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V Semana de Mulher e Mídia: Comunicadoras – Mulheres e Projetos Empreendedores

No mês da mulher, a Frente Feminista Casperiana Lisandra organizou a V Semana de Mulher e Mídia com apoio da Coordenadoria de Cultura Geral da Faculdade Cásper Líbero. Mulheres de diferentes áreas da comunicação apresentaram seus projetos e debateram a representatividade feminina na esfera do empreendedorismo na mesa de abertura, “Comunicadoras: mulheres e projetos empreendedores”, realizada em 5 de março.

 

Debate entre mulheres empreendedoras aconteceu no Teatro Cásper Líbero (Foto: Divulgação/Faculdade Cásper Líbero)

Mediada por Évorah Cardoso, professora de Ética e Legislação dos cursos de Publicidade e Propaganda e Rádio, TV e Internet, a mesa reuniu Ana Carolina Martins, Maria Clara Magalhães e Monique Ramos, idealizadoras do coletivo e do documentário ‘Visionários da Quebrada’, além de Ana Coli, sócia-fundadora da Saiba +, consultoria de experiência do usuário que aprimora a usabilidade de interfaces digitais.

 

Formada em Jornalismo pela Unesp, Ana Coli falou sobre a importância das mulheres que atuam na área. “As mulheres têm um papel muito importante na inserção e na disseminação da profissão. Tanto em campo como repórteres quanto sendo professoras na academia”.

 

Sua carreira, entretanto, acabou seguindo outros rumos. A jornalista passou a trabalhar com tecnologia e user experience (UX). “Quando eu fiz faculdade, lidar com experiência do usuário não era comum no Brasil. Me formei na ‘bolha da internet’ e produzia conteúdo digital em agências. Um dia, minha chefe me pediu para desenhar uma interface digital. Gostei da experiência e resolvi migrar para esse nicho de atuação. Na Saiba +, me conectei ao jornalismo novamente porque passei a ouvir o usuário e fazer entrevistas”.

 

A sócia-fundadora também contou o que faz a Saiba + na prática. “A consultoria desenvolve e aprimora interfaces digitais, tornando-as mais acessíveis e simples de serem usadas. Nosso trabalho inclui pesquisa de tendência e público alvo, design thinking, arquitetura da informação, protótipo navegável e layout. Também fazemos auditoria e avaliação da usabilidade de projetos que grandes empresas e startups desenharam”.

 

Segunda ela, empreender demanda preparo. “Tem coisas na sua carreira que não são muito programadas. Eu nunca imaginei que eu fosse ter uma empresa. Aliás, eu tenho uma formação bem falha nesse aspecto e sofri bastante até conseguir entender como se administra uma empresa. Mas a gente precisa aproveitar as oportunidades que aparecem. Como o mercado estava muito aquecido e eu me identifiquei com a área, eu fui atrás”.

 

Apesar da maioria ainda ser homem, a empreendedora afirma que a participação feminina na área de user experience tem crescido. “Há três anos, a Saiba + faz uma pesquisa no mercado para identificar quem atua na área. Em 2018, 60% são homens e 40% são mulheres. Talvez porque UX tem relação com TI e programação, áreas que historicamente tem muitos homens. Eu mesma já participei de inúmeras reuniões que eu era a única mulher presente. Ao mesmo tempo, com a valorização da profissão, muitas mulheres estão migrando para o setor”.

 

Na Saiba +, Ana Coli valoriza a diversidade ao contratar funcionários. “Para mim, ter mulheres na equipe é algo natural e faz parte dos princípios de ter uma empresa. Eu fico muito feliz quando contrato mulheres competentes, assim como negros da periferia, gays, lésbicas e eles se sentem à vontade no ambiente de trabalho. É uma empresa assim que eu quero ter. Um ambiente criativo e inovador tem que ser diverso”.

 

No quesito desigualdade salarial entre homens e mulheres de UX, Ana completa: “Percebemos na nossa pesquisa que tem uma curva quando chega nos R$7 mil por mês. Os homens ultrapassam as mulheres e esse padrão se mantém até para quem recebe mais de R$20 mil. Mas dependendo da área isso é mais equilibrado. O mesmo vale para cargos de liderança. Hoje em dia, várias empresas já têm políticas igualitárias”.

 

Entretanto, Ana enfatiza que as mulheres ainda recebem um tratamento diferente no mercado de trabalho. “Outro dia, minha amiga fez um post no Facebook perguntando ‘Quais foram as piores perguntas que te fizeram em uma entrevista de emprego?’. Nos comentários, uma das respostas dos homens foi o signo. Enquanto as mulheres tiveram que responder quando foi a última menstruação, se tomam anticoncepcional e se pretendem ter filhos. Infelizmente a questão da maternidade ainda é levantada pela maioria das empresas. Mas já existem outras como a Saiba + que respeitam as escolhas das funcionárias. Afinal não dá para discutir o feminismo sem citar a maternidade. Eu e a minha sócia somos mãe, temos funcionários que têm filhos pequenos e os apoiamos quando eles precisam se ausentar”.

