Her Campus Logo Her Campus Logo
Casper Libero | Culture > Entertainment

Tremembé: a série dos casos criminais que chocaram o Brasil

Eloá Costa Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

No último dia 31 de Outubro, o streaming recebeu a mais nova produção audiovisual de true crime nacional: a série Tremembé, veiculada no Prime Vídeo, retrata a vida carcerária de criminosos nacionalmente conhecidos, condenados por crimes extremamente repercutidos na mídia de forma atemporal. A série tem o roteiro assinado por grandes nomes, dentre eles o principal: Ullisses Campbell, jornalista reconhecido pelas suas obras biográficas e colunas sobre crimes nacionais, como a trilogia Mulheres Assassinas, que conta a história de duas mulheres também representadas na série Tremembé, Suzane Von Richthofen e Elize Matsunaga.

O roteiro leva como base dois livros da trilogia de Campbell, assim como considera a obra Tremembé, o presídio dos famosos, do mesmo autor, além de basear-se nos autos dos respectivos processos. 

Tremembé obteve sucesso de audiência, sendo a melhor estréia da plataforma Prime Video Brasil e do streaming nacional para uma produção original. 

O enredo e produção de Tremembé

A produção conta com grandes nomes da atuação brasileira, como Marina Ruy Barbosa, Felipe Simas, Kelner Macêdo, Anselmo Vasconcelos e mais. Os artistas contam que o processo de construção das personagens foi delicado, por se tratar de casos de crimes reais e amplamente conhecidos, além de, muitas vezes, não terem informações suficientes da vida pessoal de cada uma das personagens, ou não terem conhecimento pleno dos casos. 

@omelete

Ainda temos coisas para descobrir sobre crimes tão conhecidos? 🤔 O elenco de #Tremembé respondeu o que mais os surpreendeu sobre seus personagens ao gravar a série.

♬ som original – Omelete

A atuação de cada artista na série é de alto desempenho, tendo em vista o compromisso selado por cada artista com a cautela em expor e representar casos de criminosos não ficcionais. Além disso, a escolha de elenco é fiel ao perfil proposto, com caracterização profissional, que aproxima ainda mais o público, além de impressionar pela similaridade.

Entre as personagens relembradas está o jornalista e ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Acir Filló, condenado por corrupção. A série revela que, durante sua passagem pelo cárcere, Acir usa de seu ofício jornalístico para coletar depoimentos dos detentos sobre suas condenações, colecionando mais de 200 histórias detalhadas sobre os crimes que mais chocaram o país, e, ainda dentro da prisão, publica um livro polêmico de relatos intitulado Diário de Tremembé – O Presídio dos famosos. Pouco após sua publicação, o livro foi proibido pela justiça, a pedido do Ministério Público de São Paulo, com a justificativa de que o livro violava os direitos de imagem e privacidade dos detentos retratados, assim como também causava intenso debate dentro do presídio. O roteirista Ullisses Campbell teve acesso ao livro, e também fez uso do material para a construção do roteiro da série.

O enredo usa não só os fatos apresentados nos livros, mas também elementos de ficção, dando um toque sutil de leveza ao retratar histórias tão fortes. Nesse caso, esses elementos cativam e aproximam ao público, e, ao depender do caso, facilitam a compreensão da história real. Apesar do uso da ficcionalidade, nenhum elemento fantasioso compromete o caráter real de cada história, visto que, ao retratar casos como o de Von Richthofen, Matsunaga, Nardoni e outros, os processos jurídicos reais são levados como base. 

Para além das histórias detalhadas de cada crime, a série explora os bastidores da vida carcerária, num cenário em que os indivíduos condenados compartilham o mesmo espaço de convivência, num modelo regime semiaberto proporcionado ainda dentro do presídio, fato verídico e fiel à realidade. Nesse caso, episódios como o triângulo amoroso entre Suzane Von Richthofen, Elize Matsunaga e Sandrão, o primeiro casamento de Daniel Cravinhos durante o período penal e o romance de Cristian Cravinhos com um detento, são fatos reais expostos na produção.

Não distante dos elementos ficcionais de narrativa, a trilha sonora e a imagem da produção são pontos de maestria da obra audiovisual. A escolha das músicas proporciona um “quebra-gelo”, que tira a tensão do público, ao mesmo tempo que capta atenção ao contrastar com a veracidade do enredo. A produção de imagem aproxima o público de aspectos e características cruciais de cada personagem, desde as mais marcantes até as mais despercebidas, fazendo com que, para além do entretenimento, o público não se esqueça que cada episódio reproduz histórias reais.

Sucesso e controvérsias

O mais novo grande sucesso da Prime Vídeo se popularizou não só em território nacional, mas também por toda américa lática e além. Os casos relatados tomaram proporções inimagináveis em suas respectivas épocas, e com o lançamento de Tremembé, o presídio se tornou alvo de atenção internacional, assim como seus detentos. Logo na primeira semana, a produção ocupou o primeiro lugar em audiência no Brasil e em diversos países, atraindo os mais diversos públicos.

Tremembé está longe de ser reconhecido somente como título de uma série, pois a produção aborda a história de uma localidade real, casa de casos criminais de diversos cunhos, e abrigo de alta segurança para milhares de pessoas ao longo dos anos. Tremembé é a realidade explicitada em ficção, e faz sucesso em decorrência do curioso interesse do público pelo mórbido e pelas tragédias que acontecem no país. A aproximação geográfica e humana desses cenários fazem com que o audiovisual seja a porta para redescobrir realidades paralelas ao cotidiano comum, mas que estão mais próximas do que o imaginado, assim despertando a curiosidade pela riqueza de detalhes de cada aspecto do caso, desde a história por trás de cada ação, as condenações, e a inserção carcerária, assim como a ressocialização e progressão de pena de cada detento, aspecto midiaticamente despertado em força pelo lançamento da série.

Alguns dos ex-detentos que cumprem regime em liberdade, ou que até mesmo já cessaram suas penas, manifestaram-se por meio das redes sociais, como é o caso de Cristian Cravinhos, condenado pelo assassinado do casal Von Richthofen. Cristian alegou que o conteúdo da série é “mentiroso, e é tudo pelo ibope”. Em contrapartida, o ex-detento representado como caso amoroso de Cristian na série, também se manifestou, mas se opôs às alegações públicas de Cravinhos. O ex-detento Acir Filló manifestou-se a favor da retratação, alegando ter “se emocionado” ao ver sua história representada, ainda que num cenário controverso e vulnerável. Famílias de vítimas e detentos também se posicionaram a respeito da produção, divergindo opiniões sobre o caráter e objetivo do seriado.

A produção revive histórias marcadas na trajetória popular da mídia e justiça brasileira, provoca reflexões e traz novas descobertas, além de despertar o debate em torno de diversos temas. O sucesso é justificado com o profissionalismo e atenção em cada aspecto da produção, e independentemente das controvérsias, o público aguarda ansiosamente pela renovação da mais famosa produção atual em streaming.

_________________

O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann.

Gostou desse tipo de conteúdo? Confira Her Campus Cásper Líbero para mais!

Eloá Costa

Casper Libero '28

My name is Eloá, better known as Lola, I'm 18 years old and my biggest interests are journalism, art (most teather), music, politics and culture in general. I'm a journalism student at Cásper Líbero and a Stage Actress.