A televisão sempre foi uma janela para o mundo, nos permitindo enxergar diferentes perspectivas e formatos — seja por meio de um filme, uma novela, uma série, uma entrevista com alguém que admiramos ou um telejornal. Com o tempo, essa janela se expandiu de maneira avassaladora, transformando-se em uma imensa cobertura de vidro que nos oferece um panorama ainda mais amplo e diferentes pontos de vista.
Uso essa analogia para ilustrar, de forma lúdica, o futuro da experiência televisiva. Apesar do privilégio de termos inúmeras opções à nossa disposição, muitos estão deixando de olhar pela antiga janela da TV aberta. A grande questão é: estamos diante da era definitiva dos streamings ou presenciando um renascimento da TV aberta?
Consumo de mídia
A disputa entre TV aberta e streaming se intensificou com a transformação no consumo de conteúdo. As plataformas de streaming trouxeram uma nova dinâmica ao mercado, oferecendo recursos como conteúdos exclusivos, múltiplas telas, opção de assistir off-line, inteligência artificial para recomendações personalizadas e a ausência (ou redução) de publicidade tradicional. Isso fez com que o público passasse por uma verdadeira reeducação no modo de consumir entretenimento.
Muitas pessoas cancelaram a TV a cabo, percebendo que valia mais a pena assinar um serviço online. E não apenas pelo custo, mas também pela liberdade de assistir o que quiser, quando quiser. Mas e a TV aberta? Com a TV por assinatura perdendo relevância e os serviços de streaming adotando anúncios, será que o público está redescobrindo a programação gratuita das emissoras tradicionais?
Com o crescimento dos streamings, as grandes emissoras não viram apenas um concorrente, mas também uma oportunidade. Como resposta, começaram a lançar suas próprias plataformas, ampliando sua presença no mercado digital.
Nesses serviços, os assinantes podem acompanhar filmes e séries como em qualquer outra plataforma, mas com um diferencial: a transmissão ao vivo dos canais tradicionais. Além disso, oferecem conteúdos exclusivos, como bastidores de novelas, reportagens especiais e documentários. Dessa forma, a TV aberta se reinventa e se aproxima do público que já migrou para o digital.
TV x Streaming
A fragmentação das assinaturas e o aumento dos preços dos streamings podem abrir espaço para o retorno da TV aberta como alternativa gratuita de entretenimento.
De um lado, as plataformas digitais se destacam pela personalização, pela menor presença de publicidade tradicional e pelo conteúdo sob demanda. Do outro, a TV aberta mantém seu apelo com eventos ao vivo, programação regional e um amplo alcance em todas as classes sociais.
Com os serviços de streaming cada vez mais caros e pulverizados, parte do público pode reconsiderar a TV aberta como uma opção viável.
Para a jornalista Luanna Barros, que tem 14 anos de experiência em emissoras de TV, a adaptação do meio televisivo é inevitável, mas o futuro da audiência e do engajamento estará nas mãos da nova geração. “Acredito que as TVs não devem acabar, mas vão perder força, assim como ocorreu com o rádio e o jornal impresso”, comenta Luanna.
Ela conta que percebeu a força do streaming ao ver que Elize Matsunaga havia concedido uma entrevista exclusiva para um documentário da Netflix: “Entrevistar a Elize era o desejo de muitos jornalistas de TV. Ver que ela escolheu se pronunciar exclusivamente para o streaming foi um ‘chacoalhão’, praticamente mostrando que o futuro já havia chegado.”
No fim das contas, talvez a questão não seja sobre quem vai vencer essa disputa, mas como nós, espectadores, vamos nos adaptar a ela. O futuro da TV pode estar em um modelo híbrido, no qual a tecnologia digital e a transmissão tradicional coexistam, atendendo a um público diverso e cada vez mais exigente. Afinal, quanto mais opções, melhor para quem gosta de assistir de tudo um pouco.
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O artigo acima foi editado por Beatriz Martins.
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