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De SOP para SOMP: o que muda com o novo nome da síndrome 

Júlia Festagallo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

A antiga Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), passou a ter sua nomenclatura oficialmente proposta como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A atualização, publicada na revista científica The Lancet, surge após anos de questionamentos sobre uma nomenclatura considerada insuficiente para representar a complexidade da condição. 

Por décadas, o nome ajudou a consolidar a ideia de uma síndrome centrada nos ovários e marcada pela presença de cistos, percepção que hoje já não acompanha integralmente o que a ciência entende sobre a condição. 

Todavia, a alteração na nomenclatura não modifica os critérios diagnósticos nem as recomendações de tratamento. O que se propõe com a mudança é uma transformação na perspectiva pela qual a síndrome é compreendida. Se a condição não se limita aos ovários, o que o nome antigo deixava de fora? 

Por que a nomenclatura mudou?  

Receber um diagnóstico de SOP nem sempre significava compreender o que estava acontecendo com o próprio corpo. O antigo nome sugeria um problema localizado nos ovários e, principalmente, a presença obrigatória de cistos – mesmo que nem toda paciente apresentasse esse aspecto no ultrassom. Inclusive, os impactos da condição ultrapassam o sistema reprodutivo quanto a suas manifestações no organismo. 

O termo direcionava toda a atenção para os ovários, quando hoje sabemos que essa é uma condição hormonal e metabólica complexa”, explica Karoline Prado, ginecologista e obstetra. 

Após anos de pesquisas e estudos, a compreensão da síndrome se expandiu para muito além dos ovários. Hoje, sabe-se que a condição envolve alterações hormonais e metabólicas que podem impactar diferentes funções do organismo. Entre as manifestações mais comuns estão a irregularidade menstrual, a dificuldade para ovular e sinais de excesso de hormônios androgênicos, como acne, aumento de pelos e queda de cabelo. 

Esse novo entendimento também ajudou a evidenciar um aspecto que o antigo nome deixava em segundo plano – o impacto metabólico da síndrome. Segundo Karoline, a resistência à insulina está presente em uma grande parcela das pacientes, inclusive entre mulheres magras, e pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2, síndrome metabólica, esteatose hepática e doenças cardiovasculares ao decorrer da vida. 

Para a médica, reconhecer esse componente desde o diagnóstico permite ampliar o cuidado para além do controle dos sintomas ginecológicos e adotar um acompanhamento mais integral da saúde das pacientes. “Não é apenas uma mudança de nome, mas uma forma mais precisa de comunicar o que realmente acontece no organismo para as pacientes e aos profissionais de saúde”, adiciona a ginecologista.  

O nome mudou, mas o diagnóstico permanece o mesmo 

A proposta de substituir SOP por SOMP não altera os critérios utilizados para identificar a síndrome, bem como não muda as recomendações de tratamento. O que muda é a forma de comunicar a condição.  

Segundo Karoline, esse é justamente um dos pontos que motivaram a revisão da nomenclatura. “A presença de ovários policísticos não é obrigatória para o diagnóstico. Muitas mulheres têm ciclos menstruais irregulares e excesso de hormônios androgênicos e já preenchem os critérios diagnósticos mesmo com um ultrassom normal”, explica. 

Para estabelecer o diagnóstico, continuam sendo considerados os mesmos fatores, eles sendo a irregularidade ovulatória ou menstrual, sinais clínicos ou laboratoriais de excesso de andrógenos e ovários com aspecto policístico ao ultrassom. Apresentando ao menos dois desses critérios e, com a exclusão de outras doenças, a SOMP pode ser identificada.  

Muitas mulheres ouviam que ‘não tinham cistos’ e acreditavam que, por isso, não poderiam ter a síndrome”, comenta a médica. Para ela, ampliar a nomenclatura pode favorecer uma compreensão mais precisa da condição e contribuir para diagnósticos mais precoces. 

Existe tratamento e ele vai além do olhar ginecológico 

Apesar de não ter cura, a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina pode ser controlada se acompanhada ao longo da vida. Hoje, o tratamento vai além da regulação do ciclo menstrual ou do controle dos sintomas ginecológicos, ele passa a olhar para a paciente de uma forma mais ampla. 

A síndrome não tem cura, mas tem tratamento e pode ser muito bem controlada”, afirma a ginecologista. Atualmente, o acompanhamento é construído de forma individualizada e leva em consideração os sintomas, os objetivos e o momento de vida de cada paciente. 

Entre os pilares do tratamento, é fundamental que haja mudanças no estilo de vida. Uma dieta equilibrada, a prática regular de atividade física, sono adequado e o manejo do estresse, são fundamentais para um acompanhamento bem-sucedido. Quando necessário, também podem ser utilizados medicamentos para regular os ciclos menstruais, controlar manifestações relacionadas ao excesso de hormônios androgênicos, melhorar a resistência à insulina ou estimular a ovulação em mulheres que desejam engravidar. 

Para Karoline, ampliar o entendimento sobre a síndrome também ajuda a enfrentar alguns dos mitos mais recorrentes no consultório. Um dos principais, segundo ela, é acreditar que o diagnóstico significa infertilidade ou impossibilidade de perder peso. “Na realidade, trata-se de uma condição crônica, mas que pode ser muito bem controlada com acompanhamento adequado, permitindo qualidade de vida, controle dos sintomas e, quando desejado, gravidez.” 

No fim, a discussão não se resume a uma troca de nomenclatura. Ao questionar o nome já consolidado há décadas, a proposta coloca em evidência o entendimento de uma condição comum, que afeta grande parte das mulheres. A expectativa é que também se amplie a forma como ela é identificada, explicada e acompanhada, permitindo que mais mulheres compreendam o que acontece no próprio corpo para além de um exame de ultrassom.

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O artigo acima foi editado por Eduarda Mahrouk.

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Júlia Festagallo

Casper Libero '28

I'm a journalism student at Cásper Líbero university that believes in power of communication to connect and inspire. Passionate about culture, travel and lifestyle, I'm always eager for a challenge.