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Tiny Desk Brasil: qual a força do projeto e os artistas que queremos ver

Júlia Festagallo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Criado em 2008, no escritório da NPR Music, nos Estados Unidos, o Tiny Desk, programa de shows acústicos e intimistas para o Youtube, chegou ao Brasil este ano. A atração une apresentações descontraídas em um ambiente que remete a um local de trabalho com a personalidade e envoltura da arte brasileira.

Produzido pela Anonymous Content Brazil e pelo YouTube, o programa é gravado em um cenário lúdico, dentro do escritório do Google, em São Paulo, expressando a verdadeira estética nacional.

Por que o formato é perfeito para o Brasil?

O formato do Tiny Desk parece ter sido feito para o Brasil. Aqui, a música nasce do improviso e nasce na rua. Ela é tocada em rodas com amigos, improvisadas em reuniões familiares. Ao tirar os artifícios do grande palco, de projeções quase teatrais e edições, o projeto deixa visível aquilo que sempre foi a alma da produção musical brasileira: a presença, a interpretação e o sentimento.

O projeto chegou no momento certo. Hoje, a geração Z se conecta com clássicos e descobre artistas contemporâneos, fazendo com que a procura pela música brasileira esteja em alta. O consumo de MPB no Spotify cresceu em 47% entre 2022 e 2024 e, de acordo com a Billboard Brasil, 64% deste crescimento é referente a perfis de jovens na faixa etária dos 18 a 24 anos.

Uma nova versão de músicas já amadas

Os artistas selecionados para o Tiny Desk são sempre aqueles que têm a capacidade de entregar apresentações mais espontâneas e despojadas, sem, por exemplo, o uso de vastos recursos de um espetáculo grandioso. A excelência de áudio e a importância dos nomes também são consideradas.

Em conversa com Emerson Festagallo, engenheiro de som que esteve presente no desenvolvimento do projeto com o fornecimento de equipamentos para a captação de áudio e auxílio na gravação, quase tudo que sabemos sobre o Tiny Desk Brasil é confirmado.

“O público tem a curiosidade de ver o artista ‘desconstruído’, sem o glamour, o endeusamento do grande palco. Ele está ali, no mesmo plano que eu, do meu lado”, explica. Além dessa aproximação com o público, canções que já são conhecidas ganham novas versões, exclusivas do Tiny Desk: “São músicas simples com uma roupagem especial para a situação, produções únicas. Isso que torna tão legal”.

Os bastidores

Quanto à estrutura produzida pela equipe brasileira, Emerson faz uma breve comparação com a versão americana. “Em relação a equipamento de som e áudio estamos muito melhor estruturados que eles porque eles fazem tudo meio que no improviso, como começou. A gente tem uma grande produção e muito organizada, na qual tudo se encaixa perfeitamente. Tudo é pensado nos pequenos detalhes”, revela. 

A eficiência se dá, em parte, pelo fato de os episódios serem gravados em um cenário previamente organizado no Google, em vez de um escritório em real funcionamento, como o da NPR. 

Sobre a seleção de artistas, Emerson conta que o mais encantador é ver a simpatia e a simplicidade com que lidam com a situação, mesmo com a grandiosidade de suas carreiras.  “Tiveram três artistas que me chamaram a atenção: a Sandra de Sá e o Péricles, que são extremamente simpáticos, e o Ney Matogrosso, pela simpatia também, mas muito mais pela grandiosidade dele. Ele também estava muito apreensivo por ser uma situação que ele nunca havia presenciado, mas executou com muita maestria”, lembra. 

Quem queremos ver nos próximos episódios?

Com a boa recepção do público brasileiro, a expectativa para grandes nomes da música nacional cresce cada vez mais. Desde os clássicos do MPB a novos artistas, que sobem rapidamente nas paradas do Spotify, o público quer diversidade. 

“Eu amaria ver grandes artistas da música brasileira: Gil, Caetano, Marisa Monte, Chico Buarque, Djavan e até mesmo Maria Bethânia. Para o próprio programa seria muito grandioso”, opina Emerson. Ele ainda comenta que muitos acreditam que o auge do programa seria uma edição com Roberto Carlos

Nando Reis, Vanessa da Mata e Natiruts, por exemplo, trariam grandes clássicos, em versões adaptadas e, com certeza, inesquecíveis. Falando em artistas contemporâneos, Anavitória, com um pouco do folk-pop, e Clarice Falcão, com seu ar irônico e teatral, seriam edições muito especiais e icônicas. Liniker é um nome muito esperado pelos jovens, assim como Marina Sena, Urias e Rubel.

Independentemente do nome na setlist, a maior expectativa é ver o que o formato do Tiny Desk fará com a essência desses artistas. O escritório mais famoso do mundo da música está pronto para revelar a alma pura da canção brasileira. Quem você gostaria de ver nas próximas edições? 

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O artigo acima foi editado por Olivia Nogueira .

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Júlia Festagallo

Casper Libero '29

I'm a journalism student at Cásper Líbero university that believes in power of communication to connect and inspire. Passionate about culture, travel and lifestyle, I'm always eager for a challenge.