O Dia do Jornalista é comemorado, anualmente, em sete de abril. A data, criada como um símbolo de resistência, não apenas homenageia os profissionais que trabalham com apuração de fatos, investigação e comentários objetivos, como contribui para o papel da profissão na luta a favor da democracia e da liberdade de expressão.
As mulheres, assim como em muitas profissões, eram consideradas invisíveis no jornalismo. Em um tempo não tão distante, para conseguirem publicar suas matérias ou romances, era necessário utilizarem de pseudônimos masculinos. A romancista francesa, Amandine Dupin, escreveu mais de 75 livros e em quase todos não assinou com o seu nome real e sim como George Sand. Hoje, após quase dois séculos, a autora é reconhecida por suas obras e considerada uma das principais escritoras do século 19.
Atualmente, a atuação das mulheres, assim como a dos homens, apresentam-se como fundamentais para essa profissão, uma vez que auxiliam o público feminino a se sentirem representados por alguém nas telas, ajudam a cobrir pautas associadas a temas que muitas garotas gostariam de ouvir e colaboram na luta pela igualdade de gênero no trabalho. A presença da sensibilidade do olhar feminino no cenário atual das redações é notável, contudo, ainda é atravessada por preconceitos que devem ser enfrentados.
Para celebrar essa data repleta de significado, a Her Campus separou abaixo algumas das mulheres brasileiras que são fundamentais para o jornalismo e transformaram os rumos dessa profissão.
1. Renata fan
Renata Fan é uma jornalista esportiva brasileira e uma das principais inspirações para garotas que gostariam de trabalhar com esportes. Começou sua carreira nos anos 90 como locutora esportiva de rádio e, logo no começo dos anos 2000, teve uma chance de trabalhar na Record TV na área de esportes. A jornalista foi então aprovada no teste e, junto com Milton Neves, apresentou dois programas esportivos.
Em 2007, entretanto, sua carreira foi acometida por uma grande transformação: Fan recebeu um convite da Band para comandar uma mesa redonda, em TV aberta, com o programa Jogo Aberto – uma das produções com maior alcance de audiência no país – consolidando-se, desse modo, como a primeira mulher brasileira a atingir este feito. Renata Fan, mesmo após 19 anos, continua determinada a provar que mulheres também podem dominar e entender sobre assuntos relacionados ao universo do futebol, e, por vezes, até mais do que figuras masculinas.
Assim, personalidades como Fan, passam a inspirar muitas garotas cujo sonho de se tornarem jornalistas esportivas permanece vivo.
2. Glória Maria
A carioca Glória Maria é sinônimo de luta e perfeição, chegando a conquistar a posição de uma das principais jornalistas do Brasil. Reconhecida mundialmente, a repórter construiu uma longa trajetória por cerca 50 anos, marcada, em especial, por trabalhos na emissora Globo, em programas como Fantástico, Jornal Hoje e Bom Dia Rio.
No decorrer de sua carreira, realizou coberturas de eventos históricos para o mundo, como a da Guerra das Malvinas, em 1982, que consistiu em um conflito armado entre a Inglaterra e an Argentina. Nele, a profissional obteve a oportunidade de atuar no ao vivo e relatar o cessar fogo do confronto.
Além disso, também cobriu os Jogos Olímpicos de Atlanta, ocorridos em 1996 e a Copa do Mundo de 1998. Apesar de ter estabelecido um renome dentro do campo profissional jornalístico, Maria – devido ao fato de ser uma mulher negra – enfrentou uma série de desafios na comunicação durante muitos anos, relativos tanto às questões raciais, por conta de seu tom de pele, como às misóginas.
Contudo, nada disso a impediu de realizar um trabalho responsável e humanizado, contribuindo para um movimento de incentivo à outras garotas negras que gostariam de trabalhar com o jornalismo.
Em 2023, a jornalista veio a falecer, aos 73 anos, em decorrência de um câncer de pulmão. Seu legado, porém, permanece eterno na memória de cada um dos brasileiros.
3. Gabriela Biló
A fotojornalista brasileira Gabriela Biló é conhecida por atuar principalmente na área política e, ao longo de sua carreira, já ganhou diversos prêmios. No começo de sua trajetória, trabalhou no Estado de S.Paulo e, atualmente, trabalha na cobertura dos acontecimentos do Senado, em Brasília, para a Folha de S.Paulo.
