Casemiro, Lucas Moura, Marquinhos, Guilherme Arana, Neymar, Gabriel Martinelli e Endrick são alguns dos poucos jogadores que realmente ganharam holofotes no futebol brasileiro mirim.
Atuando em grandes times como Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos, eles se destacaram o suficiente na Copinha para serem levados ao futebol profissional. Hoje, são titulares em times europeus e realizam o sonho de qualquer menino que ama futebol: ser convocado para defender o Brasil em copas do mundo ou olimpíadas.
Embora a Copinha realmente ajude muitos jogadores a terem o seu talento reconhecido, muitos não chegam nem perto de terem seu sonho realizado (mesmo que tenham talento para isso). Hoje, vamos embarcar em um mundo pouco explorado: a realidade dos jogadores de base e o porquê de a glória eterna chegar para poucos.
O que é a Copinha?
A Copa São Paulo de Futebol Júnior, mais famosa como “Copinha’’, nasceu diretamente da Prefeitura de São Paulo, em 1969, como uma iniciativa para celebrar o aniversário da cidade, comemorado em 25 de Janeiro.
O que era apenas um passatempo para a população aproveitar um bom e velho futebol acabou se tornando uma das maiores competições de categoria de base do Brasil.
Inicialmente, o torneio era limitado apenas para clubes paulistas, com um objetivo de fortalecer os times de base que o estado possui. Porém, a competição foi ficando cada vez mais famosa entre os outros estados do país e, em pouco tempo, a Copinha decidiu abrir as portas para os times de outros estados e até de outros países.
Não podemos deixar de destacar o importante trabalho que a Federação Paulista de Futebol (FPF) teve em expandir e profissionalizar o torneio, focando sempre em melhorar as transmissões e a integração no calendário do futebol brasileiro.
A Copinha é, de fato, uma grande oportunidade para os jogadores se destacarem e terem o seu lugar ocupado nos grandes times brasileiros – e, quem sabe, até nos times internacionais. O campeonato sempre começa no início do ano, e, no ano de 2025, não foi diferente, durando do dia 2 ao 25 de Janeiro. Seu campeão? O time de base do São Paulo.
Para entendermos melhor o mundo desses atletas, Samuel Alexander, ex-jogador de base do Corinthians, foi entrevistado e nos trouxe um pouco da realidade dos times de base do Brasil.
Os desafios de ser jogador de futebol
Seja por ter um tempo de qualidade com a família reduzido, ou por não ter o resultado esperado em algum jogo, os jogadores enfrentam uma grande carga emocional. “Um jogador precisa aprender a lutar contra a sua própria mente. É importante ter uma terapia emocional, ter alguém que o acompanhe nesse tempo’’, declara Samuel. Podemos considerar que, se um jogador de base não tiver cabeça para entrar neste mundo, vai ser mais difícil do que realmente é.
Vale ressaltar o apoio familiar que esses meninos precisam receber. “Se você não tem um lar que deseje e apoie de coração que o seu sonho se torne realidade, vai ser muito mais difícil ele de fato se tornar real’’, ele diz. Em outras palavras, tudo o que um jogador de base precisa é de muito preparo emocional e do apoio da família.
Estar em um ambiente relativamente saudável deixa a mentalidade desses adolescentes mais forte e mais preparada, mesmo sabendo que o mundo do futebol não é totalmente justo e limpo.
A falta de acompanhamento psicológico e técnico
Sendo surpreendentemente ou não, muitos times de base do Brasil sofrem com a falta de profissionais especializados em psicologia. No passado, esse tema podia ser um tabu, mas, hoje, é indiscutível a importância da saúde mental no desempenho dos atletas. Uma pesquisa feita em 2024 pelo GE apontava que 6 dos 20 clubes da série A não possuíam acompanhamento psicológico.
A escassez de técnicos profissionais nos times de base também afeta o preparo do atleta. “A falta de técnicos afeta muito o desenvolvimento do jogador. Nós, jogadores de base, estamos em uma fase de desenvolvimento […] alguns jogadores, como Endrick e Estevão, são casos de um em um milhão, […] só nos desenvolvemos para o profissional a partir dos 19, 20 anos’’ declara Samuel.
A competitividade nos relacionamentos
Sonhos, ambições, desejos e talentos: tudo isso é posto em jogo quando se trata de jogadores de base. A competitividade e a ânsia de se sobressair afetam o relacionamento dos jogadores, pois, segundo Samuel, neste mundo, o que reina é a ambição. “Todos queremos ser profissionais. O trabalho em equipe é importante, mas sempre vai ter o pessoal […] a base tem o quíntuplo de jogadores, comparado com o profissional. Entre mim e você, eu sempre vou escolher a mim mesmo’’.
A base é seletiva?
Existem vários filhos de jogadores profissionais que atuam na base, como Henrique Lemos, filho de Fagner, ex-jogador do Corinthians e novo contratado do Cruzeiro. Henrique sempre foi considerado uma grande promessa devido a suas habilidades. Os filhos de grandes jogadores sempre terão um destaque maior, mas será que o sobrenome é mais forte do que o talento?
Questionado sobre o favoritismo entre os filhos de jogadores na base, Samuel conta: “O favoritismo existe, mas não é como as pessoas imaginam. Eles sofrem muito mais pressão do que nós [filhos de não jogadores] pelos pais que acham que eles também serão jogadores. Os próprios treinadores querem ser beneficiados pelo seu trabalho […], no futebol, a malandragem existe mais do que vemos.’’
No mundo esportivo, a habilidade deve ser essencial para a formação de um bom atleta. No entanto, sobrenome e dinheiro sempre farão a diferença nas oportunidades. O essencial seria as equipes darem o devido apoio para que os novos jogadores pudessem alcançar o melhor desenvolvimento.
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O artigo acima foi editado por Juliana Sanches.
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