 

Sobre o futuro do jornalismo, a empreendedora ressalta aos estudantes: “O jornalismo vive uma grande crise, mas, ao mesmo tempo, oferece oportunidades. As coisas mais interessantes que eu vejo hoje são iniciativas como a Ponte Jornalismo e a Agência Pública. É difícil ganhar dinheiro e viabilizar isso tudo. Mas é preciso olhar para o empreendedorismo porque ninguém mais quer consumir o modelo empregado pela mídia tradicional”.

 

 

O futuro talvez esteja no audiovisual e em iniciativas de empreendedorismo social como o documentário ‘Visionários da Quebrada’. “O longa metragem vai mostrar dez visionários que são agentes de transformação em periferias de São Paulo”, explica Ana Carolina Martins, uma das idealizadoras do projeto que formou um coletivo com o mesmo nome.

 

A partir de suas vivências no Capão Redondo, Ana Carolina Martins acredita que a transformação social acontece em rede. “A gente não quer salvar o mundo. Sabemos o tamanho da ferramenta que temos em mãos e que apenas a união de vários esforços gera transformação social. O que estamos tentando fazer é documentar o que a gente vê nas periferias e criar um primeiro imaginário dessas possibilidades. Ao mesmo tempo, a grande ideia do projeto é que ele seja uma ferramenta para o debate. Acho que isso é até mais interessante do que o resultado do filme”.

 

Para ela, projetos audiovisuais precisam interagir com o meio para transmitir veracidade. “O Visionários da Quebrada faz parte da nossa história e trajetória. A gente se apropria de algo que é genuíno e por isso transmite verdade. Porém, a maioria das pesquisas que retrata a periferia tende a olhar de fora. Independente da sua posição social, é preciso ser visionário e se meter onde não é chamado. Estudar o ambiente e desenvolver uma metodologia para colher e transmitir informações de forma fiel e honesta. Após esse processo, é importante saber como os atores sociais podem aproveitar o conteúdo“.

 

Ana Carolina Martins também contou como foi a experiência de empreender com o ‘Visionários da Quebrada’. “O projeto começou pequeno. Não era o nosso projeto de vida, não tinha a pretensão de ser um negócio, era apenas um incômodo que nos instigava a construir algo. Até porque formamos um coletivo de seis pessoas e a maioria tem jornada dupla. Trabalha para sobreviver e faz o documentário nos finais de semana e feriados. Quando nos inscrevemos no edital da Fundação Arymax, fomos contempladas com o valor de R$10 mil e fizemos toda a produção do documentário. Conforme fomos fazemos, percebemos que o documentário demandaria muito tempo e aí começamos a entender o que esse projeto poderia resultar”.

 

Para terminar o documentário, o coletivo fez um financiamento coletivo na plataforma Catarse e conseguiu arrecadar mais de R$38 mil. “Isso garantiu que pelo menos as cinco pré-estreias sejam uma experiência cinematográfica bacana. Quando terminar a projeção, vai ser um grande momento do filme porque não vai ter o logo de nenhuma empresa que patrocinou. Mas vai aparecer o nome de 437 pessoas que assistiram o teaser, se emocionaram e contribuíram para o filme ser real. Isso é muito poderoso, é uma construção coletiva de pessoas que apoiaram uma ideia. Aí está a importância de ter redes não apenas utilitárias, mas também afetivas, em que se constrói um vínculo e uma relação de ajuda mútua. É isso que faz diferença quando você lança um projeto”, enfatiza Ana Carolina.

 

A distribuição é fundamental para o sucesso de um filme e essa é uma das maiores preocupações do coletivo. “Temos pensado muito em como vamos distribuir o filme porque o grande objetivo é que as pessoas possam se ver reconhecidas na tela de cinema e se inspirar. A gente precisa garantir o acesso porque o meio de distribuição do cinema no Brasil é super fechado. Então temos trabalhado muito em rede. Conhecemos pessoas das cinco regiões de São Paulo e isso vai nos ajudar a contar com outras comunidades e coletivos”, conta Ana Carolina.

 

Sobre a participação feminina no audiovisual, Maria Clara Magalhães, produtora do ‘Visionários da Quebrada’, comenta: “A faculdade de cinema e audiovisual tem muitas mulheres. Mas como editora no mercado, percebo que ainda somos minoria. Acredito que com a articulação das mulheres isso tende a mudar no futuro. Já estamos nos manifestado mais, ajudado umas às outras e formado coletivos. Convidamos as outras para participar de nossos trabalhos, principalmente em funções técnicas e curtas metragens. Hoje quando alguém me pede indicação para uma função, eu procuro indicar uma mulher antes de pensar em um homem porque quero incentivar que nós conquistemos nosso espaço no mercado”.

 

Ana Coli encerra a mesa completando a fala de Maria Clara: “Essa mudança exige um esforço inicial mas acho que com o tempo, a tendência é que isso seja natural. Lembro que há algum tempo quando precisava de um palestrante para um evento tinha que fazer um esforço para convidar uma mulher porque a maioria era homem. Hoje essa seleção é mais equilibrada e se baseia na qualidade do profissional independente do gênero”.

 

 

Integrantes da mesa com membros da Frente Casperiana Lisandra (Foto: Mariane Reghin)

Mariane Reghin

Casper Libero '20

Mariane is a 22 year old from Sao Paulo, Brazil, who studies Radio, TV and Internet at Casper Libero University. She's already graduated in Journalism in the same institution. She loves to travel, photograph food and listen pop music.
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