Durante o mês de março, o Brasil chama atenção para a campanha do Março Lilás – uma ação nacional de conscientização sobre a prevenção e combate ao câncer do colo de útero.
A campanha surgiu em 1977, como estratégia do governo e do Ministério Público em prol da ampliação das informações sobre a doença, que representa o terceiro tipo de tumor mais incidente entre as mulheres. A escolha do mês de março para o programa se dá pela comemoração do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
O que é o câncer de colo de útero?
Segundo Bárbara Caiano, fisioterapeuta especialista em oncologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o câncer de colo de útero acontece quando células da região mais inferior do útero – que faz ligação com a vagina e corresponde ao colo do útero – começam a crescer de forma anormal.
Segundo Caiano, na grande maioria dos casos, esse tipo de câncer está relacionado à infecção pelo vírus do HPV (Papilomavirus humano), que é transmitido principalmente através de relações sexuais, muitas vezes desprotegidas. A fisioterapeuta atesta ainda que esse vírus pode permanecer no organismo e provocar alterações nas células, o que pode levar à mutações genéticas e, com o tempo, gerar lesões pré-cancerosas que assim evoluem para, de fato, o câncer.
Quando questionada sobre os possíveis sintomas da doença, Bárbara explica: “Esse tipo de câncer, principalmente no início, costuma não apresentar sintomas, por isso o papanicolau é tão importante”.
Dentre os sinais possíveis, a fisioterapeuta destaca o sangramento vaginal fora do período menstrual (e até mesmo após as relações sexuais ou após a menopausa), o corrimento vaginal persistente e com odor forte, a dor pélvica e, em fases mais avançadas, a perda de peso sem explicação, além da dor ou dificuldade para realizar necessidades fisiológicas básicas.
Fatores de frequência e possíveis sequelas e impactos
Segundo dados recentes do INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), no estudo “Estimativa 2026-2028: Incidência de câncer no Brasil”, realizado em parceria com o Ministério Público, o câncer de colo de útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente em mulheres no país. Ainda segundo a pesquisa, estima-se que o risco é maior em mulheres com mais de 50 anos, mesmo que os casos ocorrentes em mulheres com menos de 40 anos estejam tornando-se cada vez mais frequentes.
E o mais importante é que ele é um câncer que poderia, em grande parte, ser evitado. Nós temos a vacina contra o HPV, que é oferecida gratuitamente pelo SUS
Bárbara Caiano
Bárbara diz ainda que existem alguns fatores que fazem com que o câncer de colo de útero continue sendo recorrente, como a baixa adesão à vacinação e a falta de realização regular do exame papanicolau. Além disso, outro fator fundamental é a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e questões socioeconômicas.
Quanto aos impactos que podem surgir decorrentes do tratamento e do câncer, a profissional aponta as possíveis disfunções urinárias e alterações intestinais, o que inclui até mesmo a dificuldade na absorção de nutrientes. A fisioterapeuta também destaca sintomas relacionados a alterações ginecológicas e sexuais, como a estenose vaginal, dispareunia e mucosite vaginal.
Quando questionada sobre o papel da fisioterapia no processo de recuperação da doença, Bárbara conta: “A fisioterapia, especialmente a fisioterapia pélvica, entra justamente na reabilitação dessas funções. Nós trabalhamos, por exemplo, com o fortalecimento do assoalho pélvico, que ajuda no controle urinário e intestinal.” Além disso, Caiano diz que o uso de dilatadores para manejo da estenose, técnicas manuais (como a liberação miofascial, uma técnica manual que aplica pressão sobre pontos específicos do corpo para reduzir fibrose e dor), e uso de recursos como eletroestimulação e biofeedback, ajuda as pacientes a ativarem corretamente a musculatura.
Formas e importância da prevenção
O tratamento do câncer de colo de útero pode incluir cirurgias, quimioterapias, radioterapias e braquiterapias. No entanto, existem formas diversas de prevenir a ocorrência da doença, sendo as principais a vacinação contra o HPV e o rastreamento regular.
Caiano destaca novamente o fato de a vacina contra o HPV ser oferecida gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), e adiciona que ela está, atualmente, em esquema de dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos: “Ela é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos importantes do vírus, incluindo aqueles associados ao câncer”. Além disso, o uso do preservativo é fundamental e deve ser associado à vacinação.
Dentre todos os métodos de prevenção, o de maior destaque é a realização do exame papanicolau, o principal exame de rastreamento e capaz de identificar alterações precoces nas células do colo do útero. O exame é indolor e de citopatologia, ou seja, uma análise na qual o médico coleta células do colo do útero para detectar lesões.
Sobre a importância e relevância do exame, a fisioterapeuta afirma: “O papanicolau é essencial porque ele consegue detectar lesões precursoras, ou seja, alterações ainda em fase pré-cancerosa”. A capacidade de detecção do exame permite um diagnóstico precoce e um tratamento mais rápido, evitando que a doença evolua para estágios mais avançados.
Assim, mesmo com a grande incidência de casos de câncer de colo de útero no país e no mundo, é possível reverter esse cenário através dos exames de prevenção e cuidados diários.
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O artigo acima foi editado por Júlia Salvi.
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