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Mental Health

Entenda O Bloqueio Emocional E O Medo De Expressar Sentimentos

The opinions expressed in this article are the writer’s own and do not reflect the views of Her Campus.

A pandemia do coronavírus trouxe à tona diversos debates sobre a nossa saúde. Não somente no que diz respeito às doenças físicas, mas também às condições relacionadas, como a nossa saúde mental. Por causa da covid-19, houve um aumento de 25% da prevalência global de ansiedade e depressão em 2020, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Uma boa saúde mental é indispensável para uma vida satisfatória. Nos últimos anos têm crescido as procuras por ajuda psicológica e isso se mostrou ainda mais expressivo com a pandemia. No entanto, uma condição que tem sido pouco discutida é o bloqueio emocional, que não é considerado propriamente um transtorno, mas pode trazer muitos problemas.

O que é bloqueio emocional? 

O bloqueio emocional é um mecanismo de defesa do nosso inconsciente, o qual procura nos proteger de situações que podem nos trazer sofrimento. Isso acontece principalmente por causa de traumas ou acontecimentos que nos afetaram no passado e que não conseguimos superar.

A experiência de uma jovem

Foi o que aconteceu com a Gabrielle Fernandes, 20, estudante de jornalismo. Ela desenvolveu um forte apego emocional com uma pessoa por anos e acabou se machucando. A garota acredita que esse pode ter sido o motivo para ter desenvolvido uma barreira que a impede de se relacionar com outras pessoas. Hoje em dia, ela diz que sente muito medo.

“Eu comecei a perceber que eu tinha bloqueio a partir do momento que eu tentava me aproximar de outras pessoas, a conhecer e me aprofundar nos sentimentos. Logo me dava um estalo mental. ‘Não, não é isso que eu quero. Não, não quero me machucar de novo’”, relata Fernandes.

O grande problema é que isso é recorrente. Sempre que Gabrielle começa a conhecer alguém e percebe que está se apegando, ou não tem o controle da situação, ela foge. “Eu fujo, eu faço isso direto. O que passa na minha cabeça: ‘enjoei’. E aí eu fujo. Esse ciclo se repete constantemente. Sempre que eu acabo conhecendo alguém acontece isso, aí eu fujo. Depois conheço outra pessoa, eu fujo, e assim vai indo.”

A perspectiva profissional

Para a psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos, o bloqueio emocional surge com um evento, em algum momento da nossa vida, que nos machuca. Nós bloqueamos essa emoção, porque ela nos faz mal, e isso vai acontecer toda vez que acontecer uma situação que nos lembre dessa sensação.

“Algum trauma que você teve lá atrás, você bloqueia, porque te faz tão mal, te machuca tanto, dói tanto olhar para aquilo que você nega. Você apaga e leva para o inconsciente aquela dor toda e fica bloqueado. É bastante complicado lidar com isso, porque você está guardando coisas que são difíceis de lidar”, disse a psicóloga.

Essa repressão dos nossos sentimentos pode ser bastante perigosa. É possível que esse sofrimento mental acabe gerando doenças psicossomáticas, se não for trabalhado. “Você pode ter dificuldade de se relacionar com pessoas. Alguma lembrança pode vir à tona, você reage de forma inadequada em algumas situações. Você pode ser uma pessoa mais fechada e não conseguir se expressar muito.”

Essa condição pode ser comum para pessoas que têm baixa autoestima, que foram maltratadas na infância, agredidas de alguma forma, foram rejeitadas por alguém importante, entre outras situações. Não é um único evento que provoca o bloqueio emocional. “Depende de como cada um lida com a sua vida. Com os seus problemas. Depende do desenvolvimento emocional de cada pessoa e como ela vai lidar com isso”.

Segundo a psicóloga, não existe um perfil específico que tenha maiores chances de desenvolver o bloqueio emocional. “Vai depender da história da pessoa, dos traumas que ela teve, de como ela foi tratada pelos pais, em especial na infância e desde a infância. Se ela foi agredida, violentada. Se ela foi acolhida geralmente não tem um bloqueio, mas se ela passou por traumas, situações violentas que foram muito difíceis de lidar, ela tem chances de bloquear e não olhar para isso”.

Para quem acredita ter bloqueio emocional, ela recomenda terapia. Com a ajuda de um terapeuta, a pessoa vai poder encarar as situações da vida e expressar as emoções. “Cada linha terapêutica vai ter uma abordagem diferente. Tem que olhar para aquilo, olhar pro fato que machucou e dar um jeito de ir chegando naquele fato. Olhar pra ele e liberar aquela energia bloqueada para não continuar sofrendo”.

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O artigo acima foi editado por Daniela Soares.

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Sabrina Carmo

Casper Libero '22

Journalism student at Casper Libero College. Likes to draw, read and sleep.
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