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Casper Libero | Culture > News

ESG, COP30 e Trump: As causas sociais saíram de moda?

Ana Ribeiro Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

As últimas décadas foram palco de lutas por causas sociais que possibilitaram discussões sobre progressos e radicalismos, para as quais entidades governamentais e veículos de comunicação voltaram a sua atenção. Contudo, uma peça fundamental para o funcionamento da sociedade foi deixada de lado: a crise climática.

Com o avanço de práticas de exploração e desmatamento, desde a Revolução Industrial, o planeta se tornou vítima das mudanças forçadas na paisagem vegetal, as quais incentivaram o aumento da quantidade de carbono na atmosfera e da temperatura global em 1,6 ºC. Graças à ação humana, a crise climática tem se manifestado através das mudanças de temperatura, longos períodos de estiagem ou chuvas, queimadas avassaladoras, tufões e furacões.

De acordo com a pesquisa “Learning Interrupted: Global Snapshot of Climate-Related School Disruptions in 2024”, da UNICEF, quase 250 milhões de crianças no mundo tiveram seus estudos interrompidos pela crise climática, em 2024. No Brasil, o levantamento mostrou que este número corresponde a 1,17 milhão de crianças, sendo mais de 700 mil dessas prejudicadas pelas chuvas que ocorreram no Rio Grande do Sul, enquanto 436 mil alunos não puderam frequentar a escola na região amazônica, devido à incapacidade de locomoção nos rios, com a estiagem.

Diante deste cenário ambientalmente caótico, entidades políticas travam o embate de desenvolverem políticas de preservação socioambiental, ao passo em que coexistem no sistema do capitalismo exploratório.

De Berlim ao Brasil: como a COP atua para a mobilização contra a crise ambiental?

Com a transição de uma cobertura midiática frágil sobre a crise climática para a abertura de fóruns e o investimento na divulgação científica, a partir da década de 1980, a questão climática deixou de ser tratada como eventos extremos esporádicos e passou a ser reconhecida como um fator externo que poderia ser decisivo para a vida humana.

Na tentativa de solucionar os desastres naturais, a Organização das Nações Unidas criou a Conferência das Partes (COP), órgão supremo da Convenção Quadro da ONU, que entrou em vigor em 21 de março de 1994 e hoje conta com a adesão de todos os países do mundo.

Responsáveis pelo desenvolvimento de medidas para o combate às mudanças climáticas – assim como fiscalizar o cumprimento dessas medidas -, as COPs são eventos anuais que reúnem líderes mundiais, cientistas, ativistas e ONGs para a sugestão de metas de preservação ambiental.

Após três décadas da primeira reunião, a COP30 irá ocorrer em Belém do Pará, no Brasil, entre os dias 11 e 22 de novembro de 2025. Mediante o governo de Luiz Inácio (Lula) da Silva, as expectativas para o evento se mostram positivas, visto que a gerência atual adota posturas favoráveis e cooperativas em relação às discussões sobre as mudanças climáticas, além de direcionar críticas diretas a governos negacionistas ambientais, como o de Donald Trump, nos Estados Unidos.

A presença do presidente norte-americano ainda é incerta e sua possível ausência pode significar um golpe contra as medidas verdes adotadas por grandes potências mundiais, assim como um boicote ao atual governo brasileiro. No entanto, é esperada a participação de grandes líderes políticos, como os representantes do BRICS – além do Brasil como sede, Rússia, Índia, China e África do Sul -, Arábia Saudita, Egito, Azerbaijão, Indonésia, Irã, França, Inglaterra, Alemanha, entre outras nações.

Para o Brasil, sediar um evento desta magnitude é uma oportunidade inédita de reafirmar a sua imagem diante da diplomacia internacional, assim como se tornar um exemplo na representação de sustentabilidade global. Dentre os temas a serem discutidos na COP30 estão a redução das emissões de gases provenientes do desmatamento, além da principal questão para o contexto brasileiro: discutir a questão do desmatamento na Amazônia, dentro da própria Floresta Amazônica.

Como os setores social e corporativo podem contribuir com a sustentabilidade?

O debate entre líderes mundiais é indispensável para a reprodução midiática da magnitude e importância das reuniões voltadas para a preservação socioambiental, mas a aplicação das ideias defendidas precisa ir muito além do embate entre países.

Com o objetivo de manterem-se alinhadas às mudanças no mercado, inúmeras empresas precisaram se reinventar para que suas marcas adotassem o selo “verde” de sustentabilidade. Essa revolução no sistema capitalista começou a ser notada a partir de 2004, quando a Organização das Nações Unidas divulgou o relatório “Who Cares, Wins”, no qual popularizou-se a sigla ESG.

Esta abreviação engloba os termos “Environmental, Social and Governance”, utilizados para avaliar o quanto uma empresa ou negócio está se mobilizando para reduzir os impactos de suas atividades no meio ambiente, visando a criação de um mundo mais justo e responsável.

