Em 14 de fevereiro, a nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes finalmente chegou aos cinemas. A data, que coincide com o dia de São Valentim, como é conhecido o dia dos namorados nos Estados Unidos e na Europa, não foi escolhida por acaso, já que o filme é divulgado como “A maior história de amor de todos os tempos”, um rótulo visto como inadequado pelos fãs da obra original.
O filme, desde seu anúncio, tem sido alvo de debates e polêmicas. A diretora Emerald Fennell, decidiu transformar a já existente tensão entre os personagens Cathy e Heathcliff em algo que o livro, devido à sua época, nunca poderia ser retratado. Logo, o filme assume um caráter extremamente íntimo, sensual e carnal.
UMA NOVA PERSPECTIVA
Apesar do projeto ter irritado os leitores mais assíduos da obra, as aspas no título não estão ali por acaso, e servem como um escudo para que a diretora possa levar a história para outros níveis. Portanto, não espere uma adaptação fiel ou até minimamente semelhante ao livro.
As polêmicas envolvendo o filme não são recentes, desde a divulgação do elenco, surgiram questionamentos envolvendo a etnia do personagem Heathcliff, que na obra original é descrito como um homem cigano de pele escura, mas no filme foi interpretado pelo ator, branco, Jacob Elordi.
O personagem que era, originalmente, deslocado, egoísta e cruel se transforma completamente quando colocado no corpo do ator. As discussões raciais são apagadas, suas motivações são outras e ele se torna uma espécie de “sex symbol”. Levando em conta o ar sensual do filme, ele acaba se encaixando bem no papel.
No entanto, em relação à Margot Robbie, que interpreta a Cathy, não posso dizer o mesmo. A atuação não está ruim, mas é difícil enxergá-la como alguém além da própria Margot. Talvez um dos culpados por isso sejam os seus figurinos, que realmente são um ponto a se comentar.
Eles são belíssimos e um tanto exagerados, o que acaba, por muitas vezes, roubando a cena de uma maneira muito negativa. Na maior parte do tempo, não se encaixam com o período da história e, possivelmente, por uma tentativa falha de se inspirar no anacronismo de Bridgerton. Talvez tenha até sido uma forma de representar a visão mais moderna da história, mas a combinação de tecidos, estéticas e épocas apenas criam uma “mistureba” por falta de boas referências.
IMPACTO A TODO CUSTO
E por falar em exagero, acho que já podemos comentar sobre o principal ponto do filme: as cenas de sexo. A diretora do longa é conhecida por ser provocativa e em seu último filme, Saltburn, chamou atenção especialmente pelas cenas que chocam e incomodam.
A existência dessas cenas não é o problema, exceto quando elas parecem ter sido feitas apenas para chocar, de uma forma que muitas não se encaixam e trazem um ar adolescente para o filme. Em alguns momentos, fica explícito que a diretora queria fazer algo extremamente revolucionário, que nos surpreendesse e deixasse todos de queixo caído, mas acabou tornando as tensões sexuais entre os personagens um tanto exaustivas.
UM MUNDO COM CORES
Como não vivemos apenas de críticas, preciso comentar sobre a fotografia, que é um dos pontos altos da obra. Há takes simplesmente maravilhosos, que deixam o filme bem mais interessante e agradável de assistir. As imagens são tão bem feitas que nos fazem entender perfeitamente o que as personagens estão passando e sentindo. Além disso, o filme tem cor! Talvez, uma das melhores contribuições de Fennell para um cinema que atualmente tem adorado se esbanjar da escuridão.
NOVA VISÃO, NOVA SONORIDADE
O anúncio da presença de Charli xcx na trilha sonora, impressionou a todos à primeira vista, mas ela fez um ótimo trabalho! O álbum de 12 faixas, que recebeu o nome de Wuthering Heights, foi feito especialmente para esse projeto, mas funciona por si só. A artista se inspirou tanto na obra original como na nova adaptação e ainda adicionou um toque da sua personalidade.
Por fim, o filme utiliza nomes, alguns personagens e a ambientação da obra original para criar algo totalmente novo. Não vá ao cinema com a expectativa de ver a história do livro sendo reproduzida na tela. A intenção, as trajetórias, as personalidades e os objetivos são outros, então vá com a mente aberta para novos propósitos e visões, e aproveite um romance sensual e provocador com Jacob Elordi e Margot Robbie.
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O texto acima foi editado por Maria Eduarda Barreira.
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