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Casper Libero | Culture

Puro suco de Brasil: A cultura presente na Sapucaí

Lívia Nascimento Feitosa Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Não dá para fugir, falou de Brasil, falou de Carnaval. É claro que um país gigante por sua própria natureza como este tem suas adjacências, variedades e culturas. Mas algo praticamente unânime, que cobre quase todo seu território, é a festa. São quatro dias de liberdade: pode-se ficar em casa, descansar, viajar, banhar-se em glitter e ir curtir os bloquinhos ou aproveitar os desfiles transmitidos nacionalmente.

Os desfiles fazem parte da alma do carnaval brasileiro, principalmente os da Liga Independente das Escolas de Samba (a LIESA), que abrangem as escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Portela, Estação Primeira de Mangueira, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro, são alguns dos nomes constantemente presentes no imaginário social quando se fala de desfiles de escolas de samba no Brasil. 

A festa no sambódromo é surreal: passistas fantasiados, alegorias coloridas e muito samba no pé. Todos estes elementos, ajudam a narrar o  enredo escolhido para o ano. E cada enredo conta uma história.

DIVERSIDADE E CRIATIVIDADE SÃO ALIADAS

A cada ano, é escolhido um enredo, uma história a ser contada na avenida. Atualmente, os chamados “enredos afro” estão em alta. Eles contam a história de elementos da cultura afro-brasileira, que por muito tempo foram negligenciados por acadêmicos e pela sociedade em geral. A Estação Primeira de Mangueira, por exemplo, contou a história do povo banto no Brasil: “À Flor Da Terra – No Rio Da Negritude Entre Dores E Paixões”, trazendo elementos do Candomblé Angola, que possui raízes banto, além de heranças da etnia, tanto em linguagem, quanto nos costumes.

A escola fez um paralelo entre o presente e o passado. A comissão de frente trazia garotos vestidos como “crias”, gíria usada para identificar pessoas vindas da periferia do Rio de Janeiro, com óculos Juliet no rosto, sandálias Kenner e bermudas da moda, enquanto faziam “passinhos” famosos entre a juventude da favela. Em cima da alegoria, o chão de asfalto era representado por lixas que soltavam faíscas emblemáticas enquanto os garotos dançavam. Após a passagem da comissão de frente, se iniciou a viagem ao passado e à história, muitas vezes não contada, dos ancestrais desses garotos.

Em 2024, o desfile quase vencedor da Acadêmicos do Grande Rio transformou a Sapucaí numa grande aldeia indígena, tendo seu enredo inspirado pela obra “Meu destino é ser onça” de Alberto Mussa. Numa grande metáfora sobre a pluralidade de identidades brasileiras e a força do brasileiro no cotidiano, as cosmovisões e lendas indígenas sobre renascimento pós-adversidades foram expressas na avenida marcando mais um desfile emblemático. Outro elemento que recebeu atenção foi a rainha de bateria da época, a atriz Paolla Oliveira, que fez sucesso com sua máscara de onça que ao ser acionada, cobria todo seu rosto.

FLORES À QUEM MERECE

Um termo muito usado no meio dos sambistas é o “flores em vida”. Isso significa que a escola irá prestar homenagem a alguma personalidade ainda viva da cultura brasileira. Por exemplo, com “Maria Bethânia: A Menina Dos Olhos de Oyá”, a Mangueira foi campeã em 2016, celebrando um dos símbolos da MPB. Neste ano de 2026, a Imperatriz Leopoldinense irá apresentar o enredo “Camaleônico”, homenageando o cantor Ney Matogrosso. Ano passado, em 2025, no Carnaval de São Paulo, o cantor Benito Di Paula foi homenageado pela Águia de Ouro, que encantou o sambódromo do Anhembi ao brincar com os versos do clássico Meu Amigo Charlie Brown em seu samba-enredo.

Apesar das “flores em vida”, as homenagens póstumas não ficam para trás. Também em 2025, a Beija-Flor de Nilópolis se consagrou vencedora com o enredo “Laíla De Todos Os Santos”, homenageando o carnavalesco com mais vitórias da história do Carnaval. Em 2026, a Mocidade Independente de Padre Miguel irá homenagear a “padroeira da liberdade”: Rita Lee, três anos após sua morte.

A “MODA” DA REALEZA E DOS COMPONENTES

Outro reflexo da cultura brasileira nos desfiles é o design meticuloso das fantasias das rainhas de bateria e das musas. Cada traje ajuda a contar a história do desfile, e ao longo das décadas, eles se adaptam às modas. Os penteados também ganham destaque nos desfiles. Além das perucas, agora muitas passistas são adeptas das tranças e ao megahair, unindo tendências sempre que possível.

Mas não são apenas as rainhas que compõem uma agremiação. Os componentes da escola, que ultrapassam mil pessoas, cruzam as avenidas com muita energia e os sambas-enredo na ponta da língua. Uma das alas mais importantes é a das baianas: muitas vezes senhoras mais velhas, com mais tempo de carnaval do que boa parte da comunidade. Elas representam as mães ancestrais e abrem o caminho para que o desfile seja realizado com bênção de seus antepassados. Dizem os espiritualistas que elas não rodam por acaso, de acordo com uma crença afro-brasileira, no girar de suas saias elas criam um campo de força e limpam a avenida. Até porque, nada tão protetor quanto uma mãe amorosa.

O SENSO DE COMUNIDADE

Para um desfile de tanta magnitude, é necessária a presença constante de organização e de pessoas dispostas a trabalhar, por longos dias, arquitetando o espetáculo que, por poucas horas, encherá os olhos do espectador. Como bons brasileiros, os membros da comunidade trabalham e lutam incessantemente para entregar o melhor com o material que têm acesso, mesmo não tendo ideia de qual nota o jurado dará. Algumas mãos costuram figurinos, outras tocam instrumentos, e ainda há aqueles que ensaiam incessantemente coreografias que darão mais vida ao cenário.

E você, está ansioso para ver quem será consagrada campeã do Carnaval 2026?

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O artigo abaixo editado por Marcele Dias.

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