A quantidade de veganos no Brasil vem crescendo consideravelmente nos últimos anos. Segundo a Sociedade Vegana Brasileira (SVB), 7% da população brasileira se declara vegana. Esse aumento ocorre por mudanças nas preferências dos consumidores, preocupações ambientais, questões de saúde ou a pesquisas aprofundadas sobre o tema.
O veganismo é um estilo de vida baseado em uma filosofia que busca promover práticas diárias livres de produtos de origem animal, a fim de excluir todas as formas de exploração e crueldade contra os animais — seja na alimentação, no vestuário, nos cosméticos ou em qualquer outra finalidade.
Por meio do investimento em produtos de origem vegetal ou cruelty-free por marcas renomadas como, Nestlé, Vizzela, Natura, Granado, entre outras, o número de veganos aumentou significativamente no Brasil, e os hábitos dessa comunidade começaram a ser compartilhados com maior frequência entre os brasileiros.
Conforme uma pesquisa da Euromonitor, o principal motivo pelo qual o veganismo está crescendo no país é por conta dos flexitarianos, pessoas que não são veganas nem vegetarianas, mas que reduzem ou limitam a ingestão de carne, priorizando o consumo de proteína vegetal. A pesquisa de mercado informa que as principais razões para a redução do consumo de carne incluem preocupação com a saúde, ética e, muitas vezes, o preço do alimento.
Entretanto, a abundância de animais mortos por abate permanece no mundo. Ao mesmo tempo, a quantidade de consumidores de produtos de origem animal no Ocidente contrasta com a forte campanha que incentiva o consumo de leite na China, onde esse hábito nunca foi prioritário para a população.
Segundo a SVB, o veganismo não se limita a um movimento elitista. Pelo contrário, atende a diferentes gostos e paladares, já que está presente também entre as classes C, D e E — que se diferenciam quanto aos graus de rigor na alimentação e no estilo de vida vegano. Essa pesquisa reforça a acessibilidade e a popularização dessa filosofia.
Discussões como essa transformam a ideia do veganismo em um tópico que, muitas vezes, é tratado de forma midiática, sem explorar com aprofundamento nas questões sociais e políticas mais relevantes ligadas ao tema. O neoliberalismo, por exemplo, é uma das vertentes que mais se apropria do movimento vegano, transformando-o em um nicho comercial que é explorado para fins lucrativos, o qual despolitiza seus princípios e afasta-o da crítica radical ao capitalismo e à exploração animal.
Quando sustentado pela lógica de pensamento neoliberal, o veganismo torna-se um movimento superficial, que incentiva apenas o consumo prévio de alimentos veganos, os quais, em sua maioria, podem não refletir valores éticos e sociais. Como consequência, nenhuma mudança sistêmica real acontece.
Em oposição, surge um movimento de repolitização do veganismo. A proposta é resgatar o caráter original do movimento, trazendo à tona discussões sobre impactos ambientais, desigualdade social e exploração animal. Para isso, surgem novos termos que buscam evidenciar as diferenças internas dentro do próprio movimento vegano.
Com base nessa ideia, surgiram duas vertentes dentro do veganismo: o veganismo liberal e o veganismo popular. O primeiro representa uma visão mais individualista, com focada nas escolhas pessoais, sem questionar o sistema como um todo. Já o segundo está diretamente ligado às causas sociais: seus defensores adotam a alimentação vegana como parte de uma luta maior – contra as desigualdades, em defesa do acesso à alimentação e combate a instituições que excluem grupos socialmente desfavorecidos.
Com a adesão dessas duas vertentes, o mercado vegano cresce cerca de 40% ao ano. Segundo dados publicados pela Vegan Business, os principais fatores que impulsionam o mercado de produtos de origem vegetal são a conscientização da população sobre saúde e sustentabilidade e o apoio institucional de organizações como o Sebrae e a SVB que têm promovido o investimento de empresas em produtos diversos e inovadores.
Ainda que o movimento vegano siga em expansão no Brasil, a falta de regulamentação, padronização e acessibilidade vem sendo um dos principais desafios para o coletivo, que procura manter alternativas mais saudáveis e promover, junto a seus produtos, uma mensagem consciente e sustentável aos seus clientes. Prevê-se que o mercado vegano brasileiro continue crescendo e se reinventando ano após ano.
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O artigo acima foi editado por Juliana Santos.
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