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Casper Libero | Culture

Labubu e Bobbie Goods: como o consumo virou sinônimo de urgência?

Ana Guercio Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Os mais recentes fenômenos amplamente divulgados nas redes sociais ganharam relevância dentro e fora do Brasil. A marca que oferece livros de colorir e produtos de papelaria com ilustrações diferentes e detalhadas proporciona experiências de pintura aconchegante e divertida para todas as idades, o chamado Bobbie Goods. Esses livros oferecem uma experiência relaxante e terapêutica. Além disso, também oferece produtos como ecobags e adesivos, permitindo que os fãs do estilo Bobbie Goods possam incorporar essas ilustrações em diversos aspectos do seu cotidiano. 

Já o chamado “Labubu” é um boneco colecionável que foi criado pelo artista de Hong Kong, Kasing Lung, lançado em 2015 como parte da série The Monsters. Esse boneco funciona como um chaveiro e ganhou fama quando a cantora Lisa, do BLACKPINK, foi vista com um chaveiro Labubu, o que chamou atenção do público e fez desse boneco um ícone de estilo e desejo entre fãs e celebridades. O diferencial desse produto é que ele vem em  caixas-surpresa, o que aumenta o fator surpresa e colecionismo. Tanto o Bobbie Goods quanto o Labubu ganharam fama mundial, mas a questão por trás dessa fama é: como o consumo desses produtos se tornou um problema? 

Do relaxamento ao consumismo desenfreado 

Embora inicialmente promissor, o sucesso viral de ambos os produtos gerou preocupação quando esse consumo virou sinônimo de urgência. Os Boobie Goods por exemplo, mais do que um livro de pintura, o produto carrega uma preocupação maior está relacionada ao consumo excessivo e à busca pela perfeição, que pode gerar pressão e ansiedade em vez de relaxamento. 

Segundo a CBN, a popularização dos livros começou com a criação da marca em 2021 pela ilustradora e designer gráfica norte-americana Abbie Goveia, mas só virou febre no Brasil após a editora HarperCollins entrar em contato com a artista e adquirir os direitos de publicação. O número de vendas é semelhante ao de seguidores do perfil oficial da marca no Tik Tok. São 1,3 milhão de adeptos e mais de 20 milhões de curtidas.

O público que vai além do infantil transformou o simples hábito de pintar em uma válvula de escape para adultos sobrecarregados. Psicólogos alertam que a urgência por trás dessa prática de pintura implica na utilização dela como campo de fuga e não autocuidado. 

Os padrões disseminados pelas diversas plataformas digitais, como o Tiktok, reforçam a busca por um ideal perfeito nos desenhos, o que enfatiza o consumo desses desenhos e urge o debate de como técnicas de combinação de cores e perfeccionismo das formas podem impactar de forma negativa a saúde mental. A reflexão que fica é que o sucesso e consumo dos Bobbie Goods diz menos sobre modismos e mais sobre a necessidade humana de relaxar.

@leah.colour

Probably my favourite page so far🌻🌸 Colouring book: @bobbiegoods Spring-Summer ☀️ Markers: @Ohuhuart, Sakura White Gelly Rolls, Staedtler Triplus Fineliners, Uni Posca Paint Pens #coloring #colouring #colortok #coloringbook #bobbiegoods #bobbiegoodscoloringbook #spring #summer #sun #nature #flowers #wildflower #icecream #park #ohuhu #ohuhumarkers #ohuhuart #staedtler #paintmarkers #adultcoloring #CapCut #pinterest

♬ cherry – hannah

Os comentários desse vídeo surpreendem entre eles “deu até vontade de jogar o meu fora” ou  “tô vendo que sou inútil até para pintar”. Comentários como esse reforçam a busca pelo perfeccionismo nas pinturas influenciada por essas plataformas pode se tornar prejudicial. 

Labubu: para além de um boneco

Uma notícia recente publicada em maio deste ano, afirma que a fabricante Pop Mart anunciou que as vendas de Labubu estão suspensas, até nova ordem, no Reino Unido. Segundo o site do G1, a decisão veio depois de registros que mostram longas filas, inclusive à noite e de madrugada, de pessoas aguardando aberturas de lojas que vendem os produtos. Em nota, o fabricante garantiu que a decisão é apenas para “garantir a segurança e o conforto de todos”.

Vale ressaltar que a influência digital em meio a febre desses bonecos foi primordial para que mais pessoas comprassem esse produto. Quanto mais influenciadores digitais incentivarem o público a comprar tais objetos por consumo e diversão, mais as indústrias terão que lidar com longas filas, consumo em excesso e desespero por parte das pessoas que compram, em sua maioria, apenas por influência. Esse consumismo que virou sinônimo de urgência reforça a presença de uma sociedade facilmente influenciável que beira a esse consumo como uma tentativa frustrada de seguir essa nova moda para encaixar-se em padrões. 

Mais do que um ato de relaxar ou colecionar, os Boobie Goods e o Labubu são apenas alguns dos exemplos mais recentes de um consumo que urge atenção à saúde mental dos consumidores. Outro produto que segue a mesma reflexão foi o Carmed, marca de gloss popularmente dissipada pelas redes sociais. 

Dessa forma o marketing das marcas aliados a influência digital, são capazes de ativar gatilhos emocionais, desde um ato de relaxamento e diversão até mesmo a pressão social para participar dessa tendência. 

Nesse contexto, o consumo passou a ser uma experiência emocional e essa por sua vez tornou-se sinônimo de urgência. Mais do que ter essas tendências, a experiência de estar inserido em uma sociedade que nos estimula a consumir esse tipo de produto é preocupante quando pensada a questão social e emocional, principalmente, nas redes sociais. 

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O artigo acima foi editado por Gabriela Belchior.

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Ana Guercio

Casper Libero '24

Student of journalist at Cásper Líbero who likes books, environment and politics