No dia 1º de maio de 2024, foi decretado estado de calamidade pública no Rio Grande do Sul. Há um ano, a combinação de uma frente fria persistente com áreas de instabilidade provocou volumes de chuva recordes em diversas regiões. Em poucos dias, rios transbordaram, cidades foram inundadas e a rotina de milhões de pessoas foi abruptamente interrompida.
A tragédia
As enchentes de 2024 foram consideradas o maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul, impactando 478 das 497 cidades do estado. Foram aproximadamente 2,4 milhões de pessoas atingidas, 184 mortes, 806 feridos e 25 pessoas seguem desaparecidas até hoje. Porto Alegre, a capital do estado, viu bairros inteiros ficarem submersos, e o Aeroporto Salgado Filho precisou suspender operações por tempo indeterminado. As cidades de Canoas, Eldorado do Sul, Porto Alegre e Roca Sales estão entre as mais atingidas com os alagamentos, inundações e deslizamentos de terra.
No momento de crise, hospitais operaram em condições emergenciais, escolas viraram ponto de abrigo e voluntários do país inteiro, que se mobilizaram com a situação do estado gaúcho, ajudaram com doação de alimentos, moradia, apoio e higiene básica. No pico da emergência, o estado chegou a registrar 81,2 mil pessoas acolhidas em abrigos, além daquelas famílias que necessitavam improvisar abrigos onde podiam.
Os eventos climáticos
As chuvas que começaram a atingir o estado gaúcho no final do mês de abril de 2024 tiveram origens naturais e antrópicas. O volume de água ocasionou o transbordamento de vários cursos d’água no estado, e também a cheia do lago de Guaíba, que abastece a região metropolitana de Porto Alegre.
Especialistas apontam que eventos extremos como o que atingiu o estado gaúcho estão se tornando cada vez mais comuns por conta das mudanças climáticas. No caso específico do Rio Grande do Sul, a tragédia foi ocasionada pelo encontro do ar quente e úmido da Amazônia com frentes frias vindas do sul, criando uma tempestade perfeita. Esses dois fenômenos foram causas do “El Niño”, que alavanca o aquecimento das águas do oceano Pacífico.
A intensificação desses fenômenos de grande escala também possui causas antrópicas, como o descaso de governança dos locais atingidos, o que ocasiona na emissão de gases poluentes na atmosfera, extrema exploração dos recursos naturais e falta de infraestrutura e modos de prevenção nas cidades.
Em termos ambientais, o desequilíbrio causado pelas enchentes é percebido em relação à tamanha perda da biodiversidade do Rio Grande do Sul.
O futuro
As enchentes nos deixam uma lição: é urgente repensar a forma como lidamos com o meio ambiente e com o planejamento urbano.
Um ano depois da tragédia, muitas famílias gaúchas ainda tentam se restabilizar em relação ao abrigo, à questão financeira e às dívidas deixadas pela água. A recuperação total do estado ainda está longe de ser atingida. Rodovias, casas e comércios precisam ser reconstruídos, e a saúde psicológica das vítimas, também.
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O artigo acima foi editado por Júlia Salvi.
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