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Felicity Warner / HCM
Casper Libero | Culture

Entenda quais são as chances de “O Agente Secreto” na temporada de premiações

Letícia Freitas Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O Agente Secreto tem grandes chances de levar o Brasil ao Globo de Ouro e ao Oscar novamente. As premiações no Festival de Cannes em maio abriram caminhos para a possibilidade. Desde então, o filme passou por 50 festivais, e ganhou 20 prêmios. Recentemente, o longa apareceu na lista de pré-indicados para o Critics.  Mas no que esses festivais influenciam durante a corrida para grandes premiações?

Os festivais de cinema como termômetro

Os festivais de cinema dão visibilidade para os filmes. São espaços que reúnem pessoas interessadas em cinema, seja o público geral ou profissionais do audiovisual, e é justamente esse destaque que as produções recebem que pode servir como um termômetro para grandes premiações.

Alguns festivais, por exemplo, contam com a presença de críticos e premiações próprias. Ou seja, um filme pode entrar em cartaz com grande apreço antes mesmo de ser lançado. É um chamariz.

“Para quanto mais festivais for indicado, mais as empresas ficam confiantes em apostar”, pontuou o crítico de cinema Lucas Tinoco. Além da quantidade, a relevância do evento também pesa. O Agente Secreto, por exemplo, teve os direitos adquiridos pela distribuidora Neon após a participação em Cannes, o nome por trás de filmes de grande sucesso nas premiações, como Anora, vencedor do Oscar de “Melhor Filme” em 2025.

Além dos prêmios que Wagner Moura e Kleber Mendonça trouxeram para casa, o longa foi um dos indicados para a honraria do festival: a Palma de Ouro. Esse é o patamar buscado pela Neon e, aparentemente, pelo Oscar também.

Cannes e a relevância no universo cinematográfico

“Palma de Ouro virou o principal centro de atração”, explica Lucas Tinoco, fundador do veículo “O cara cultura”. Em 2024, por exemplo, Anora levou a honraria no festival francês. Mais tarde, recebeu 6 indicações ao Oscar – incluindo a de “Melhor Filme” – vencendo em 5 categorias.  

Décadas atrás, algo parecido aconteceu com uma produção brasileira. A obra O Pagador de Promessas ganhou a Palma de Ouro em 1962 e fez história como o primeiro – e, até o momento, único – filme brasileiro a ganhar o prêmio. Ao retornarem para o Brasil, os artistas foram recebidos com festa. Um ano depois, o longa foi indicado ao Oscar como “Melhor Filme Estrangeiro”, nome que a categoria levava na época. 

Portanto, as probabilidades para um “repeteco” de indicações parecem grandes. “O filme já estreou com esse termômetro maior a partir do momento em que Kleber e Wagner Moura ganharam como melhor diretor e ator (respectivamente) em Cannes”, pontua Tinoco.

Prêmios conquistados até agora 

Até o momento, O Agente Secreto acumula 20 prêmios. Confira a lista dos títulos adquiridos pelo filme: 

  • Festival de Cannes: Melhor Diretor (Kleber Mendonça Filho); Melhor Ator – (Wagner Moura); Prêmio FIPRESCI (Prêmio da Crítica) e Prix des Cinémas d’Art et Essai (AFCAE), ambos para o filme.
  • Festival de Cine de Lima: Melhor Filme; Melhor Filme da Crítica Internacional; Trophy Spondylus e Menção Honrosa (Latin American Fiction) 
  • Festival de Cinema de Jerusalém: Melhor Filme Internacional 
  • Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz: Abrazo d’honneur (Abraço de Honra) – Kleber Mendonça Filho
  • Festival de Cinema de Zurique: Golden Eye (Atuação) – Wagner Moura
  • Festival de Cinema de Colônia: The Hollywood Reporter Award (Melhor Ficção) – Kleber Mendonça Filho
  • Festival de Cinema de Middleburg: International Spotlight Award — Kleber Mendonça Filho
  • Festival de cinema de Virgínia: Craft Award (Cinematografia) – Evgenia Alexandrova
  • Festival de Key West: Prêmio da Crítica 
  • Festival Internacional de Cinema de Estocolmo: Melhor Fotografia – Evgenia Alexandrova
  • Festival Internacional de Cinema de Gáldar: Best Feature Film
  • Festival de Cinema de Newport Beach: Outstanding Performance – Wagner Moura

Previsões 

Para Lucas, as indicações ao Oscar e Globo de Ouro são quase certas, já as premiações, não tanto: “O filme de Kleber Mendonça é ótimo, o problema são as grandes campanhas para fortes indicações internacionais”. Filmes como Valor Sentimental e Foi Apenas Um Acidente também vêm com peso na categoria de “Melhor Filme Internacional”. 

Dirigido por Jafar Panahi, o filme iraniano Foi Apenas um Acidente ganhou a Palma de Ouro em maio. Valor Sentimental não ficou para trás. O filme norueguês também recebeu um belo reconhecimento em Cannes: o Grande Prêmio. Os três filmes foram adquiridos pela Neon. 

Apesar da concorrência, o cenário muda ao falarmos sobre “Melhor Ator”. Wagner Moura é a principal aposta na categoria. “A única competição que ele tem talvez seja o Leonardo DiCaprio, com Uma Batalha Após a Outra”, Tinoco pondera. Segundo o crítico, até agora não tivemos algo muito extraordinário para além dos citados. 

Ainda Estou Aqui vs O Agente Secreto: trajetórias semelhantes?

Tanto O Agente Secreto quanto Ainda Estou Aqui, representante do Brasil na temporada de 2024/2025,  tiveram um início de campanha parecidos: a estreia em festivais renomados. Diferente do filme de Mendonça, Ainda Estou Aqui marcou presença no Festival de Veneza, onde garantiu o prêmio de “Melhor Roteiro”. Nas duas estreias, as obras foram ovacionadas pelo público. A repercussão do longa de Walter Salles tornou o caminho um pouco mais fácil para outras produções. 

Afinal, é inegável o reconhecimento que o cinema brasileiro alcançou após os títulos conquistados pelo filme de Salles. Reconhecimento esse que tornou viável apostas mais pesadas nos longas brasileiros, tanto pelos profissionais do nosso país, quanto para os internacionais. É o caso de O Agente Secreto.

Com a campanha iniciada em maio, o filme tem a oportunidade de percorrer uma trajetória ainda mais consolidada. 

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O artigo acima foi editado por Julia Pujar.

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Letícia Freitas

Casper Libero '28

Estudante de jornalismo apaixonada por contar histórias.