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Há 5 anos foi criada a campanha do “Setembro Amarelo”, mês da prevenção contra o suicídio, pelo governo brasileiro. A campanha tem como intuito conscientizar as pessoas sobre o sofrimento causado por doenças mentais e como preveni-las. No entanto, mesmo após 5 anos da campanha brasileira, o Brasil segue na contramão, pois a porcentagem de jovens brasileiros que se suicidaram cresceu 24% no último ano, enquanto no mundo, os números caem cada vez mais.

Devido a pandemia do novo Coronavírus, a população se encontra isolada em suas casas, tendo que lidar com a infelicidade de não poder ver amigos e familiares, medo de que algum ente querido seja contaminado e a incerteza acerca do futuro. Diante disso, sintomas de ansiedade e estresse se intensificaram neste período, desencadeando sono desregulado, insônia, taquicardia e instabilidade emocional, podendo ocasionar um quadro de depressão. Para aqueles que já sofrem com a doença, o ano de 2020 tem sido ainda mais devastador, mas como dizem os especialistas, contar com auxílio de um psicoterapeuta ou psiquiatra – se necessário – é fundamental. 

Dados coletados pelo Ministério da Saúde, no ano de 2017, apontam que os idosos com mais de 70 anos lideram o ranking de suicídio no Brasil. Tal liderança pode ser justificada pelo abandono ao fim da vida, e principalmente, pelo fato de que uma sociedade capitalista valoriza aqueles que produzem, e os idosos, em sua maioria, se sentem inúteis. Com a pandemia, a falta de independência, autonomia e participação social tem feito com que os idosos se sintam ainda mais inválidos. Além do auxílio de um terapeuta, é preciso que a família abandone o conceito de que alguns comportamentos e discursos suicidas são naturais, mas que na verdade, podem indicar um quadro de depressão. Precisamos aprender a ouvi-los e não silenciar suas angústias. 

Infelizmente, casos de suicídio, ainda que os idosos liderem o ranking, também atingem grupos considerados “minoritários”, como LGBTQIA+, negros, mulheres, indígenas e pessoas com deficiência. Considerados grupos que são alvo de preconceitos, estigmas e violência, muitos acabam sofrendo e adoecendo devido ao estresse, medo e sentimento de repressão crônico, e por isso, se tornam suscetíveis ao suicídio se não tem auxílio de um terapeuta e apoio de amigos e familiares. 

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Além disso, é fundamental lembrar que um terço dos adultos tem chance de desenvolver um quadro de depressão devido ao bullying sofrido durante a juventude. Os adolescentes do grupo masculino são os que mais tentam o suicídio e, infelizmente, o concretizam. Especialistas apontam que essa estatística decorre do fato de que meninos tem mais dificuldade de lidar com sentimentos e o sofrimento emocional causado pela depressão. 

A dificuldade de lidar com os sentimentos pode ser consequência de estereótipos, negação de atitudes tidas como exclusivamente femininas, como o choro, e imposições atribuídas aos meninos desde criança, como “homem não chora”, “homem precisa ser machão, sem frescurinha”. Assim, essa repressão de sentimentos se acumula ao longo da vida, e caso não tenha apoio psicológico –  o que muitos não procuram pois afeta sua masculinidade frágil – o quadro de depressão se torna ainda mais grave, bem como a probabilidade de cometer suicídio.

Em tempos de vida baseada em relacionamentos virtuais, amizades tóxicas também podem contribuir para que jovens fragilizados psicologicamente sofram de sintomas de ansiedade e depressão, já que muitos relatos feito por “amigos”, os fazem se sentir inferiores. “Amigos” tóxicos são aqueles que nos fazem sentir insegurança, vergonha, medo, culpa, entre outros sentimentos destrutivos e, além disso, nos tornam emocionalmente dependentes deles. Pesquisas apontam que as mulheres tendem a atrair mais amizades tóxicas do que os homens, provavelmente devido ao seu comportamento mais altruísta ou porque sentem a necessidade de ter a atenção do outro, aponta a pesquisa de Fernando Mesquita, psicólogo clínico na Clínica Psicronos em Lisboa.

Além dos casos citados acima, não podemos deixar de fora o fato de que a cada 4 minutos uma mulher é agredida por um homem, em sua maioria, por parceiros que as prendem em um relacionamento abusivo, e há uma relação direta desses dados com o desenvolvimento de depressão em mulheres. Uma pesquisa da Universidade de Queensland, na Austrália, constatou que vítimas de relacionamentos abusivos têm duas vezes mais chances de desenvolver quadro de ansiedade e depressão, em comparação com mulheres que não enfrentam a mesma situação. Abuso emocional, incluindo comentários que fazem a mulher se sentir inútil e inferior, constantemente criticada ou manipulada são determinantes no desenvolvimento de depressão e comportamentos suicidas. Esses comportamentos podem ser evitados se a vítima for incentivada e tiver apoio de familiares para, primeiramente, sair do relacionamento abusivo e depois, procurar auxílio de um terapeuta para tratar as consequências e marcas deixadas pelo relacionamento.

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Diante de todos os casos apresentados acima, ficou ainda mais claro a importância da terapia em casos de ansiedade e depressão para prevenção de suicídio, não é? Ainda que seja um tratamento que apresenta efeitos à longo prazo, as sessões de terapia auxiliam o indivíduo a entender suas alterações de humor, traumas do passado e como superá-los, identificar e lidar com seus sentimentos, ter mais controle de sua vida, e a aprender os mecanismos de defesa emocionais saudáveis e sólidos para enfrentar os altos e baixos da vida. 

No contexto de pandemia, aderir ao tratamento se tornou ainda mais fundamental, no entanto, a crise financeira pode atrapalhar seus planos de começar as sessões. Mas não se preocupe, algumas universidades com cursos de psicologia tem oferecido atendimento gratuito ou com preços mais acessíveis e até sessões online. Além disso, o SUS (Sistema Único de Saúde) também oferece tratamento contra depressão em casos leves, no entanto, se os sintomas forem moderados a graves, procure o CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) que também é gratuito. Nesses centros, você não irá conversar apenas com um psiquiatra, mas também com psicólogos, assistentes sociais e até nutricionistas. O objetivo é oferecer um atendimento multidisciplinar e humanizado, prestando atenção às particularidades do paciente e evitando qualquer tipo de julgamento. 

Mais um lembrete: Se você convive com pessoas que apresentam pensamentos ou comportamentos depressivos e suicidas, procure ouvir sem fazer julgamentos e auxilie na busca por tratamento psicológico. Vamos trabalhar juntes para que o Setembro Amarelo não seja apenas o único mês de conscientização e ações de ajuda àqueles que precisam, mas sim, que seja um projeto sem validade e que contribua para melhorar efetivamente a saúde mental da população.

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The article above was edited by Mariana Miranda Pacheco.

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Julia Maciel

Casper Libero '24

Writting to provide knowledge. Knowledge changes the world. You can change the world. Majoring in Journalism at Cásper Líbero. Instagram: @juubritom
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