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A romantização da vida de colunista: Glamour vs Precarização

Maria Fernanda Barros Oliveira Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Muitas meninas ao assistirem comédias românticas, se deparam com protagonistas que trabalham com o jornalismo e acabam por escolher o curso por conta delas, o que pode causar uma frustração, por não ser totalmente como ocorre nos filmes.

Em obras como: De repente 30, O diabo veste Prada, Sex and the City e Os delírios de consumo de Becky Bloom, segue sempre um mesmo tipo de roteiro, são ambientados em Nova York e protagonizados por mulheres solteiras e sem filhos. Apresentando assim um olhar romantizado sobre o universo feminino e o jornalismo.

Mesmo nas narrativas em que a profissão não é o ponto principal, mostra-se atividades típicas do cotidiano jornalístico, como entrevistas, apuração, eventos e contato com fontes, além de retratar o ambiente das redações nos anos 2000, quando o impresso ainda predominava.

@mica.ayer

Por que o jornalismo era uma profissão tão comum nas comédias românticas dos anos 2000? Obrigada Ana Serra e @Marie Claire Brasil por esse momento😭🫶 — #romanticcomedy #romcom #culturapop #TikTokMeFezAssistir

♬ som original – Mica

estereótipo feminino nas telas

As jornalistas do universo cinematográfico, são comumente associadas a relacionamentos amorosos e temas considerados “femininos”, como moda e comportamento, enquanto áreas como política e economia permanecem relacionadas a homens, e muitas vezes esse fato é romantizado nos filmes.

Um dado curioso é que todos os filmes, citados anteriormente, foram dirigidos por homens, o que pode explicar representações estereotipadas como a ideia de que a mulher precisa de um par romântico ou é movida pelo consumismo e pela emoção. Assim, as narrativas acabam revelando mais sobre o olhar masculino da época do que sobre a realidade das mulheres jornalistas.

Realidade

Em entrevista para a Her Campus Cásper Líbero, Jucinara Lima, colunista do jornal Desenrola, mostra a realidade de diversos colunistas pelo país. Seu trabalho começou com o “Juh na várzea” em 2017, e através da sua câmera contou a história do futebol na comunidade.

E desde 2021, ela mantém sua coluna ativa no jornal, abordando temas como cultura, lazer, representatividade e as dificuldades enfrentadas pela comunidade. Seu objetivo é dar voz a quem vive lá dentro, trazendo uma perspectiva autêntica sobre o território e suas múltiplas realidades.

“Gosto de falar e escrever sobre as pessoas que moram na mesma comunidade que eu. São pessoas que vivem a mesma vida que eu, que frequentam os mesmos lugares que eu. Então, para mim, isso me motiva, me faz ter força de vontade de continuar e contar a história das pessoas. Eu acho que todas as pessoas têm algo a contar”

Jucinara Lima

A função do jornalista

Independente dessa romantização, ou de ser colunista ou não, o jornalista tem funções e deveres muito importantes, como passar informações, o compromisso com a verdade e contar histórias de pessoas que muitas vezes passam despercebidas.

A colunista Carolina Brígido, do Estadão, conta um pouco para HCCL sobre isso. Segundo a jornalista, o maior desafio de ser colunista está diretamente ligado ao compromisso com o bom jornalismo e compara essa responsabilidade à rotina de um repórter: “O desafio de ser colunista é o mesmo desafio de um repórter fazer uma reportagem, de manter o seu emprego.”

A jornalista destaca que, em meio às pressões por audiência e visibilidade, é essencial manter a ética e o respeito aos fatos. “No jornalismo tem muita pressão, tem gente que força a mão, que esquenta um pouco os fatos para ter mais audiência”, afirma. “O desafio maior é apurar a verdade das coisas, ter honestidade com a sua fonte, com a sua apuração, com seus valores. Não forçar a barra para ter audiência, mas ter um compromisso com a verdade e com a ética.”

Rotina de uma colunista

Carolina diz que a rotina está longe de ser leve e apesar de, hoje, conseguir equilibrar melhor o tempo por conta do modelo híbrido de trabalho, a profissão ainda exige muitas horas de dedicação. “A gente faz uma parte de home office e outra parte na rua ou na redação”, explica.

A profissional diz que o jornalista precisa ter disciplina para organizar o próprio horário, especialmente em redações, onde a notícia não tem hora para acontecer. “Se você deixar, trabalha 24 horas por dia e isso não é bom para a saúde mental nem física”, afirma.

Sobre a ideia de que ser colunista representa o “topo” da profissão, ela discorda:

“Tenho a impressão de que ser colunista é visto como o topo, mas eu não vejo muito assim. A importância está no repórter, que é quem traz a apuração.”

Carolina Brígido

Mesmo escrevendo análises, Carolina reforça que a apuração continua sendo parte fundamental do seu trabalho. “Não adianta confiar na apuração do meu colega ou de outra pessoa. Antes de analisar o cenário político, eu preciso ter a minha própria apuração.”

Ainda que os filmes dos anos 2000 tenham ajudado a despertar o interesse de muitas meninas pelo jornalismo, a vida real mostra que a profissão vai muito além dos cafés sofisticados e das colunas assinadas com destaque. No fim das contas, o verdadeiro glamour está em contar boas histórias, aquelas que dão voz a quem muitas vezes não é ouvido e que ajudam o público a entender melhor o mundo ao seu redor.

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O texto acima foi editado por Maria Eduarda Barreira.

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Hi, my name is Maria Fernanda and I'm studying journalism at Casper Libero.
My hobbies are reading and writing .