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“Saneamento Básico, o Filme” e mais: como funciona o processo de restauração no cinema

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Sofia Paiva Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

No dia 29 de maio, Saneamento Básico, o Filme, de 2007, voltou às telas de cinema de todo o país. Dirigido por Jorge Furtado e estrelado por Fernanda Torres e Wagner Moura, a produção voltou a conquistar o público pelos memes e edits surgidos no TikTok, além de claro, a recente aclamação da dupla principal internacionalmente

A grande responsável pelo retorno do longa às telonas é a Sessão Vitrine Petrobras, um projeto voltado para a distribuição de filmes brasileiro em salas de cinema comerciais. A iniciativa também trabalha com a restauração de filmes, tanto históricos como atuais, como é o caso de Saneamento Básico e de Ilha das Flores (1989), curta do mesmo diretor que acompanha as exibições da comédia. 

O processo de curadoria dos filmes escolhidos pelo projeto envolve uma análise de qual produção é a mais coerente ao período de exibição, além de um minucioso processo para garantir a melhor qualidade de imagem e som. A preservadora audiovisual e curadora da Sessão Vitrine Petrobras, Débora Butruce, afirmou que o processo é complexo, mas possível de esclarecer.

O processo da restauração

A restauração funciona assim: quando um filme foi produzido em película, o primeiro passo é pesquisar quais versões existem e adquiri-las com seus responsáveis. Em seguida, é feito o escaneamento do filme, em geral em 4K, para o ambiente digital, onde é possível enxergar os danos gerados pela trajetória ruim de conservação do material, como riscos, pontos de sujeira fotografados, fungos e abaulamentos. Finalmente, softwares específicos trabalham rigorosamente para revertê-los ou minimizá-los.

Saneamento Básico seguiu padrões de restauração um pouco diferentes, já que ele passou pelo processo de “intermediação digital”, ou seja, foi filmado em película, pós-produzido digitalmente e exibido em película. Nesse caso, a matriz digital foi escolhida, alterando algumas etapas do processo. 

O principal objetivo da restauração é se aproximar do que a obra era originalmente. Débora Butruce reforça que, apesar das alterações necessárias para que o filme se enquadre nos moldes tecnológicos atuais, manter a essência da obra com toda a sua potencialidade “é bonito, é generoso”, até porque “você está apresentando o passado e oferecendo uma nova possibilidade de encontro”.

A valorização do cinema nacional

Para Débora, incluir versões restauradas de filmes brasileiros no meio digital, ou seja, no streaming, é uma maneira de apresentar o cinema nacional para novas gerações: “investir na restauração de filmes nacionais por essas plataformas permitiria que a cinematografia brasileira existente neles fosse ampliada, considerando que, com o restauro, eles podem ser exibidos nelas em sua melhor versão possível”.

Já a escolha dos filmes que serão restaurados depende de quem está empreendendo o projeto, como explica a restauradora: “uma Cinemateca e a Sessão Vitrine podem ter escolhas diferentes, por exemplo. Os elementos que pesam na balança, no geral, são a finalidade do projeto, o contexto, qual tipo de apelo esse filme pode ter atualmente nas plateias”

“A escolha das obras do Jorge Furtado foram influenciadas pelo fato de Ilha das Flores estar presente no imaginário das pessoas, além de quase não ter sido consumido no cinema pela geração atual, enquanto Saneamento Básico representa o amadurecimento do diretor”, destaca Débora. 

Pensando em estimular o público a visitar o cinema, a preservadora afirma: “a sala de cinema é um lugar de encontro, um lugar de fruição coletiva. Passamos por um processo traumático de não poder sair de casa, não poder socializar, então, temos a dimensão de o quanto isso é importante. Para quem nunca viu, será uma oportunidade única de desfrutar dessas duas obras do Jorge Furtado. E, para quem já assistiu, assistir essas obras no cinema, em comunidade, é uma bela oportunidade”.

Por fim, Débora Butruce indica uma perspectiva promissora com relação à presença da restauração de filmes no Brasil: “esse tipo de atividade está em evidência e o amadurecimento do setor como um todo é perceptível. Conseguimos fazer isso no Brasil, em laboratórios brasileiros, com o conhecimento de profissionais brasileiros, isso é muito enriquecedor. E o melhor é ver que o público tem correspondido, tem ido às salas de cinema assistir esses filmes. Tudo isso é muito gratificante”.

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O artigo acima foi editado por Julia Pujar.

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Sofia Paiva

Casper Libero '28

– Viveu em quatro das cinco regiões do Brasil, sendo elas: Sudeste (Apiaí, Valinhos e São Paulo – SP, além de Pedro Leopoldo – MG); Centro-Oeste (Bodoquena -MS); Sul (Curitiba – PR) e Norte (Belém – PA);

– Estuda na Faculdade Cásper Líbero.