Falta menos de um mês para o início da Copa do Mundo, a maior competição do futebol e, neste ano, a maior edição da história, com 48 seleções. Ainda assim, a torcida que vive no país do futebol já não parece viver o torneio da mesma maneira.
Ao longo dos últimos 24 anos, período em que a Seleção Brasileira não conquista um título mundial, tornou-se cada vez mais perceptível a apatia de parte da torcida em relação ao time. Mas qual o motivo? Afinal, não é a primeira vez que esse jejum acontece. Antes do tetracampeonato, em 1994, o Brasil também ficou 24 anos sem levantar a taça.
A cada nova edição da competição, pesquisas apontam uma queda no engajamento do público e um aumento do desânimo em relação à Copa. Uma pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada recentemente, mostrou que, em comparação com 2022, o número de pessoas animadas para o torneio diminuiu 17%, enquanto o número de pessoas desanimadas cresceu 21%.
Parte dessa descredibilização vem da derrota histórica sofrida pela Seleção Brasileira contra a Alemanha, em 2014. O 7 a 1, em pleno Mineirão, marcou uma geração inteira de torcedores e, até hoje, provoca desconforto em muitos brasileiros. Mas, claro, esse jogo não mudou o fato de que a amarelinha é a maior camisa de todas, a única pentacampeã, mas expôs a fragilidade de uma seleção que, em 2026, ainda enfrenta dificuldades para criar conexão com a população.
E isso se torna ainda mais evidente ao comparar gerações. O Brasil já contou com nomes como Pelé, Garrincha, Jairzinho, Rivelino, Bebeto, Romário, Cafú e dois Ronaldos (um Fenômeno e outro Gaúcho), jogadores que ultrapassavam o campo e se transformavam em símbolos nacionais. Hoje, apesar do talento de atletas como Neymar, maior artilheiro da história da Seleção, falta identificação. Muitos jogadores ainda não conseguem despertar o encantamento coletivo que antes parecia natural em torno da amarelinha.
A chegada de Carlo Ancelotti, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol, trouxe esperança para parte da torcida, mas não o suficiente para acreditarmos no título. A maior seleção do mundo agora conta com um dos maiores técnicos de todos os tempos e, ainda assim, uma pesquisa do Centro de Estudos Aplicados de Marketing (CEAM), da ESPM-SP, revelou que 10% dos brasileiros não pretendem torcer exclusivamente para o Brasil durante a Copa.
Além da sequência de fracassos esportivos, a relação entre torcida e Seleção também foi afetada pelo desgaste da imagem da Confederação Brasileira de Futebol. Em um ano decisivo, a entidade viu seu presidente ser destituído em meio a polêmicas e disputas internas, aumentando a sensação de instabilidade em torno da equipe nacional.
A mudança também passa pelo comportamento das novas gerações. Muitos jovens torcedores acompanham mais clubes europeus e seus craques do que a própria Seleção Brasileira. Em um futebol cada vez mais comercial e conectado às redes sociais, os atletas se transformam em marcas antes mesmo de se tornarem ídolos. O futebol mudou, a torcida mudou e a Seleção, que durante décadas representou uma identidade coletiva do país, já não ocupa o mesmo espaço no imaginário do brasileiro.
Ainda assim, há expectativa por renovação. Com mais tempo de trabalho para Ancelotti e o surgimento de uma nova geração de jogadores, como Estevão, Endrick, Danilo, Luiz Henrique e Rayan, a percepção da torcida pode mudar nos próximos anos. Mas, até lá, a Seleção Brasileira parece precisar se provar merecedora do amor dos brasileiros.
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O artigo acima foi editado por Maria Eduarda Goulart.
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