Environmental (ambiental, traduzido para o português) refere-se à busca por alternativas sustentáveis na produção de uma empresa, visto que ao adotar o pensamento de preservação, as instituições tentam diminuir a emissão de poluentes, descarte regular de lixo e plásticos, ou, ainda, reduzir o consumo de água e energia. Enquanto isso, o termo Social está atrelado à designação de empresas que zelam pela segurança das pessoas no seu entorno, garantindo os devidos direitos trabalhistas, de saúde e segurança no ambiente de trabalho, além de aderir a causas sociais.

Por fim, Governance (governo) refere-se ao modo como uma empresa gerencia o seu funcionamento, ou seja, se realiza as devidas fiscalizações para evitar irregularidades como propina, lavagem de dinheiro e trabalho análogo à escravidão, assim como adotar uma postura ética diante dos valores da instituição.

Graças a este novo movimento de conscientização global, observou-se o surgimento de um novo sistema: o Capitalismo de Stakeholder. Este novo modelo capitalista ganhou visibilidade após diferentes organizações adotarem medidas de ESG, com o objetivo de melhorar a imagem de uma marca com seus stakeholders – clientes, financiadores ou parceiros.

Ao aderirem a posturas de preservação, inúmeros agentes empresariais conquistam vantagens como o aumento da produtividade, redução de custos, atração de investidores e novos consumidores, além do benefício principal: a emissão de “Greenbonds” (créditos verdes para investimentos). Entre as marcas que mais se destacaram com a adoção de ESG estão Natura, Google e Nestlé, com o uso de embalagens recicláveis, aposta em energias renováveis e foco em alimentação saudável, respectivamente.

O retorno de Trump e o rompimento com acordos climáticos pode se tornar um caminho sem volta?

A popularização do engajamento em causas sociais é um fenômeno que ocorre devido a muitos fatores, como a disseminação de conteúdos nas redes sociais ou de notícias em veículos de comunicação, mas também graças à mobilização de entidades governamentais que se apresentam como símbolo de cada nação.

No entanto, o que tem sido observado no cenário global trata-se de um sistema de contrapesos no qual grandes líderes políticos se desdobram para aderir às causas socioambientais, enquanto uma grande potência econômica mundial se empenha para findar esse sistema: os Estados Unidos. O segundo maior emissor de gases do efeito estufa (GEE) do planeta teve episódios de avanços e recuos em relação a questões ambientais e, neste momento, é marcado por um dos maiores recuos já vistos em sua história.

Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, no início de 2025, os cenários americano e global vêm sendo ameaçados com as investidas do presidente na exploração socioambiental, visto que Trump adota posturas contrárias às medidas defendidas pelas COPs e ESG. Em seus primeiros momentos de governo, o atual presidente dos Estados Unidos dedicou parte de seu discurso de vitória para incentivar o desmatamento, a extração de petróleo e gás natural, a partir do argumento “Temos mais ouro líquido do que qualquer país no mundo”.

Em estudo divulgado pela Carbon Brief, acredita-se que o governo de Donald Trump irá emitir bilhões de toneladas de carbono a mais que a gestão de Kamala Harris, sua concorrente nas eleições presidenciais em 2024, emitiria.

Uma das primeiras e mais marcantes ações de Trump já no início de seu segundo mandato foi a retirada dos EUA do Acordo de Paris, abdicando da participação americana nas negociações climáticas e agravando o cenário de combate à degradação ecossistêmica. Além disso, o atual líder político irá retomar o controle de agências de estudos científicos sobre a emissão de poluentes, impactando negativamente o estudo e a disseminação de dados sobre a quantidade exata de carbono que molda o efeito estufa.

Em meio a declarações polêmicas concedidas à mídia e aos seus seguidores, Donald Trump defende que os recursos naturais disponíveis no meio ambiente devem ser utilizados para o consumo e desenvolvimento econômico de países. No entanto, a exploração desenfreada proposta pelo presidente é responsável por intensificar a crise climática e causar prejuízos bilionários para a sua principal preocupação. 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO 2023), eventos climáticos extremos já causaram um prejuízo de R$ 3,8 trilhões de dólares nos últimos 30 anos, contrariando as ideias do presidente norte-americano.

Além de boicotar as medidas implementadas pelas Conferências das Partes, a gestão trumpista também atrapalha os avanços conquistados com o advento do ESG. Dentre as propostas para melhorar as atividades de uma empresa está a garantia de boas condições de trabalho, mas isto não está sendo observado nos Estados Unidos, já que trabalhadores imigrantes estão perdendo seus empregos e, em casos mais extremos, perdendo a cidadania e sendo deportados do país.

Diante deste cenário, a incerteza acerca do progresso socioambiental, e até mesmo a presença dos EUA na COP30, levam à estagnação dos avanços obtidos nas últimas décadas e causam a preocupação de se a relativização de questões socioambientais irá se popularizar em breve e colocar em xeque o futuro do planeta e da humanidade.

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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.

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Ana Ribeiro

Casper Libero '27

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Interessada por livros, escrita e no aprendizado contínuo sobre a sociedade, principalmente nos eixos político, cultural e educacional ;)