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Relançamentos no cinema são para preencher salas? Entenda a tendência

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Maria Fernanda Quitério Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Nos últimos anos, principalmente pós-pandemia, os cinemas do Brasil têm apostado cada vez mais nos relançamentos de filmes clássicos. Produções que marcaram gerações, como a saga Harry Potter, Avatar e De Volta Para o Futuro tem retornado para as telas em datas comemorativas ou para resgatar a magia de quem já teve a experiência de assisti-las, além de possibilitar de viver essa experiência no cinema para aqueles que não tiveram essa oportunidade anteriormente.

Esse fenômeno se intensificou ainda mais neste ano e questionamentos surgiram. Por que os cinemas estão apostando nisso? Realmente vale a pena reexibir esses filmes? Eles atraem um novo público ou apenas “ganham dinheiro” em cima de uma nostalgia? 

Competição com os streamings

É perceptível que o cinema está passando por uma crise. Seja pelas salas cada vez mais vazias ou pelas janelas de exibição cada vez mais curtas, é inegável que o público está perdendo o hábito de ir assistir a um filme na telona. As razões para isso são diversas: os altos preços dos ingressos, a falta de respeito dos espectadores nas salas e, claro, os streamings.   

Os serviços de assinatura revolucionaram o hábito de consumo de filmes e séries, principalmente durante a época de isolamento social. As plataformas de certa forma contribuíram para democratizar o acesso ao audiovisual e acessibilizar economicamente quando comparamos o custo-benefício de uma assinatura mensal ao de manter o hábito de ir ao cinema ou comprar DVDs. 

Porém, os streamings também se tornaram colaboradores para piorar o foco dos telespectadores e empobrecer a experiência que mergulhar em um filme nos traz, como explica a psicóloga e influenciadora cinematográfica Isabella Areal: “Os streamings facilitam e colaboram para continuarmos  dispersando nossa atenção enquanto ‘assistimos’ um filme e mexemos no celular ao mesmo tempo”.

Essas plataformas podem trazer conveniência, comodidade e um melhor custo benefício, enquanto o cinema contribui para uma imersão sensorial e exercita o convívio social.São experiências complementares, o cinema criando um espetáculo único e o streaming possibilitando da sala escura e a acessibilidade do conforto digital.

Uma tentativa de salvar o cinema?

Existem aqueles que enxergam os relançamentos como uma “tentativa de salvar o cinema”.  De fato, após a pandemia, a indústria precisou de estratégias para seduzir os espectadores de volta às salas físicas. Os relançamentos podem ser adotados como uma maneira, mas não são “salvadores” de nada. O cinema continua sendo, e talvez seja ainda mais agora, um evento cultural, e as reexibições corroboram com isso.

A influenciadora levanta uma questão: “O cinema pode ter enfraquecido, mas eu não acredito que ele algum dia vai sumir. Nada se compara com a ambientação que ele traz, além de que ele vem se reinventando de inúmeras maneiras.”

O ponto é, não estamos negando que as redes de cinema e o cinema em si não passam por dificuldades, mas limitar os relançamentos a meras estratégias  financeiras seria descredibilizar o valor artístico e até mesmo sentimental dessas produções. Além de desconsiderar outras ideias geniais de gerenciamentos de crise utilizadas por essas empresas, como as promoções de ingressos a 10 reais, de baldes de pipoca inusitados ou de caracterizações e fantasias.

Uma jogada segura

Dado o devido valor para as produções cinematográficas e a experiência que podem proporcionar a velhos e novos fãs dos filmes, os relançamentos não deixam de ser uma jogada segura. Para as redes de cinema e distribuidoras, relançar um clássico é, muitas vezes, uma estratégia de mercado muito eficiente e de baixo risco financeiro.

Um clássico do cinema, já tem um público garantido (seja pelos fandoms ou por pessoas que experienciaram na época) e custos de produção muito menores (apenas restauração e distribuição). É uma forma de preencher a programação das salas, em períodos de atrasos no lançamento de filmes, gerando bilheteria e possivelmente lucro proveniente também da venda de pipoca, refrigerante e doces.

Essa estratégia pode surgir como uma forma de reaquecer franquias, já que o relançamento também desperta o interesse do público por aquela história. É o caso de Avatar, relançado antes da chegada aos cinemas da sua continuação, ou de Toy Story, que serviu para aquecer o público para o controverso lançamento do quinto filme da franquia. 

O poder da nostalgia 

“As pessoas se movimentam pela nostalgia, o cinema pode apostar nisso”. A declaração de Isabella não é apenas uma opinião, quando olhamos a quantidade de spin-offs e continuações sendo produzidas na indústria cinematográfica, bem como o sucesso dos relançamentos.

As reexibições criam a oportunidade  para as  pessoas que assistiram a esses filmes na infância ou juventude reconectarem-se com os sentimentos e sensações da época, pela chance de reviver a experiência na tela grande, com a qualidade de som e ambientação de um cinema. Filmes que marcaram época trazem consigo a bagagem emocional do passado.

Além disso, muitas vezes fãs originais querem compartilhar essa memória com novas gerações, permitindo que elas descubram o clássico no formato de tela grande. A experiência de se sentar em uma sala com aroma de pipoca no ar, pessoas se ajeitando enquanto as luzes se apagam, o silêncio na sala intercalado com os momentos de reações gerais provocadas pelas cenas na tela 4K e o momento de reflexão pós filme enquanto descemos as escadas durante os créditos rumo a saída. Isso nunca vai ser reproduzido assistindo em casa. 

Sendo assim…

Mais do que uma simples estratégia comercial para preencher sessões, os relançamentos evidenciam como a indústria cinematográfica tem se reinventado diante das mudanças de comportamento do público. Em meio à concorrência com os streamings e à queda na frequência das salas, as redes de cinema encontraram nas reexibições uma forma de equilibrar nostalgia e negócio. Reviver clássicos já consolidados é uma aposta de baixo risco que mantém o público engajado, reforça o vínculo com as franquias e sustenta financeiramente o mercado cinematográfico que ainda busca estabilidade no pós-pandemia.

Ainda assim, limitar esse movimento a uma manobra econômica seria ignorar sua dimensão artística e simbólica. Os relançamentos reafirmam o cinema como experiência cultural e coletiva, um espaço de conexão emocional que resiste às facilidades do consumo digital. Em tempos de telas individuais e distrações constantes, o ato de voltar ao cinema para rever uma história antiga se torna, estranhamente, uma forma de redescobrir o novo e de reviver a emoção que só a sala escura é capaz de proporcionar.

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O artigo acima foi editado por Julia Pujar.

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