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Resenha: Peaky Blinders – O Homem Imortal

Nicolle Rodrigues Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Encerramento de uma das séries mais aclamadas da última década, Peaky Blinders: O Homem Imortal mergulha profundamente na mente de Tommy Shelby (Cillian Murphy), trazendo uma narrativa intensa, sombria e emocionalmente carregada. Ambientado em 1940, a obra segue os reflexos e as consequências da Segunda Guerra Mundial na Inglaterra e, especialmente, em Birmingham.

Atenção: Este texto contém spoilers de Peaky Blinders: O Homem Imortal

Logo no início do filme somos apresentados a um Tommy Shelby emocionalmente abalado, lidando com o peso da morte de sua filha, Ruby (Heaven-Leigh Clee), e de seu irmão mais velho, Arthur (Paul Anderson). Esses acontecimentos não apenas marcam sua trajetória, mas também despertam antigos traumas de guerra e feridas dolorosas que ele nunca conseguiu superar. Ao longo das primeiras cenas, fica evidente que Tommy é assombrado por fantasmas do passado, os quais “aparecem” como presenças constantes que refletem sua culpa, luto e escolhas.


Paralelamente, surge o conflito envolvendo Duke (Barry Keoghan), filho de Tommy com a cigana Zelda, o qual chegou tarde em sua vida e, agora, se colocou como líder dos Peaky Blinders. Duke está prestes a estabelecer um acordo com um nazista, extremamente vantajoso para si, mas que fere diretamente os princípios e valores da família Shelby. Diante disso, Tommy se vê novamente obrigado a agir, não apenas para proteger o futuro de seu filho, mas para ensiná-lo o verdadeiro significado de lealdade e honra.


Um dos pontos mais marcantes do filme é a forma como o peso do passado é retratado. Tommy não é apenas um líder calculista, mas um homem profundamente ferido que carrega cicatrizes de suas próprias escolhas. A revelação de que ele matou o próprio irmão adiciona uma camada ainda mais intensa à narrativa, mostrando um personagem dividido entre culpa e redenção. A cena em que ele confessa esse ato diante do corpo da irmã, Ada (Sophie Rundle) é, sem dúvida, uma das mais impactantes do filme.


Do ponto de vista técnico, o filme se destaca de maneira magistral. A cinematografia é extremamente bem trabalhada, mantendo a estética sombria e estilizada da série que reforça o clima melancólico e tenso da história. Os enquadramentos são muito bem pensados, ao levar em consideração que muitas vezes vemos Tommy isolado em cena, o que simboliza sua solidão e conflito interno.


A família é um dos temas mais importantes da obra. A ideia de pertencimento, confiança e lealdade aparece como um dos poucos pontos de estabilidade na vida de Tommy. Mesmo em meio ao caos, é a família que ainda representa uma chance de libertação e de sentido para encontrar sua paz.


Por outro lado, o filme pode apresentar alguns pontos negativos. Em certos momentos, o ritmo se torna um pouco lento, especialmente no início e durante cenas mais contemplativas. Além disso, a complexidade emocional e os acontecimentos do passado podem gerar certa confusão para quem não está totalmente familiarizado com a história anterior dos personagens.


Ainda assim, Peaky Blinders: O Homem Imortal é uma obra forte, densa e marcante, que vai além de uma simples narrativa de uma gangue cigana de Birmingham. É uma obra sobre dor, culpa, família e redenção.
No fim, o filme nos deixa com uma reflexão poderosa: mesmo das piores ações, ainda pode surgir algo de valor.


“From this bad will come some good”

Tommy Shelby

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O artigo acima foi editado por Olivia Nogueira.

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