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Casper Libero | Life

O luxo está em crise ou em transformação? Entenda o cenário atual

Giovanna Ferraz de Campos Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O mundo do mercado moderno está em constante evolução. As empresas descobrem como se adaptar às novas normas éticas da sociedade, se preocupam com a diversidade e com o meio ambiente, e acima de tudo, demonstram grande interesse em investir na tecnologia. Então por que com o mercado da moda de luxo seria diferente? A grande questão surge quando há a necessidade de romper e reconstruir grandes tradições e valores das marcas, então as empresas acabam optando por outras alternativas.

O ano de 2025 representa uma nova era para o mercado da moda de luxo. Devido a crises econômicas e geopolíticas, a demanda por artigos de luxo diminuiu de forma considerável desde a pandemia. 

@helenabezzan

O mercado de luxo tá mudando muito! Fiz um episódio inteiro sobre isso no podcast, se quiser assistir, é só clicar no link da bio. #luxo #welness #bemestar

♬ som original – Helena Bezzan

A influência do pós-pandemia

De acordo com a LVMH, um conglomerado francês de marcas de luxo, no terceiro trimestre de 2024, houve uma queda de 3% nas vendas dessas marcas, resultando em uma perda de aproximadamente 21 bilhões de dólares. Já a Gucci, no ano passado, registrou uma queda de 25% das vendas, fazendo com que os lucros caíssem pela metade.

Logo após a pandemia, ao contrário da nova onda de consumo esperada pelo mercado, a pouca procura por artigos luxuosos na China e no Japão coincidiu com o retraimento das marcas em grandes potências asiáticas. Sendo então, um dos fatores para ocasionar uma possível crise no setor de luxo.

Existem vários fatores que proporcionaram a queda das vendas, um deles é o desemprego logo após a pandemia. Diante de um cenário aterrorizante, em que o mundo entrou em colapso, o desemprego se tornou algo cotidiano. Na China, a busca incessante por serviços e a crise imobiliária, acabaram pensando no momento de decisões de compras, quando o luxo entrou para o escanteio. Mesmo com incentivos e investimentos, o mercado não conseguiu atrair os clientes.

Outros fatores como o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, são potencializadores de uma possível crise. Com a economia entrando em estado de alerta, é comum que os altos preços dos artigos de luxo cresçam ainda mais. Segundo dados do HSBC, houve um aumento de 54% nos preços dessas marcas desde antes da pandemia.

Outra grande questão é o novo modo de consumir, as pessoas se acostumaram com a ideia de fazer compras pela internet, resultando no fechamento de algumas lojas físicas de grife. Sendo assim, as empresas foram forçadas a se reinventarem, e venderem novas experiências, para que pudessem ir para além do online.

As novas apostas das grifes

Quando é tratado o assunto de artigos de grifes, é necessário também abordar a criatividade. Designers e especialistas são vítimas de pressões do mercado, tanto para bater metas cada vez mais irreais ou para agradar ao público consumidor.

Não é novidade que as grifes não vendem apenas o produto, mas sim um estilo de vida acompanhado do nome da marca. 

A fim de atrair os clientes para o consumo físico, a Tiffany lançou a sua cafeteria de luxo, a Blue Box Café, onde a experiência é desfrutar de uma refeição inspirada na marca. Os detalhes e a venda do lifestyle vão desde a decoração da mesa, cardápio, ambiente, até os preços e o menu exclusivo. Tudo com um toque refinado, tornando-se uma experiência gastronômica única, que obriga o consumidor a sair das telas e consumir a marca.

A meta da sustentabilidade

Os clientes estão cada vez mais preocupados com o meio ambiente e consumindo marcas que seguem os mesmos valores, obrigando enfim o mercado a seguir o mesmo comportamento.

Desde então, a ABRAEL (Associação Brasileira de Marcas e Empresas de Luxo), que tem marcas associadas como a Dior, decidiu investir em mais projetos sociais e outros que visam a sustentabilidade.

Um deles é o Comitê Estratégico ESG (Environmental and Social Governance), um grupo de pessoas destinadas a explicar e explorar conversas e temas relacionados à responsabilidade corporativa através dos pilares do ESG. Buscam trazer clareza, alinhamento e boas práticas as marcas associadas a ABRAEL.

Já o Projeto Polaris tem como objetivo principal a diversidade e inclusão, formando e capacitando estudantes de diversos grupos. Tende a fornecer habilidades, conhecimentos e perspectivas necessárias para o conhecimento da atividade e cultura de luxo.

A influência das mídias

A criação de campanhas de marketing que viram informar a procedência de seus produtos, é uma das mais novas apostas das grifes. Com o aumento dos preços, as empresas buscam explicar o valor de suas criações através de narrativas sobre produtos feitos à mão, a fim de reconstruir o relacionamento com o público, apostando no fator emocional e ressaltando o seu valor cultural.

A Miu Miu, é apenas um dos exemplos da influência do marketing nas vendas. Em um cenário em que pessoas prezam mais pela qualidade, a marca aposta em narrativas de peças que demonstram a durabilidade. Além disso, a presença nas redes sociais e a venda de um estilo de vida específico, tende a fazer sucesso diante de seu público alvo. 

Porém, é necessário destacar que a opinião pública é facilmente manipulável. Um exemplo foi a imposição das altas tarifas que o governo americano impôs sobre a China, há uns meses atrás. Tal feito, fez com que as redes sociais se tornassem alvo de vídeos de fabricantes chineses que alegaram a “origem” dos produtos de luxo. O resultado foi um escândalo na indústria da moda, já que os preços das empresas originais não paravam de crescer, e enquanto vendiam a ideia do artesanal, fabricantes da China acusavam a narrativa de ser falsa. No meio da confusão, o público não sabia em quem acreditar.

As grandes marcas também perceberam como podem ser impulsionadas através das redes sociais, com os relatos dos consumidores. Com o aumento de plataformas como o TikTok, os feedbacks dos clientes geram cada vez mais engajamento, sendo bom ou ruim.

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O artigo acima foi editado por Beatriz Tomagnini.

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