No momento em que acontece a formatura e o diploma chega às mãos, os recém-formados se deparam com a vida adulta. E, junto a isso, vêm os planos para o futuro, a ansiedade, o mercado de trabalho e o início de uma nova fase.
A conclusão da faculdade é o momento em que o novo profissional da área coloca em prática todo o conhecimento absorvido nos anos de curso, saindo do mundo acadêmico, de um modelo de vida estruturado, para uma realidade composta por diversas possibilidades e caminhos novos.
Mesmo sendo um símbolo de conquista, do início da realização profissional de cada um, o contato com o incerto e o desconhecido pode gerar sentimentos como ansiedade e medo, além de propiciar grandes mudanças e novas possibilidades de transformação de vida.
A saída do acadêmico e a entrada no mercado de trabalho
A ausência da rotina gerada pelos anos de graduação abre espaço, neste momento, para novas possibilidades, exigindo uma adaptação dos recém-formados e despertando sentimentos positivos, de liberdade, ou, às vezes, de angústia e falta de pertencimento.
Esta fase se inicia com o acúmulo de expectativas, de conseguir tudo que é almejado no início do curso, a carreira “dos sonhos”, que nem sempre é realista a ponto de ser alcançada logo após a formação. E esse choque é explicado. pela entrevistada Vitória Vitti Marcatto, psicoterapeuta e analista junguiana:
“Ao sair dessa “bolha universitária”, o jovem é chamado a entrar em contato com a realidade tal como ela se apresenta, com suas possibilidades, limites, frustrações e escolhas. É justamente nessa experiência que o amadurecimento pode acontecer”, explica Vitória.
Outra realidade deste período são as experiências profissionais, que abrem portas para ambientes diversos, além da procura por vagas de emprego e dos novos cenários e desafios do mercado de trabalho. De acordo com a pesquisa nacional, 69% dos recém-formados na graduação conseguem trabalho até um ano depois da formação, mas, junto a isso, vêm os desafios e o contato com a prática profissional.
Entre eles, está o ideal do empreendedorismo, ou o modo de vida do trabalho freelancer, que transmite a ideia de uma rotina independente, reduzindo o peso do trabalho convencional. Mas, para os profissionais recentemente inseridos no mercado, muitas vezes esses formatos causam ansiedade, e a falta de formalidade e de acesso aos ambientes corporativos influenciam o profissional. O fator mais válido para a construção de carreira é balancear o que mais encaixa nos objetivos pessoais, como relata a recém-formada em jornalismo Juliana Sanches:
“Estar no mercado de trabalho também envolve entender quais são as suas prioridades e, caso a posição em que você está não lhe faça bem, é muito válido repensar seus objetivos ou sua área de atuação“, diz a entrevistada.
A influência das redes sociais
Quando o assunto é o pós-encerramento da graduação, o sentimento de pressão externa e as comparações com vidas alheias estão presentes, principalmente com a influência da internet e das redes sociais em excesso nas rotinas das pessoas, com a alta exposição do cotidiano pessoal:
“As redes sociais intensificam a comparação constante ao divulgar recortes de trajetórias e, muitas vezes, falsas premissas sobre como alcançar o sucesso profissional, como se existisse uma espécie de ‘receita pronta’ para se destacar. Nesse contexto, a dúvida natural diante do futuro pode se transformar em cobrança, sentimentos de ineficiência, incapacidade e medo de não dar conta“, explica a psicóloga.
O olhar voltado para as conquistas do próximo tira o reconhecimento da pessoa pela sua trajetória, pelas suas conquistas, silenciando a clareza de cada um sobre sua realidade e seus desejos, visto que cada um tem seu próprio ideal de sucesso e planos para o futuro.
Entretanto, as redes sociais, na realidade de alguém que acabou de se formar, não possuem apenas o lado negativo, elas também servem como porta para motivar, colocar em prática e servir de apoio profissional, como no exemplo da jornalista entrevistada:
“Eu recomendaria tentar continuar exercendo o trabalho de comunicação por conta própria, e foi assim que comecei a gravar vídeos sobre cultura para o meu TikTok. Pode ser começar uma newsletter, criar um perfil nas redes sociais… Mesmo que você não seja remunerada por isso, é uma boa forma de aumentar seu portfólio e sentir que você está inserida no meio“, relata Juliana.
Dentro de uma mesma ferramenta, a internet, é possível usá-la a favor da construção profissional, até para inspiração e o estudo contínuo da profissão, sem que desencadeie sentimentos ruins.
O “e agora”
O momento de se deparar com a pergunta “e agora?” faz o novo profissional repensar em todos os âmbitos da sua vida, todas as possibilidades profissionais e todos os caminhos existentes. E, muitas vezes, vêm o sentimento de medo e a ansiedade pelo futuro, junto a todos os pensamentos:
“Transformar o medo em uma postura de aprendizagem contínua significa reconhecer que o início da carreira é também um tempo de experimentação, descoberta e construção, no qual errar faz parte do próprio processo de encontrar um caminho“, afirma Vitória Marcatto.
Esse sentimento tem muito significado, não é algo unicamente ruim, mas sim o símbolo de uma conquista. A conclusão de uma fase, e o início de outra, repleta de novos caminhos, mudanças e oportunidades. Ao ser visto com outros olhos, o medo carrega junto uma porta de possibilidades para serem exploradas, para servirem de impulso para aceitar o novo.
Esta fase é pessoal e acontece de forma diferente para cada pessoa, mas a importância de passar por ela e lidar da melhor forma possível, absorvendo todos os aprendizados e oportunidades que a acompanham, é universal, e por isso o conselho necessário de Juliana:
“O melhor conselho que eu posso dar é tentar se lembrar sempre de quem você é e do que você quer. Pode ser difícil enxergar uma solução para esses problemas quando você está vivendo eles, mas é muito importante também viver plenamente esses dias imperfeitos”.
O diploma é mais um passo para construir uma vida adulta, a qual é traçada aos poucos, não apenas com o lado profissional e a realização corporativa, mas também com a construção como pessoa, com novas experiências, a descoberta de novos gostos e as mudanças de hábitos.
O artigo acima foi editado por Luana Zanardi.
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