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“It’s Not That Deep”: o comeback da Demi Lovato ao pop

Isabela Raucci Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Quase quatro anos após o lançamento do HOLY FVCK (2022), projeto que nos entrega narrativas turbulentas e imersas em ressentimento, Demi Lovato corre na direção oposta ao assumir a leveza como foco principal do novo álbum.

A escolha do título, “Não É Tão Profundo Assim” em inglês, brinca com seus prévios lançamentos, que sempre utilizaram traumas e dilemas como fontes para algumas de suas composições mais emblemáticas. 

“Os temas sobre os quais cantava eram sempre muito intensos e pesados. Então, fui ao estúdio e tentei encontrar meu som, e comecei a compor músicas muito emocionais, mas elas não estavam ressoando porque eu não estou mais naquela fase. Não estou mais numa fase ruim da minha vida em que preciso compor essas músicas tão intensas e emocionais. Estou feliz e apaixonada, e não é mais tão profundo assim”, revelou em entrevista ao podcast “Chicks In The Office”.

Voltar às raízes do pop, território que potencializa sua presença, não demonstra nenhum retrocesso ou intenção de se manter em uma zona de conforto, e sim, reafirma sua capacidade de explorar a autonomia artística com excelência. Os singles selecionados, “Fast”, “Here All Night” e “Kiss”, incorporam sensualidade, satisfazem muito bem aqueles que anseiam pelo frenesi do hyper pop e são adições mais do que necessárias para as playlists com a vibe clubber. 

Alguns diriam que Lovato se inspirou no BRAT (2024), de Charli XCX, mas, pessoalmente, acredito mais que a estética sonora de artistas como Kylie Minogue e Robyn foram responsáveis por iluminar o produtor Zhone no processo de criação do álbum.

Faixas como “Let You Go” e “Ghost”, minhas favoritas, conseguem mesclar emoção com sintetizadores, sem pesar na introspecção e “Sorry To Myself” encontra uma forma de fazer as pazes com os erros do passado e consigo mesma, sem deixar o ritmo contagiante de lado: “Desculpas por passar fome, desculpas pelo esgotamento, desculpas por aquele ex que sempre me destruía, desculpas pela dor”.

Sem deixar dúvidas sobre seu talento, os vocais bem estruturados e poderosos, que são a marca registrada de Demi, são o destaque do disco. O jeito como ela brinca com os agudos na eufórica “Frequency” e sustenta notas na balada “Ghost” exibe uma artista que domina sua técnica, mas não sente mais a necessidade de provar nada a ninguém. 

Se o HOLY FVCK representa a travessia por uma tempestade internalizada por anos, por outro lado, o It’s Not That Deep cumpre o objetivo de boiar no raso da intimidade, onde Demi consegue finalmente respirar. Neste caso, raso não é sinônimo de superficialidade, mas de uma maturidade adquirida com a decisão de não se levar tão a sério. E é extremamente refrescante acompanhá-la em seu estado mais autêntico, sem se prender a rótulos.

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O artigo acima foi editado por Beatriz Martins.

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Isabela Raucci

Casper Libero '28

Sou uma jornalista em fase de teste, mas acima disso, uma garota movida pela curiosidade.