Her Campus Logo Her Campus Logo
Casper Libero | Culture > Digital

IA em 2026: como a ferramenta está transformando o consumo de conteúdo 

Maria Dias Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

A inteligência artificial foi criada com o intuito de simular a inteligência humana e facilitar tarefas, a princípio uma tecnologia que teria apenas a acrescentar em nosso dia a dia, mas ao longo do seu desenvolvimento, vieram criações, que mudaram a forma como a sociedade a utiliza, além de representar um perigo em muitos casos.

A ideia do uso dessas ferramentas em vídeos parecia distante. Um dos primeiros divulgados foi o do ator Will Smith comendo espaguete em 2023, com uma qualidade não muito boa, a imagem não é nítida e as expressões faciais são muito fora do comum.

“Ver para crer” continua válido?

A frase popular passa a ser questionável.  Atualmente, ver algo na internet não a torna real, já que podemos criar quaisquer vídeos utilizando o rosto e a voz de outras pessoas. Então como essa frase funciona hoje em dia? Como podemos passar credibilidade através de vídeos na internet?

Neste ano de eleição, essas ferramentas se tornam armas nas mãos erradas, as deepfakes: são conteúdos de áudio, vídeo ou imagem gerados por inteligência artificial que substituem o rosto, a voz ou as expressões de uma pessoa real por outra, criando um conteúdo falso, porém extremamente convincente.  Elas  são populares e podem ser usadas para espalhar fakenews, influenciando pessoas que não sabem discernir o que é real e o que é falso.

Podemos ver essa facilidade na criação de deepfakes, no vídeo do Brad Pitt e Tom Cruise que causou polêmica em Hollywood. No vídeo, os atores  estão lutando com todos os recursos dos filmes de grande orçamento. Isso mostra o quanto a IA pode afetar o consumo e a criação de conteúdo na internet.

Valor do esforço criativo na era digital 

No ano de 2019, Zach King, um influenciador do Tik Tok, era conhecido por suas edições inacreditáveis que exigiam tempo e conhecimento técnico. Hoje, produções semelhantes podem ser feitas em poucos segundos com ferramentas de inteligência artificial. Casos como este, exemplificam uma luta que muitos artistas têm com a IA, a desvalorização de conteúdos criados com dedicação e trabalho humano, já que produções complexas passam a ser geradas rapidamente por máquinas, retirando a autoria, originalidade e o valor do esforço criativo.

Junto com essa retirada de autoria, também há a substituição de empregos, como aqueles que trabalham com publicidade na área de design, pois a IA proporciona a facilidade e a redução de custos na produção destes mesmos design. Marcas famosas como a Coca-Cola estão utilizando essas ferramentas, barateando o processo de vídeos em até 80%; mas ao utilizar esse meio de produção, a valorização do trabalho criativo humano é descartado e esquecido.

Produções textuais geradas por IA

Além da utilização de IA na publicidade, ela também está presente na escrita. Agora possui livros escritos inteiramente por robôs como A Casa da Árvore Mágica, um livro infantil para crianças de quatro a oito anos.

A IA não é proibida na comunidade literária para auxiliar na escrita, mas a partir do momento em que é utilizada de forma excessiva, se abre um debate na internet. Onde está a intenção de um livro quando não se é escrito por um ser humano? A literatura vai muito além do entretenimento, ela funciona como ferramenta de conexão entre experiências vividas. No momento em que é colocado um robô para produzir uma obra, a conexão se perde e se transforma em palavras vazias.

Ainda no mundo literário, outro exemplo é a montagem da capa.  Desvaloriza o trabalho criativo e os profissionais da área, uma vez que o custo das produções feitas por Inteligência Artificial é reduzido, levando muitos a utilizá-la para diminuir seus investimentos nas produções literárias.

Como exemplo, na nova edição de luxo de Alice no País das Maravilhas, a editora Novo Século afirma ter usado a IA para a produção da capa. A adirmação gerou polêmica na internet, com internautas apontando a falta de originalidade, criatividade e qualidade das imagens; para eles a IA gerou um resultado “sem vida”, inferior ao trabalho de um ilustrador humano, especialmente para um livro posicionado como de luxo.

————————————

O artigo acima foi editado por Gabriela Belchior.

Gostou desse tipo de conteúdo? Confira Her Campus Cásper Líbero para mais!

Maria Dias

Casper Libero '29

Estudante de jornalismo apaixonada por entretenimento, cultura e muitos outros