Her Campus Logo Her Campus Logo
Casper Libero | Culture

Dia Internacional da luta contra a homofobia – entenda a origem da data

Gabriela Mendes Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, celebrado anualmente em 17 de maio, é um marco fundamental na luta global pelos direitos humanos e pelo reconhecimento da dignidade das pessoas LGBTQIA+ . Comemora-se, nesta data, o combate à LGBTfobia, em virtude de uma decisão histórica que alterou o entendimento médico sobre a orientação sexual.

Marco histórico

Até maio de 1990, a homossexualidade era considerada uma doença ou um desvio psíquico, o que fundamentava internações e violências contra aqueles rotulados pelo termo “homossexualismo“. Em 1886, o sexólogo (médico) Richard von Krafft-Ebing incluiu a homossexualidade na lista internacional de doenças. Ele defendia que o sexo deveria ser puramente reprodutivo e que qualquer variação constituía uma patologia, servindo de base para discursos preconceituosos por décadas. 

A partir da década de 70, os movimentos LGBTQIA+ ganharam força, inclusive no Brasil. O país saía da ditadura militar e enfrentava a resistência antiautoritária frente ao militarismo da ditadura, vinda de pessoas LGBTQIA+, mulheres e negros. Naquela época, a sociedade ainda encarava casais homoafetivos sob um forte viés machista, tendo dificuldade em compreender relacionamentos com papéis igualitários entre pessoas do mesmo gênero. Por isso, uma onda de estudiosos começou a pesquisar sobre o assunto e esclarecer como essa forma de relacionamento se dava.

Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu remover a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID). Essa decisão representou um marco civil histórico para os direitos da comunidade, permitindo que a comunidade desfrutasse de maior dignidade. A substituição do termo “homossexualismo” para “homossexualidade” também simbolizou grande importância histórica, uma vez que o sufixo ismo indica patologia ou doença. A expressão, que sempre foi pejorativa, é retirada de uso para dar lugar a uma palavra que diz mais sobre quem a pessoa é, não algo que contraiu.

Por que a data é importante?

Mesmo após a mudança feita pela OMS, muitos reflexos desse pensamento ainda permanecem na sociedade. O preconceito continua presente em agressões, discursos discriminatórios e dificuldades enfrentadas por pessoas LGBTQIA+ em diferentes espaços. 

A data chama atenção para a importância da inclusão, do respeito e da garantia de direitos básicos. Também ajuda a ampliar discussões sobre diversidade e combater desinformações que ainda alimentam preconceitos. 

A pauta LGBTQIA+ já está na mesa: as pessoas frequentemente se deparam com casais ou carinhos homoafetivos, seja em novelas ou filmes, até na caminhada para o trabalho. Se há alguns anos era quase impossível ver personagens LGBTQIA+ em novelas do horário nobre, hoje essa presença é uma realidade na maior emissora do país. Contudo, apesar desses avanços na representatividade, a luta ainda está longe de terminar.

A luta é diária

Pelo 17º ano consecutivo, o Brasil permanece como o país que mais mata pessoas trans no mundo. Enquanto a humanidade debate Inteligência Artificial e avanços científicos, muitos cidadãos ainda lutam pelo direito básico à sobrevivência. 

A cada 34 horas uma pessoa LGBTQIA+ é morta no país, pelo simples fato de existir. A luta em questão é pela sobrevivência, é exigir a mediocridade do cotidiano (andar de mãos dadas com o seu parceiro, vestir roupas que quiser, frequentar lugares sem sentir medo, etc) que pessoas heteronormativas têm.

Somente em 2019 aconteceu a criminalização da homofobia e transfobia, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero deveriam ser enquadrados na Lei do Racismo (ou seja, inafiançável e imprescritível). Hoje, o Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas LGBTQIA+, de acordo com os dados do relatório anual do Grupo Gay da Bahia.

O 17 de maio existe para reafirmar que pessoas LGBTQIA+ não são portadoras de doenças ou anomalias. Embora a Constituição Brasileira estabeleça, no Artigo 5°, que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, muitas pessoas ainda enfrentam punições sociais severas pelo simples fato de existirem. Portanto, a data serve como um lembrete constante de que nenhum direito está totalmente garantido e que a mobilização deve ser contínua. 

________________________

O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.

Gostou desse tipo de conteúdo? Confira Her Campus Cásper Líbero para mais!

Gabriela Mendes

Casper Libero '28

Estudante de Jornalismo na Cásper Líbero apaixonada por filmes, música e boas histórias. Acredito na força da comunicação para construir um mundo melhor para todos.