Muitas meninas ao assistirem comédias românticas, se deparam com protagonistas que trabalham com o jornalismo e acabam por escolher o curso por conta delas, o que pode causar uma frustração, por não ser totalmente como ocorre nos filmes.
Em obras como: De repente 30, O diabo veste Prada, Sex and the City e Os delírios de consumo de Becky Bloom, segue sempre um mesmo tipo de roteiro, são ambientados em Nova York e protagonizados por mulheres solteiras e sem filhos. Apresentando assim um olhar romantizado sobre o universo feminino e o jornalismo.
Mesmo nas narrativas em que a profissão não é o ponto principal, mostra-se atividades típicas do cotidiano jornalístico, como entrevistas, apuração, eventos e contato com fontes, além de retratar o ambiente das redações nos anos 2000, quando o impresso ainda predominava.
estereótipo feminino nas telas
As jornalistas do universo cinematográfico, são comumente associadas a relacionamentos amorosos e temas considerados “femininos”, como moda e comportamento, enquanto áreas como política e economia permanecem relacionadas a homens, e muitas vezes esse fato é romantizado nos filmes.
Um dado curioso é que todos os filmes, citados anteriormente, foram dirigidos por homens, o que pode explicar representações estereotipadas como a ideia de que a mulher precisa de um par romântico ou é movida pelo consumismo e pela emoção. Assim, as narrativas acabam revelando mais sobre o olhar masculino da época do que sobre a realidade das mulheres jornalistas.
Realidade
Em entrevista para a Her Campus Cásper Líbero, Jucinara Lima, colunista do jornal Desenrola, mostra a realidade de diversos colunistas pelo país. Seu trabalho começou com o “Juh na várzea” em 2017, e através da sua câmera contou a história do futebol na comunidade.
E desde 2021, ela mantém sua coluna ativa no jornal, abordando temas como cultura, lazer, representatividade e as dificuldades enfrentadas pela comunidade. Seu objetivo é dar voz a quem vive lá dentro, trazendo uma perspectiva autêntica sobre o território e suas múltiplas realidades.
“Gosto de falar e escrever sobre as pessoas que moram na mesma comunidade que eu. São pessoas que vivem a mesma vida que eu, que frequentam os mesmos lugares que eu. Então, para mim, isso me motiva, me faz ter força de vontade de continuar e contar a história das pessoas. Eu acho que todas as pessoas têm algo a contar”
Jucinara Lima
A função do jornalista
Independente dessa romantização, ou de ser colunista ou não, o jornalista tem funções e deveres muito importantes, como passar informações, o compromisso com a verdade e contar histórias de pessoas que muitas vezes passam despercebidas.
A colunista Carolina Brígido, do Estadão, conta um pouco para HCCL sobre isso. Segundo a jornalista, o maior desafio de ser colunista está diretamente ligado ao compromisso com o bom jornalismo e compara essa responsabilidade à rotina de um repórter: “O desafio de ser colunista é o mesmo desafio de um repórter fazer uma reportagem, de manter o seu emprego.”
A jornalista destaca que, em meio às pressões por audiência e visibilidade, é essencial manter a ética e o respeito aos fatos. “No jornalismo tem muita pressão, tem gente que força a mão, que esquenta um pouco os fatos para ter mais audiência”, afirma. “O desafio maior é apurar a verdade das coisas, ter honestidade com a sua fonte, com a sua apuração, com seus valores. Não forçar a barra para ter audiência, mas ter um compromisso com a verdade e com a ética.”
Rotina de uma colunista
Carolina diz que a rotina está longe de ser leve e apesar de, hoje, conseguir equilibrar melhor o tempo por conta do modelo híbrido de trabalho, a profissão ainda exige muitas horas de dedicação. “A gente faz uma parte de home office e outra parte na rua ou na redação”, explica.
A profissional diz que o jornalista precisa ter disciplina para organizar o próprio horário, especialmente em redações, onde a notícia não tem hora para acontecer. “Se você deixar, trabalha 24 horas por dia e isso não é bom para a saúde mental nem física”, afirma.
Sobre a ideia de que ser colunista representa o “topo” da profissão, ela discorda:
“Tenho a impressão de que ser colunista é visto como o topo, mas eu não vejo muito assim. A importância está no repórter, que é quem traz a apuração.”
Carolina Brígido
Mesmo escrevendo análises, Carolina reforça que a apuração continua sendo parte fundamental do seu trabalho. “Não adianta confiar na apuração do meu colega ou de outra pessoa. Antes de analisar o cenário político, eu preciso ter a minha própria apuração.”
Ainda que os filmes dos anos 2000 tenham ajudado a despertar o interesse de muitas meninas pelo jornalismo, a vida real mostra que a profissão vai muito além dos cafés sofisticados e das colunas assinadas com destaque. No fim das contas, o verdadeiro glamour está em contar boas histórias, aquelas que dão voz a quem muitas vezes não é ouvido e que ajudam o público a entender melhor o mundo ao seu redor.
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O texto acima foi editado por Maria Eduarda Barreira.
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