Her Campus Logo Her Campus Logo
Photo from the São Paulo Fashion Week N55
Photo from the São Paulo Fashion Week N55
Original photo by Ana Paula Alves
Casper Libero | Style > Fashion

Os destaques da SPFW 2026: a coleção sem estação de Herchcovitch e as tendências que dominaram a temporada

Ana Paula Teixeira da Silva Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Se encerra mais uma edição da São Paulo Fashion Week (SPFW 2026), refletindo uma virada profunda nas narrativas visuais da moda nacional. Em uma organização que se recusa cada vez mais a obedecer ao calendário comercial demarcado, a temporada idealiza o desfile não apenas como uma vitrine de peças, mas como um manifesto. Entre a provocação da atemporalidade, a cenografia imersiva e o resgate da memória afetiva, a semana de moda provou que o design brasileiro encontrou na diversidade a sua maior força.

A nova face do boho nas mãos de Herchcovitch

A abertura da temporada deu início, sob o comando de Alexandre Herchcovitch, com uma coleção que rompeu com a distinção tradicional de estações, apostando em uma utilidade versátil que ignora a dicotomia entre verão e inverno. Mas, a grande virada esteve na desconstrução de uma das maiores tendências do ano: o estilo boho. Distante da zona de conforto, Herchcovitch apresentou uma alfaiataria urbana, gótica-romântica e fetichista, onde rendas encorpadas, transparências e drapeados dramáticos deram uma pegada sensual e estruturada à estética.

Essa mesma redefinição do boho surgiu no desfile da Hisha, que revelou a tendência com uma óptica sofisticada e contemporânea. A marca trabalhou com fluidez, contrastando com cristais e pedrarias, provando que o estilo desfez com o imaginário hippie chic.

A moda como espetáculo: Forca Studio e Lilly Sarti

 A cenografia assumiu o papel de transformar a passarela em um manifesto visual. O contraponto mais intrigante da semana de moda esteve entre Forca Studio e Lilly Sarti — dois extremos que desenharam a pluralidade do espetáculo nesta edição.

A Forca Studio trouxe a crítica visual ao colocar carros integrados à passarela, criando uma atmosfera acelerada e de forte apelo ao punk. A estética automotiva e industrial serviu como cenário para uma coleção de recortes afiados, couro e a atitude transgressora, retratando o espírito de contracultura e a velocidade da metrópole. Em contraste, a Lilly Sarti apostou no luxo sutil e na elegância: ao som de um piano ao vivo na sala de desfile, a marca conduziu o público por um momento de puro intimismo. 

A identidade brasileira na passarela

Em um momento de valorização do patrimônio cultural do país, a moda brasileira olhou para a própria história com preciosismo e afeto. A exaltação dos ícones nacionais encontrou espaço nas narrativas de Dário Mittmann e Amir Slama, mostrando como a brasilidade pode fugir do caricato para ganhar contornos de alta criatividade.

Dário Mittmann comoveu ao transmitir os 60 anos da Turma da Mônica em uma coleção ultrapop, punk e clubber. O estilista incorporou os traços dos quadrinhos de Maurício de Sousa a modelagens arrojadas, provando que a cultura pop nacional possui um potencial acervo e poder de narrativa fashion. Já Amir Slama prestou uma homenagem a Carmen Miranda e retoma sua estreia na semana de moda de Nova York, resgatando o tropicalismo e a potência do beachwear brasileiro, através de estampas sofisticadas, babados dramáticos e a pele como expressão. O resultado foi uma exaltação ao legado criativo e vibrante da identidade visual brasileira.

Cristais, gravatas e óculos: as tendências de styling que dominaram a edição

Para além das grandes narrativas, a atenção minuciosa aos detalhes também se revelou na escolha das microtendências de acabamento e beleza. Através do uso de texturas, acessórios e intervenções pontuais, marcas e estilistas demonstraram como os acabamentos são capazes de transformar o tom de uma coleção.

O brilho tecnológico da Artemisi

Referência em design futurista, a marca impressiona pelo trabalho detalhista em aplicação de cristais e pedrarias. As peças ganharam contornos esculturais e tridimensionais, pensadas para o impacto visual, com muitas horas de trabalho manual e ajuda também de impressão 3D. 

As gravatas por João Pimenta

Mestre na desconstrução da alfaiataria masculina, o estilista transformou a gravata no elemento central do seu styling, multiplicando o acessório em sobreposições, amarrações e criações inéditas.

Os óculos da Sou de Algodão + Ronaldo Fraga

A marca destacou a força dos acessórios de rosto ao colocar como complemento indispensável dos looks, provando que o styling de acessórios é parte integrante da escultura do corpo na passarela.

O legado da temporada

A SPFW 2026 se encerra deixando uma lição — o design criativo brasileiro não precisa se encaixar em fórmulas internacionais ou limitações sazonais. Entre a provocação da coleção sem estação de Herchcovitch, as manifestações visuais de impacto e o resgate afetuoso da memória cultural do nosso país, a edição consagra uma moda lúdica, plural e plenamente revolucionária. 

———————————————————————————————————————————————————————————————————————

The article above was edited and translated by Ana Beatriz Carvalho Sapata.

Liked this type of content? Check Her Campus Cásper Líbero home page for more!

Meu nome é Ana Paula, estudante de jornalismo, apaixonada por cinema e moda. Desde sempre tive interesse na área da comunicação e artes, e escrever sobre esses assuntos aqui! ;)