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Correspondentes de guerra: a saúde mental dos jornalistas

Leticia Carmo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Um correspondente de guerra é um jornalista que atua em áreas de conflito, relatando acontecimentos em tempo real para veículos de comunicação do mundo inteiro. Seu trabalho é essencial para manter a população informada sobre crises humanitárias, avanços militares e as condições das pessoas afetadas pelos combates.

Os correspondentes precisam coletar informações diretamente do local do conflito, muitas vezes, testemunhando cenas de destruição, sofrimento e morte. Isso inclui acompanhar a rotina dos soldados, relatar as condições da população civil e enfrentar situações de extremo perigo, como bombardeios, ataques e emboscadas. A exposição constante à violência e incerteza pode ter consequências graves para a saúde mental desses profissionais.

O impacto emocional e psicológico 

A rotina de um correspondente de guerra é repleta de tensão e medo. A possibilidade de morrer a qualquer momento é uma realidade constante, o que gera um nível elevado de estresse e ansiedade. Muitos jornalistas desenvolvem transtornos psicológicos, como transtorno de estresse pós-traumático, depressão e síndrome de ansiedade, devido às experiências vividas.

O isolamento é outro fator que impacta significativamente a saúde mental dos correspondentes. Frequentemente, esses jornalistas são enviados sozinhos para zonas de guerra, sem contatos prévios ou apoio próximo, fazendo com que precisem lidar com a hostilidade do ambiente e a solidão. Mesmo quando trabalham ao lado de repórteres estrangeiros, a ausência de vínculos afetivos estabelecidos pode intensificar a sensação de vulnerabilidade.

Ver amigos e colegas de profissão morrendo é uma das experiências mais traumáticas para os correspondentes. Além de lidarem com a própria sobrevivência, eles também são forçados a processar a dor de perder pessoas próximas. Esse tipo de trauma pode levar a crises emocionais severas, muitas vezes dificultando o retorno à vida normal após a missão.

A psicóloga Amanda Caprarola explica: “O perigo deixa de ser algo pontual e passa a ser uma presença constante, mesmo quando ela já saiu da zona de conflito. É como se a guerra nunca terminasse dentro dela. Isso pode gerar um estado de hipervigilância, onde qualquer barulho repentino causa sobressalto, ou o extremo oposto – um desligamento emocional, como se nada mais tivesse importância. Além disso, há um peso moral: muitos se perguntam se poderiam ter feito mais, se foram insensíveis ao sofrimento que presenciaram, se de alguma forma se tornaram indiferentes. Essa culpa pode ser esmagadora e, muitas vezes, se transforma em depressão ou em um desejo de se isolar. O impacto não termina quando o trabalho acaba – ele continua presente nos pensamentos, nos relacionamentos e até na forma como a pessoa se enxerga no mundo.”

A necessidade de apoio psicológico

Diante dos riscos psicológicos enfrentados pelos correspondentes de guerra, algumas organizações jornalísticas começaram a oferecer suporte psicológico para esses profissionais. Terapia, treinamentos para lidar com o trauma e acompanhamento pós-missão são algumas das medidas adotadas para minimizar os impactos mentais dessa profissão.

Caprarola destaca a importância de medidas individuais para o cuidado da saúde mental dos jornalistas: “O primeiro passo é reconhecer que o impacto psicológico existe e que ninguém sai ileso de experiências tão intensas. Criar pequenas rotinas que trazem um senso de normalidade, como escrever um diário, ouvir músicas familiares ou manter contato com pessoas queridas, pode ajudar a não se perder no caos. Outro ponto importante é permitir-se sentir: chorar, falar sobre o que viveu, encontrar espaços para elaborar a dor. E, acima de tudo, lembrar que se proteger emocionalmente não significa ser indiferente, mas encontrar um jeito de seguir sem carregar tudo sozinho.”

No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que todos os jornalistas que atuam em zonas de conflito recebam o suporte necessário. O reconhecimento da importância da saúde mental e a ampliação de iniciativas para apoiar esses profissionais são essenciais para preservar tanto a integridade física quanto psicológica de quem arrisca a vida para manter o mundo informado.

Treinamento e suporte emocional para jornalistas

Existem treinamentos especializados e profissionais qualificados que oferecem orientação e suporte emocional para jornalistas que trabalham em zonas de conflito ou lidam com situações de morte e violência. Alguns recursos incluem:

  • Apoio psicológico especializado: Psicólogos e terapeutas especializados em trauma podem fornecer apoio emocional e estratégias de enfrentamento para ajudar os jornalistas a lidarem com o estresse, a ansiedade e o impacto emocional de seu trabalho.
  • Programas de resiliência emocional: Alguns grupos e instituições desenvolveram programas e recursos para ajudar os jornalistas a fortalecerem sua resiliência emocional, melhorar suas habilidades de enfrentamento e aprender a cuidar de si mesmos.
  • Redes de apoio de coleguismo: Estabelecer conexões com outros jornalistas que dividem experiências semelhantes pode ser uma fonte valiosa de apoio emocional e compartilhamento de estratégias de autocuidado.

A neuropsicopedagoga Roberta Zunega destaca que: “O preparo emocional é tão essencial quanto o preparo técnico. Muitos jornalistas entram em zonas de conflito sem ter noção do impacto psicológico que isso pode causar. Além de treinar a mente para situações extremas, é importante reconhecer quando buscar ajuda e não se sentir culpado por isso.”

É fundamental que os jornalistas reconheçam a importância de cuidar de sua saúde mental e emocional e busquem ajuda profissional sempre que necessário. 

Trabalhar em ambientes de guerra e violência pode gerar traumas secundários e desafios emocionais significativos, por isso é essencial contar com apoio e recursos adequados para proteger sua saúde e bem-estar.

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O artigo acima foi editado por Duda Kabzas.

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Leticia Carmo

Casper Libero '28

A journalism student exploring how culture and entertainment connect us