O movimento de positividade corporal, é um movimento social que impulsiona a aceitação do próprio corpo, independente da sua forma, tamanho, capacidade física ou cor. O movimento teve seu auge nos anos de 2018 e 2022, mas, acabou perdendo sua força, e foi substituída para a nova moda no momento, a magreza extrema.
A magreza extrema estava na moda entre os anos 1990 com a estética heroin chic e se propagou aos anos 2000 com o nome size 0. Com o body positive caindo no esquecimento, ele abriu uma brecha para a magreza extrema retornar aos palcos em 2022 e 2023, ganhando força em 2024 e 2026. A grande problemática se encontra no momento em que ser magra é mais importante do que a saúde física e mental.
por que a magreza voltou a moda
Para algo voltar a ser tendência, é necessário criar um sentimento de nostalgia em quem já vivenciou aquele tempo. E com a ascensão da magreza extrema, não foi diferente. Com o resgate da estética Y2K, dos anos 2000, que se baseia em usar calças de cintura baixa, croppeds e modelagens que exigem uma silhueta mais esguia, se tornou uma devida febre entre jovens, principalmente por causa das redes sociais, que se inspiram cada vez mais nas modas e nostalgia do passado. Não é atoa que 2026 é o novo 2016, não é mesmo?
A volta da magreza extrema às passarelas acabou ajudando o movimento a se propagar mais, principalmente entre os jovens, que testemunharam celebridades de grandes nomes se renderem à estética de magreza, tudo isso, olhando pela tela de um celular.
Tudo vale a pena quando se quer emagrecer…até a sua saúde
As redes sociais, como o TikTok e o Instagram, também foram grandes aliados para fazer a magreza extrema se consolidar ainda mais no mercado, com vídeos de motivação que se baseiam em não comer e, se for para comer, uma alimentação extremamente pobre em nutrientes, proteínas, carboidratos e qualquer outro tipo de alimentação saudável.
Para a nutricionista com abordagem comportamental Andressa Pereira de Lucena o uso das redes sociais para basear a dieta é um pouco individualista, “O problema é que muitas dietas na internet são muito restritivas e não consideram algo fundamental, que é a individualidade daquela pessoa.” Cada corpo reage de uma maneira diferente quando se corta um certo tipo de alimento ou muda a rotina alimentar, o perigo das dietas extremistas nas redes, é que elas não pensam na saúde do indivíduo, seu foco principal é apenas a estética.
Uma alimentação com certos grupos alimentares excluídos pode até diminuir as calorias, mas também diminui nutrientes importantes para o corpo, o que afeta diretamente na saúde, o metabolismo e a autonomia ao longo da vida, “Se a alimentação fica pobre em vitaminas e minerais, pode aparecer cansaço, indisposição, queda de cabelo, o que é bem comum, unhas mais frágeis, alteração na imunidade. O mesmo vale também para as fibras. Se uma pessoa corta ou come de forma insuficiente frutas, legumes, grãos, o funcionamento intestinal pode ser prejudicado.”
A mente também sai prejudicada com a grande exposição de corpos na internet, a psicóloga Andreia Toti Barcello afirma que a exposição contínua na internet afeta a mente com padrões de beleza idealizados, “O algoritmo aumenta a exibição desses padrões de beleza. Isso pode ativar pensamentos negativos sobre o próprio corpo, gerando insatisfação, ansiedade e comportamentos como, checagem corporal, restrição alimentar ou por mudanças na aparência, assim, se cria um ciclo em que pensamentos, reações e emoções se reforçam.”
A dieta pode até fazer uma pessoa perder mais peso, mas, isso não significa que está ficando saudável, o correto a se fazer é ter um acompanhamento com um profissional da saúde que saiba como o corpo funciona, para que haja um equilíbrio entre saúde e estética.
canetas emagrecedoras: quando o fácil sai caro
As famosas canetas emagrecedoras – como Ozempic e Mounjaro – inicialmente desenvolvidas para tratar a diabetes tipo 2, agora são vistas com outros olhos: elas ajudam a perder peso, e rápido!
O grande problema surge quando as canetas são obtidas sem prescrição médica,de maneira ilegal,o que pode ser arriscado para a saúde, trazendo sequelas para a sua vida. “Esses medicamentos podem sim serem ferramentas importantes quando bem indicados, o problema é quando vira uma tendência e a pessoa começa a usar por conta própria pensando apenas na perda de peso, sem avaliar o contexto de saúde.” Afirma Andressa.
Querer começar a tomar as canetas emagrecedoras não é errado, desde que se tenha um acompanhamento intensivo com profissionais da saúde. Os problemas de se tomar medicamentos deste tipo sem prescrição e decidir se arriscar com os ilegais vão desde queda de cabelo até a impotência dos órgãos.
Andreia relata que a ideia de emagrecer rápido pode reforçar o imediatismo e diminuir a tolerância ao processo gradual de mudança. “Isso leva a pensamentos como “preciso emagrecer rápido para me sentir bem”, e isso contribui com a insatisfação do próprio corpo. Além disso, quando o emagrecimento é visto como algo que precisa ser corrigido rapidamente, pode ficar mais difícil desenvolver uma relação de aceitação corporal, autocuidado e expectativas realistas sobre tempo e esforço.”
amar o seu corpo vai muito além da estética
Um corpo saudável não é sinônimo de magreza, significa o aceitar como ele é e não querer se adequar com o que a sociedade quer que ele seja.
Para a nutricionista a alimentação vai muito além de ser só comida, “Muitas das nossas lembranças estão associadas a uma mesa farta, a cheiros, sabores, momentos e pessoas. Comer também faz parte da nossa experiência humana.” A alimentação não pode ser vista como uma vilã, mas sim como uma parceira que precisa de certas restrições para não perder o controle.
Dietas com cortes excessivos de nutrientes, carboidratos ou proteínas é uma forma de ir matando seu corpo lentamente, a alimentação é um cuidado que temos para crescer e envelhecermos saudáveis, sem causar riscos para o corpo. “Quando esse olhar muda, a alimentação deixa de ser apenas uma lista de regras, proibições ou alimentos certos e errados, ela passa a ser uma forma de cuidado. E esse cuidado não necessariamente precisa ser rígido, porque uma alimentação saudável também precisa comportar o prazer.”
—————————
O artigo acima foi editado por Maria Luiza Comitre.
Gostou desse tipo de conteúdo? Confira Her Campus Cásper Líbero para mais!