Sua primeira aparição como jornalista foi em 2013, cobrindo protestos na cidade de São Paulo, nos quais a população clamava por mudanças políticas, com melhorias no transporte, na saúde e na educação. Como resultado desse trabalho, Biló conquistou o seu primeiro prêmio como fotojornalista, o Prêmio Direitos Humanos, dado pela Assembleia Legislativa do Estado. Ao longo dos anos, no entanto, a fotojornalista passou a desenvolver seu trabalho em meio a efervescência política do Distrito Federal.
Chegou em Brasília em 2016, para apurar a entrada de Michel Temer no poder, após o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. E, após algum tempo, retornou para acompanhar a cobertura de Jair Bolsonaro na ocupação do cargo presidencial do Brasil e suas futuras consequências, resultantes de um governo atravessado pela desinformação e discursos violentos, como a escalada sem precedentes de óbitos provocados pelo vírus da Covid-19 no país.
Devido a ascensão das redes sociais, a comunicação mudou drasticamente em âmbito global, incitando a população a utilizar ferramentas que se tornaram indispensáveis na vida cotidiana. Com isso, surgiram debates acerca de cenários quanto ao futuro do fotojornalismo, envoltos por dúvidas sobre o fim da profissão.
Para Biló, a internet não veio para arruinar o seu trabalho, mas para revolucioná-lo: “Eu acredito que a internet é uma ferramenta de revolução, e a inteligência artificial é só mais uma ferramenta, não acho que ela veio para estragar nada.” . Dessa forma, a jornalista mostra que segue acreditando na continuação de seu trabalho e na importância de documentar momentos políticos históricos para o país.
Em 2024, Gabriela Biló foi coroada com um dos principais prêmios direcionados ao segmento composto por fotojornalistas na atualidade, o chamado World Press Photo.
4. Eliane Brum
Nascida em 1966, Eliane Brum é conhecida mundialmente por seus documentários, matérias e livros. Cobre há 25 anos na Amazônia e já ganhou cerca de 17 prêmios individuais, tanto nacionais quanto internacionais, sendo uma inspiração para quem quer se tornar repórter.
Ao retratar de forma sensível assuntos invisibilizados na sociedade e que muitos jornalistas não correm atrás, Brum coloca em evidência a importância de contar histórias de indivíduos concentrados à margem do ambiente social. Durante sua trajetória, trabalhou em jornais consagrados, como o Zero Hora, de sua cidade natal (Porto Alegre) e na Revista Época, em São Paulo. Além disso, também dedicou-se ao trabalho em projetos de longo prazo, voltados para as populações da periferia e residentes da região Amazônica.
Ao longo de seus oito livros-reportagem produzidos, Brum debruça-se sobre temas que refletem a relação humana aliada ao contato com a natureza. A partir disso, ela inicia um papel de defensora dos povos que habitam em áreas ameaçadas e que, muitas vezes, são invisíveis aos olhos da sociedade.
Um exemplo disso, é seu livro A Vida que Ninguém Vê, publicado em 2006, cuja narrativa aborda histórias reais do cotidiano, as quais, muitas vezes, não são retratadas nos grandes veículos jornalísticos.
5. Maju Coutinho
Maria Júlia Coutinho é uma jornalista que ficou conhecida por ser “a garota do tempo” em diversos telejornais. Ela alcançou um marco histórico em fevereiro de 2019 ao se tornar a primeira mulher negra a apresentar o Jornal Nacional.
Coutinho começou a sua carreira como estagiária na TV Cultura e levou alguns anos até se tornar repórter. Em 2007, a jornalista foi contratada pela TV Globo para cobrir telejornais locais de São Paulo, no entanto, não demorou para transicionar de cargo dentro da empresa, logo iniciando a atividade pela qual ganhou reconhecimento: noticiar as previsões do tempo durante o Jornal Nacional. Hoje, Maju Coutinho trabalha como apresentadora do Fantástico, programa jornalístico que passa aos domingos na Rede Globo.
Em 2015, a jornalista foi vítima de comentários racistas colocados no Facebook. Seus companheiros William Bonner e Renata Vasconcellos a apoiaram em um vídeo postado com um cartaz #SomosTodosMaju. O acontecimento expõe uma questão que, embora seja categorizada como crime, ainda permanece presente na vida de jornalistas negras: o racismo estrutural no Brasil.
Apesar dos desafios, Maju Coutinho se mantém determinada a ser um exemplo no ramo, lutando para que isso não a impeça de exercer o seu trabalho e, junto a isso, atuando como uma figura de inspiração para outras mulheres.
O artigo abaixo editado por Nefertiti Beckman.
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