Encerramento de uma das séries mais aclamadas da última década, Peaky Blinders: O Homem Imortal mergulha profundamente na mente de Tommy Shelby (Cillian Murphy), trazendo uma narrativa intensa, sombria e emocionalmente carregada. Ambientado em 1940, a obra segue os reflexos e as consequências da Segunda Guerra Mundial na Inglaterra e, especialmente, em Birmingham.
Atenção: Este texto contém spoilers de Peaky Blinders: O Homem Imortal
Logo no início do filme somos apresentados a um Tommy Shelby emocionalmente abalado, lidando com o peso da morte de sua filha, Ruby (Heaven-Leigh Clee), e de seu irmão mais velho, Arthur (Paul Anderson). Esses acontecimentos não apenas marcam sua trajetória, mas também despertam antigos traumas de guerra e feridas dolorosas que ele nunca conseguiu superar. Ao longo das primeiras cenas, fica evidente que Tommy é assombrado por fantasmas do passado, os quais “aparecem” como presenças constantes que refletem sua culpa, luto e escolhas.
Paralelamente, surge o conflito envolvendo Duke (Barry Keoghan), filho de Tommy com a cigana Zelda, o qual chegou tarde em sua vida e, agora, se colocou como líder dos Peaky Blinders. Duke está prestes a estabelecer um acordo com um nazista, extremamente vantajoso para si, mas que fere diretamente os princípios e valores da família Shelby. Diante disso, Tommy se vê novamente obrigado a agir, não apenas para proteger o futuro de seu filho, mas para ensiná-lo o verdadeiro significado de lealdade e honra.
Um dos pontos mais marcantes do filme é a forma como o peso do passado é retratado. Tommy não é apenas um líder calculista, mas um homem profundamente ferido que carrega cicatrizes de suas próprias escolhas. A revelação de que ele matou o próprio irmão adiciona uma camada ainda mais intensa à narrativa, mostrando um personagem dividido entre culpa e redenção. A cena em que ele confessa esse ato diante do corpo da irmã, Ada (Sophie Rundle) é, sem dúvida, uma das mais impactantes do filme.
Do ponto de vista técnico, o filme se destaca de maneira magistral. A cinematografia é extremamente bem trabalhada, mantendo a estética sombria e estilizada da série que reforça o clima melancólico e tenso da história. Os enquadramentos são muito bem pensados, ao levar em consideração que muitas vezes vemos Tommy isolado em cena, o que simboliza sua solidão e conflito interno.
A família é um dos temas mais importantes da obra. A ideia de pertencimento, confiança e lealdade aparece como um dos poucos pontos de estabilidade na vida de Tommy. Mesmo em meio ao caos, é a família que ainda representa uma chance de libertação e de sentido para encontrar sua paz.
Por outro lado, o filme pode apresentar alguns pontos negativos. Em certos momentos, o ritmo se torna um pouco lento, especialmente no início e durante cenas mais contemplativas. Além disso, a complexidade emocional e os acontecimentos do passado podem gerar certa confusão para quem não está totalmente familiarizado com a história anterior dos personagens.
Ainda assim, Peaky Blinders: O Homem Imortal é uma obra forte, densa e marcante, que vai além de uma simples narrativa de uma gangue cigana de Birmingham. É uma obra sobre dor, culpa, família e redenção.
No fim, o filme nos deixa com uma reflexão poderosa: mesmo das piores ações, ainda pode surgir algo de valor.
Tommy Shelby
“From this bad will come some good”
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O artigo acima foi editado por Olivia Nogueira.
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