A cada ano, a indústria cinematográfica demonstra mais interesse em investir tempo e dinheiro em remakes e continuações de histórias já conhecidas e amadas pelo público, em vez de apostar em novas narrativas que possam surpreender os telespectadores.
Embora essa estratégia seja questionável, ela parece ser bem aceita pelo público, que já possui uma conexão com as histórias e personagens. Por esse motivo, os estúdios continuam investindo em sequências e live-actions, que oferecem um retorno financeiro mais seguro e previsível.
As correções nos live-actions
O lançamento do mais novo live-action da Disney, Branca de Neve, reacende as discussões sobre a quantidade de animações clássicas que têm ganhado versões realistas nos últimos anos. Essa estratégia da Disney tem gerado tanto entusiasmo quanto críticas, principalmente pela forma como essas adaptações lidam com as histórias originais.
Os remakes não trazem apenas uma versão realista dos desenhos que conhecemos, mas também mudanças que “consertam” a história original, consequentemente tornando o filme mais bem aceito para os novos limites sociais.
É interessante perceber que os live-actions que mudam pequenas partes da história são mais bem aceitos pelo público do que aqueles que modificam um grande ponto da história. Esse fenômeno traz à tona a discussão tão frequente nas redes sociais sobre até onde uma adaptação pode mudar seu material original.
As continuações de franquias já conhecidas
A confirmação de Shrek 5 e A Era do Gelo 6 reforça a ideia de que cada vez mais a indústria cinematográfica investe em continuações, muitas vezes desnecessárias, mesmo quando a história já parecia concluída. O foco parece não ser mais a narrativa, mas sim o lucro em cima da franquia.
Mesmo aqueles filmes com finais fechados que deixam claro que não precisam de uma continuação para finalizar a história ganharam uma sequência. Para piorar a situação, a continuação foi lançada e gravada anos depois do primeiro filme, deixando claro que a decisão de produzir uma sequência surgiu mais por motivos comerciais do que criativos.
Além disso, muitos filmes com finais abertos foram lançados recentemente, como De Volta a Ação, da (Netflix), esperando apenas a recepção popular para cancelar ou confirmar a continuação e assim criar uma nova franquia que parece nunca ter fim.
Como equilibrar essa situação?
Ao priorizar o investimento em histórias já conhecidas, os estúdios estão deixando de lado a oportunidade de explorar narrativas originais que poderiam surpreender e agradar ao público.
Ainda assim, há espaço para equilíbrio. Enquanto o mercado continuar respondendo positivamente a remakes e sequências, a tendência deve continuar. Mas, ao mesmo tempo, cineastas independentes e estúdios menores continuam tentando explorar novas ideias, tentando manter a inovação viva no cinema.
Mesmo com orçamentos significativamente menores em comparação aos grandes estúdios, o cinema independente vem conquistando cada vez mais reconhecimento por sua capacidade de impactar o público com narrativas originais e ousadas. Suas produções suprimem um buraco deixado em Hollywood: a oferta de histórias únicas, o que está cada dia mais fora do padrão da indústria do entretenimento.
Um dos maiores exemplos da atual fase do cinema independente é o estúdio norte-americano A24, que vem dando espaço para histórias originais ao ajudá-las a terem seu espaço, mesmo que pequeno, junto aos holofotes. Filmes como Moonlight, Lady Bird e Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo são alguns exemplos de obras que conquistaram crítica e público apostando na originalidade.
Além de investir em roteiros alternativos e ousados, a A24 também tem estabelecido parcerias com grandes nomes da indústria, sejam diretores ou atores, elevando as qualidades de suas produções e atraindo o público, que enxerga o selo A24 como sinônimo de qualidade e autenticidade no cinema.
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O artigo acima foi editado por Juliana Sanches.
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