi editado por Gabriela Antualpa.

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Hi, my name is Maria Fernanda and I'm studying journalism at Casper Libero.
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