Na Fórmula 1, a corrida começa quando as cinco luzes vermelhas se apagam, mas o que conta na pista, não é apenas a potência mecânica. Coragem, persistência e intelecto são essenciais em uma disputa que envolve equipes que vão muito além dos pilotos. Entre engenheiras, estrategistas, jornalistas, fisioterapeutas e pilotas, mulheres marcaram o automobilismo, contrariando a crença de que nesse esporte, não havia lugar para elas.
Durante muito tempo, o paddock da Fórmula 1 foi dominado por homens. Aos poucos, mulheres começaram a conquistar espaço, não só dentro dos carros, mas atrás de computadores, em salas de engenharia, na preparação física dos pilotos e nas transmissões que dividem a história do esporte com o mundo.
No último 8 de março, foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, por isso, relembramos alguns nomes das que enfrentaram preconceitos, superaram barreiras e provaram que talento, inteligência e amor não têm gênero.
MARIA TERESA DE FILIPPIS
Em 1958, a napolitana Maria Teresa de Filippis tornou-se a primeira mulher a disputar um fim de semana de Grande Prêmio. Sua entrada no esporte nasceu de uma provocação. Quando seus irmãos duvidaram de sua competência, Maria respondeu da única forma que conhecia, correndo cada vez mais rápido.
Em uma era de misoginia escancarada, chegou a ouvir de diretores de prova que “o único capacete que uma mulher deveria usar era o do cabeleireiro”. Ela ignorou os preconceitos e participou de cinco etapas, abrindo caminho para as gerações futuras.
LELLA LOMBARDI
Lella Lombardi fez história ao se tornar a primeira – e até hoje única – mulher a pontuar na Fórmula 1. Durante o GP da Espanha, de 1975, um acidente fatal que deixou quatro mortos, encerrou a corrida com 29 voltas.
Com a interrupção da prova, somente metade da pontuação prevista foi distribuída. Lombardi, que cruzou a linha de chegada em sexto lugar, recebeu 0,5 ponto no campeonato.
Filha de açougueiro, Lella se consolidou no volante dirigindo a van da família, construindo posteriormente, uma carreira respeitada também nas corridas de endurance. No automobilismo, onde cada milésimo é disputado, seu meio ponto se tornou um símbolo de resistência para gerações de pilotas.
GIOVANNA AMATI
A última mulher a tentar se classificar para uma corrida de Fórmula 1, foi a italiana Giovanna Amati. Em 1992, pela equipe Brabham, participou das classificatórias dos GPs da África do Sul, México e Brasil.
Embora não tenha conseguido vaga no grid, seu nome permanece na história da categoria como a última representante feminina a tentar chegar ao grid da Fórmula 1.
A NOVA GERAÇÃO
Em 2023, a F1 Academy foi criada para desenvolver jovens pilotas e prepará-las para categorias superiores do automobilismo, oferecendo suporte técnico, financeiro e visibilidade dentro do universo da Fórmula 1.
Aurélia Nobels e Rafaela Ferreira são duas brasileiras que estão entre os talentos da nova geração. Aurélia nasceu em Boston e foi criada no Brasil. Com o início no kart, ainda criança, rapidamente se destacou em competições internacionais chegando, inclusive, a participar do programa Ferrari Driver Academy, focado na formação de novos talentos.
Rafaela também construiu sua trajetória no kartismo nacional e vem avançando nas categorias de base. A F1 Academy se tornou mais do que um campeonato, é uma oportunidade real para que cada vez mais mulheres possam alcançar as categorias mais altas do automobilismo mundial.
MULHERES QUE MOVEM A FÓRMULA 1
Enquanto os pilotos estão sob os holofotes, muitas das decisões que definem o rumo das corridas acontecem longe do cockpit. A engenheira britânica Hannah Schmitz, chefe de estratégia da Red Bull Racing, é uma das mentes mais respeitadas do paddock.
Responsável por analisar dados e definir o momento ideal para pit stops, suas decisões podem mudar completamente o rumo de uma corrida.
Laura Müller é a engenheira que representa a nova geração de mulheres na engenharia do esporte. Como reconhecimento à importância de profissionais como elas dentro do automobilismo, a curva 6 do circuito de Albert Park, no GP da Austrália de 2026, foi simbolicamente batizada em homenagem às mulheres que ajudam a moldar o esporte nos bastidores, e incentivá-las nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Ex-pilota e atual diretora administrativa da F1 Academy, Susie Wolff tornou-se uma das principais vozes pela inclusão no automobilismo. Em 2014, participou de treinos oficiais da Fórmula 1 pela Williams Racing, sendo a primeira mulher em mais de duas décadas a pilotar durante um fim de semana de Grande Prêmio. Hoje, ela tem como missão ampliar as oportunidades para a próxima geração de pilotas.
Angela Cullen é fisioterapeuta e treinadora e ganhou destaque pelo trabalho ao lado de Lewis Hamilton. Atualmente, os pilotos são atletas de alto rendimento, que enfrentam forças G extremas, calor intenso e grande desgaste físico, onde a preparação do corpo é parte essencial para o desempenho nas pistas.
MARIANA BECKER
É impossível falar de Fórmula 1 no Brasil sem mencionar Mariana Becker. A jornalista tornou-se um dos principais nomes da cobertura na categoria, aproximando o público dos bastidores do paddock por meio de entrevistas, reportagens e relatos direto das pistas, sempre com um olhar sensível e pessoal. Sua trajetória inspirou, e segue inspirando, diversas presenças femininas também no jornalismo automobilístico.
A Fórmula 1 nunca foi apenas sobre quem cruza a linha de chegada, mas também sobre quem abriu caminho para estar ali e fazer parte dessa história. Corrida após corrida, elas mostram que seu lugar no esporte não é na reserva, mas na presença e na linha de frente.
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O artigo acima foi editado por Isabella Gouvea
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