Está cada vez mais fácil visualizar a seguinte cena: uma sala de cinema, com todas as luzes apagadas e uma enorme projeção rodando e em alguma cadeira surge uma luz brilhante vinda da tela do celular.
A facilidade de se distrair ao olhar o celular enquanto assiste a algum filme ou série, independente do tempo de duração, se tornou um hábito cotidiano na vida das pessoas. Mas por que será que mesmo quando assistimos algo interessante, nosso desvio de atenção se torna constante?
olhos grudados no digital
Não é surpresa que a geração Z seja conhecida como a geração mais conectada de todos os tempos, justamente porque é a primeira que foi formada com um ambiente já inteiramente digitalizado. E crescendo dessa forma, tudo que compõe o mundo online se torna familiar.
Mas até que ponto isso deve ser normalizado?
O estudo publicado na Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking pelos pesquisadores S. Adam Brasel e James Gips analisa o comportamento da rápida troca de foco que as pessoas realizam ao assistirem televisão e terem uma segunda tela em mãos.
Com uma frequência altíssima, em média 120 interrupções de cerca de 30 minutos, os participantes da pesquisa trocam a atenção entre as telas muitas vezes sem saber o porquê da ação.
É cada vez mais difícil as pessoas manterem a atenção em uma única tarefa ou até de se lembrarem do que tem de fazer no dia. A sensação de defasagem do tempo e de aceleração constante nos hábitos diários se tornou cada vez mais presente na vida das pessoas.
a causa
O nosso cérebro libera dopamina sempre quando recebemos um estímulo prazeroso, criando uma espécie de sistema de recompensa viciante que com a utilização do celular passou a ser um ponto alerta.
A psicóloga Bárbara Couto em entrevista à CBN explica que ao recebermos notificações ou consumirmos algo interessante nas redes sociais, o cérebro recebe uma quantidade mais rápida de dopamina do que ao assistirmos um filme, que a dopamina chega de uma maneira mais lenta.
Com isso, a tendência das pessoas ao recorrerem ao uso de conteúdos virtuais mais curtos e variáveis é muito maior, porque o cérebro constantemente busca essa sensação gratificante e instantânea do que manter o maior foco em conteúdos longos e menos atrativos, por mais que sejam interessantes ao olhar do telespectador.
Esse ciclo vicioso é o principal responsável pela dificuldade das pessoas em manterem a atenção necessária para não só a assistirem conteúdos mais longos e informativos, mas também para as situações diárias que requerem uma demanda de concentração maior.
como resolver?
Dar um descanso das telas se mostra cada vez mais necessário nos dias atuais quando falamos sobre cuidados com a saúde mental e estabelecer uma relação mais pessoal com o mundo. Mas sabemos que cortar uma ação pela raiz, principalmente diária, não faz bem.
Então como manter o foco com tantas distrações?
A princípio, comece com o compromisso de descansar a mente, não de desenvolver um método eficaz. Quanto maior a compreensão dos seus atos e de que todo o processo leva tempo e paciência, mais fácil fica de progredir.
Comece por hábitos mais concretos que não demandem do uso da tecnologia, hobbies como a leitura e a escrita ajudam a desenvolver a criatividade e a imaginação, além de trazer maior controle da realidade.
Depois, siga com bloqueios de aplicativos ou limitadores de tempo, também afaste o celular do ambiente em que está no momento se não for necessário a presença do aparelho. Assim, o usuário compreende e consegue distribuir seu tempo entre o acesso ao aparelho e as redes sociais com a realidade e outras atividades não digitais.
Entre no processo com alternativas de entretenimento! Até porque não se encontra conteúdo somente na sua timeline ou reels. Assistir filmes com conteúdos mais leves e do seu gênero preferido são ótimas opções que ajudam a desenvolver o foco de atenção à projetos mais longos.
No fim, a solução não está em deletar seus aplicativos e se desconectar completamente do ambiente digital, mas é de extrema importância que todos os usuários tenham ciência do que o excesso de tecnologia e informação pode afetar a sua saúde mental.
Se você percebe que se tornou aquela pessoa na sala de cinema que não consegue manter distância do celular, então provavelmente está na hora de rever seu tempo no mundo online e trabalhar o seu psicológico para um “detox digital”.
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O artigo acima foi editado por Maria Luiza Pinto Comitre.
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