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Elenco de Wicked Brasil na pré-estreia do musical
Elenco de Wicked Brasil na pré-estreia do musical
Original photo by Clarissa Palácio
Casper Libero | Culture > Entertainment

Caso Wicked: a linha tênue entre respeito e admiração nas peças de teatro

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Sophia Claro Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Após o estrondoso sucesso do filme da franquia, o musical Wicked retorna pela terceira vez à São Paulo, conquistando novos fãs e reacendendo a paixão dos antigos. Com o aumento da visibilidade desde o lançamento da produção estrelada por Cynthia Erivo e Ariana Grande, surge uma questão que tem gerado discussões nas redes sociais: até que ponto o comportamento do público nas apresentações respeita o espaço dos artistas e dos outros espectadores?

Em produções de grande porte, como os musicais, é comum que o ingresso tenha um valor elevado, o que costuma atrair um público mais acostumado ao ambiente teatral. Contudo, com a quebra dessa “bolha”, novos comportamentos têm surgido, como a prática de cantar junto com os atores durante o espetáculo.

Embora o entusiasmo e a admiração sejam esperados e demonstrados por meio de aplausos e de gritos de empolgação após os números musicais, a prática de cantar junto com os artistas durante a performance é uma atitude polêmica. Isso porque, ao fazê-lo, o público pode invadir o espaço da própria apresentação, que é pensada e ensaiada para proporcionar uma experiência única, tanto para os artistas quanto para os espectadores.

Até que ponto isso é correto?

Em espetáculos como Wicked, que conta com a atuação de 36 artistas e uma orquestra ao vivo com 17 músicos, o respeito pelo trabalho de todos os envolvidos é fundamental. Durante a execução de uma das músicas mais emblemáticas do musical, “Desafiando a Gravidade”, que a prática de cantar junto gerou maior incômodo.

A interpretação dessa canção por Myra Ruiz, no papel de Elphaba, foi uma das mais afetadas, conforme relatado por vários espectadores nas redes sociais. A produção do espetáculo, em um comunicado no Instagram, confirmou o episódio.

Em resposta, Myra Ruiz compartilhou suas impressões nas redes sociais, afirmando que, embora a “euforia” não a atrapalhe diretamente durante a performance, ela sente dificuldade em manter o foco quando o volume da plateia é excessivo. 

“Quando a gritaria e a massa sonora surgem, não consigo ouvir minha própria voz, mas consigo manter o foco. Mas lendo o que as pessoas estão dizendo, venho fazer esse pedido para a gente tomar cuidado”, disse a atriz.

A situação gerou um grande movimento entre os fãs, que iniciaram a tag TEATRO MUSICAL NÃO É SHOW, divulgada nas redes sociais e apoiada por diversos fã-clubes.

Em resposta à mobilização, a produção do musical emitiu uma nota oficial, esclarecendo que o comportamento observado foi isolado e que, durante as demais sessões, a situação não se repetiu. A nota também ressaltou que, como parte da experiência de Wicked, é importante que o público siga certas normas de comportamento para garantir uma experiência imersiva e respeitosa.

A produção também apresenta um aviso sonoro, no início de cada apresentação, para reforçar que os espectadores evitem manifestações durante a performance, destacando que a única interação permitida deve ocorrer após os números musicais. 

Além disso, foi solicitado que os celulares não sejam usados para tirar fotos ou gravar vídeos, a fim de evitar distrações e respeitar a imersão do espetáculo. Myra Ruiz também se manifestou sobre o uso excessivo de celulares nas apresentações, mencionando que, “ao invés de ver os rostos dos espectadores, frequentemente, observa apenas telas”.

Embora essa prática não seja exclusiva dos teatros, ocorrendo também nas salas de cinema, no contexto dos musicais a situação adquire uma maior repercussão, especialmente em sessões de grande público. Nos cinemas, há sessões especiais chamadas “sing-along”, onde o público é incentivado a cantar junto com o filme, mas essa é uma experiência controlada, diferente do que acontece em uma apresentação ao vivo, onde o respeito ao trabalho artístico é primordial.

Para preservar a magia do teatro, é fundamental que tanto artistas quanto espectadores se dediquem ao respeito mútuo e à valorização do espetáculo como uma vivência coletiva. O verdadeiro desafio está em equilibrar a empolgação genuína com a reverência à arte que está sendo apresentada no palco.

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O artigo acima foi editado por Carol Malheiro

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Sophia Claro

Casper Libero '26

atriz e estudante de jornalismo apaixonada por escrever.