Ondas de calor extremo, inundações em várias partes do mundo e deslizamentos de terra. Tem se tornado cada vez mais comum as notícias envolvendo desastres ambientais.
Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revelou que, nos últimos 13 anos, apenas 5% das cidades no Brasil ficaram livres do impacto desses incidentes. Isso é a Terra evidenciando que a crise climática, que provavelmente você já ouviu falar, tem alcançado proporções históricas.
Além do fato de que a Terra já rompeu sete de seus nove limites planetários fundamentais para garantir a estabilidade da vida, o estudo mais recente do Instituto Potsdam revelou que a taxa de aquecimento global acelerou expressivamente desde 2015, com o ritmo de aumento de temperatura quase dobrando em relação à média histórica.
Ainda assim, no Brasil, a educação ambiental é garantida por lei e deve estar presente em todos os níveis de ensino e na sociedade, segundo previsto na Constituição Federal de 1988. Mas diante de uma crise que, apesar das notícias, pode parecer distante para quem não consegue dimensionar seus impactos, como tornar esse debate mais próximo e compreensível?
RECAPITULANDO: O BRASIL TEM UM LONGO RELACIONAMENTO COM A FLORESTA!
Pode-se dizer que o Brasil nasceu e se sustentou a partir da floresta por muito tempo. Antes da colonização, os nativos viviam da caça, da pesca, do extrativismo e da agricultura. O modelo de vida se pautava na conexão com a floresta, em que os que aqui viviam, circulavam por rios e identificavam onde existia terra fértil para garantir sobrevivência.
Não é surpresa que o cenário tenha mudado com o passar dos séculos e, ainda que o brasileiro moderno possa estar cada vez mais distante da experiência cotidiana de viver da floresta, sua importância continua fundamental, não apenas por sua função ambiental, mas também por seu papel social e cultural.
“Ela (a floresta) é importante por questões físicas, certo? De garantir a água, a qualidade do ar, a contenção das encostas etc. Mas ela tem uma outra importância também, que é cultural.” comenta José Pedro de Oliveira, autor do livro “Uma história das florestas brasileiras”, em entrevista concedida ao veículo (o)Eco.
O FOLCLORE EXPLICA E EVIDENCIA A IMPORTÂNCIA DO MEIO AMBIENTE
O folclore é responsável por abranger um conjunto de lendas, tradições e crenças, que formam a identidade de um povo. Em um país que possui a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, não é surpresa que o folclore brasileiro explore sua identidade a partir da mata.
“Saci, Curupira, Caipora e Iara. Sempre prontos para a missão e a natureza salvar” O verso, faz parte do filme Protetores da Mata, da Turma do Folclore, que reúne personagens tradicionais brasileiros em uma narrativa voltada à proteção da natureza e à apresentação dessas figuras e suas histórias para as novas gerações.
Mais do que fazer parte do imaginário popular, esses personagens carregam diferentes relações com a natureza. O Curupira, conhecido por proteger as florestas, aparece nas narrativas como quem pune aqueles que ameaçam a mata. A Caipora também está ligada à proteção das florestas e dos animais, sendo retratada como a guardiã da fauna. Já a Iara tem sua história relacionada aos rios, enquanto o Saci, é também, responsável por fazer travessuras com aqueles que invadem a floresta.
Em diferentes versões, as lendas apresentam florestas, animais e rios como elementos que devem ser respeitados. E ainda que sejam histórias que surgiram muito antes do debate atual sobre crise climática, já colocavam a natureza no centro de suas narrativas e evidenciavam sua importância.
É justamente nessa relação que essas figuras podem ganhar novos significados. Curupira, Caipora, Iara e Saci, são personagens que atravessaram gerações, já que o folclore carrega essa tradição de ser passado dos mais velhos para os mais novos, e podem servir como ponto de partida para aproximar crianças e jovens de discussões sobre preservação dos biomas, proteção da fauna e da flora e conservação dos recursos naturais. Temas essenciais para o enfrentamento ao colapso que o mundo vivencia nos dias de hoje.
É possível utilizar histórias que já fazem parte da cultura brasileira como um meio capaz de aproximar questões ambientais de quem está aprendendo e relembrar, aos que já aprenderam, que contos vindos dos mais antigos já nos revelavam conselhos fundamentais para a vida.
Se o Curupira protege a mata e a Caipora os animais, que novas conversas podem surgir quando essas histórias encontram os desafios ambientais do presente?
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O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann
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