A Netflix confirmou que a próxima temporada de Bridgerton será de “Franchaela”, casal formado por Francesca Bridgerton (Hannah Dodd) e Michaela Stirling (Masali Baduza) — o anúncio provocou forte repercussão nas redes sociais nos últimos dias, tanto positiva quanto negativa.
A escolha decorre diretamente de um dos acontecimentos mais devastadores da quarta temporada: a morte de John Stirling, personagem de Victor Alli. A perda desestrutura a agora viúva Francesca e redefine seu percurso, conduzindo a narrativa para uma nova etapa em que o vínculo com Michaela, prima de seu falecido esposo, passa a ocupar o centro da história.
O que sabemos sobre a Temporada 5 de Bridgerton?
Até o momento, a única informação que se tem é a mudança na trama original da história. No livro, Francesca se apaixona por Michael Stirling, primo de seu falecido marido. Porém, diferentemente da obra de Julia Quinn, e em conformidade com as suspeitas do público, o personagem irá se chamar Michaela.
A notícia gerou diversas reações entre os internautas das redes sociais. Comentários como “Não se agrada a maioria com lacração de minoria”, “Por que não podemos nos manter presos à tradição?”, “A história de Francesca foi transformada em algo irreconhecível, feito para chocar”, entre outros, tem recebido um número expressivo de curtidas e respostas.
Os fãs possuem o direito de se revoltar e chatear com a mudança, porém, deve expressar sua opinião de forma respeitosa. Muitos estão agindo de forma preconceituosa por meio de comentários disfarçados de descontentamento. Isso já deveria ser algo claro para o público, principalmente no Brasil — país que mais mata pessoas da comunidade LGBTQIAP+ no mundo todo, segundo o relatório anual do Grupo Gay da Bahia (GGB).
Quando a 5 temporada irá estrear na Netflix?
A Netflix ainda não divulgou a data oficial de lançamento, mas, seguindo o histórico da série, a nova temporada deve chegar apenas em 2027 — possivelmente dividida em duas partes.
A expectativa é que a relação entre Francesca e Michaela seja construída gradualmente, diferente do desenvolvimento mais direto dos livros. Com isso, teremos o primeiro casal queer protagonista da série — um marco importante para uma produção ambientada na Regência Britânica do século XIX.
Na obra original, Francesca já superou o luto ao se abrir para um novo amor. Na série, esse processo deve ser mais lento, respeitando o impacto emocional da perda e construindo a conexão entre as personagens com mais profundidade.
Quais são as críticas?
Um dos argumentos mais utilizados é o de que Francesca não poderá realizar seu maior desejo: ter um filho.
Na prática, o desejo pela maternidade funciona muito mais como um gatilho narrativo do que como o centro da história. O que realmente move a narrativa é a ideia de permitir-se amar novamente após o luto. Vale lembrar que, nos livros de Julia Quinn, Francesca chega a engravidar de John, mas sofre um aborto espontâneo — evento marcante que reforça como a maternidade não se concretiza da forma idealizada por ela.
A história de Francesca é muito marcada pelo reconhecimento de que é possível viver um grande amor e, ainda assim, se permitir sentir algo novo — ou talvez até mais forte — com outra pessoa. Esse amor não desaparece só porque alguém se foi, ele se transforma. Amar outra vez não significa substituir o passado.
E é justamente essa complexidade emocional que torna a jornada de Francesca tão interessante: não é sobre escolher entre um amor e outro, mas sobre entender que ambos podem coexistir, de formas diferentes, dentro da mesma história.
Representatividade ou “lacração”?
Entre as críticas mais problemáticas está a ideia de que “tudo agora precisa ser LGBTQIAP+”. Mas basta observar o próprio audiovisual mainstream para perceber o contrário: histórias centradas em personagens queer ainda são uma minoria.
Uma das grandes propostas de Bridgerton sempre foi permitir que mais pessoas se vejam nesses espaços de fantasia, luxo e romance. Como destacou a showrunner Jess Brownell, a série busca criar um mundo onde diversos públicos possam sonhar e se imaginar nesses papéis.
E isso inclui histórias queer que não sejam marcadas apenas por dor ou tristeza. Pelo contrário: a intenção é justamente mostrar que esses personagens também podem viver grandes romances.
Embora Francesca não seja originalmente uma personagem sáfica nos livros de Julia Quinn, sua sensação constante de deslocamento e diferença sempre esteve presente. Para muitas pessoas da comunidade queer, esse sentimento é familiar — o que torna a adaptação menos dispensável do que parece à primeira vista.
O que o elenco e a produção dizem?
A mudança na história não foi uma decisão aleatória. Segundo a showrunner Jess Brownell, a construção dessa narrativa já vinha sendo pensada desde as primeiras aparições de Francesca na série.
A produtora explicou que sempre enxergou na personagem uma camada de deslocamento que ia além da introversão apresentada nos livros de Julia Quinn. Para ela, essa sensação de não pertencimento, dialoga diretamente com experiências vividas por muitas pessoas da comunidade. Por isso, a mudança no gênero do interesse romântico não surge como ruptura, mas como uma evolução possível da personagem dentro da adaptação.
Diferente de muitas narrativas LGBTQIAP+ marcadas por dor, repressão ou finais trágicos, a proposta da série é justamente o oposto: construir um romance que preserva a essência de Bridgerton — ou seja, uma história de amor intensa, estética e, acima de tudo, com direito a um “felizes para sempre”.
A própria autora apoiou a decisão, o que reforça que a mudança não desrespeita a obra original, mas dialoga com ela em outra linguagem. A autora pediu que os fãs confiem no processo e destacou que a história de Francesca sempre teve um dos arcos emocionais mais fortes da saga — algo que, segundo ela, deve ser mantido na adaptação.
Portanto, a transformação de Michael em Michaela pode até parecer radical para alguns, mas ela se encaixa perfeitamente dentro da proposta maior da série: adaptar o passado para incluir histórias que antes não tinham espaço. E, no meio de tantas discussões, uma coisa é certa: Franchaela já é realidade — e promete ser uma das narrativas mais intensas e marcantes de todas as temporadas já vistas.
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O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann.
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