Grande parte das estudantes de jornalismo sonham com o momento em que finalmente saberão na prática como é ser uma jornalista. Vivemos pela expectativa de alguns minutos realizando uma entrevista ou até de algumas horas cobrindo eventos culturais. No nosso caso, duas veteranas, uma no quarto semestre e a outra no sexto, um desses momentos foi cobrir a pré-estreia do filme Cyclone.
A oportunidade chegou pelo grupo da Her Campus Cásper Líbero, e, naquela terça-feira, 11 de novembro, foi como se o sonho do jornalismo tivesse se tornado real. Chegando a um dos prédios históricos mais marcantes da cidade, o centenário Theatro Municipal fez com que essa experiência se tornasse ainda mais especial e glamourosa.
Às seis da tarde, entramos pela porta de imprensa e, pouco tempo depois, já vimos a Flávia Castro, diretora do filme, dando uma entrevista. Conforme o tempo foi passando, quando os atores e atrizes começaram a chegar, foi como se a experiência fosse tomando corpo, tornando-se cada vez mais palpável. A chance de conseguirmos entrevistas não era garantida, mas a persistência é um dos papéis do jornalista e, por isso, fomos pedir à assessoria uma pergunta à Flávia e aos atores.
Ao estarmos frente a frente com a diretora, era difícil nos concentrar em dizer todo o necessário. Primeiro, agradecer; depois, lembrar exatamente da pergunta montada previamente.
“Como foi, para vocês, mergulhar na São Paulo dos anos 1920 e dar vida a personagens que transitam entre a arte e as tensões sociais da época?”
Ela respondeu brevemente, mas de maneira inspiradora: exaltou que as mulheres vivenciavam outra realidade naquela época. “Quer dizer, ela tinha que pedir a autorização do pai ou do marido pra conseguir sair do país”.
Eduardo Moscovis dispensa apresentações. Pelo menos para nós, duas apaixonadas por novelas (em específico, as antigas), era surreal estar na frente dele a trabalho, já prontinhas para o fazer a mesma pergunta.
Como resposta, o ator explicou: “A gente tem sempre uma ajuda para entrar, para chegar nesse lugar. Tem o figurino, a ambientação, o estudo e o lugar, que é onde estamos agora, o Theatro Municipal. Essa combinação nos inspira, e torna mais fácil de sentirmos a atuação. E assim, para me facilitar, o meu personagem é um diretor de teatro. Então, eu estava muito bem, tranquilo, vivendo e convivendo em um lugar que eu gosto de habitar. Foi muito bom.”
Apesar de uma hora de coletiva parecer muito, o tempo passou voando. Além de nós, dezenas de profissionais tentavam conseguir entrevistas com os atores ao mesmo tempo. Por isso, conseguimos apenas duas aspas, mas com respostas incríveis e de pessoas importantes para a criação e o desenvolvimento do filme.
Tocava o terceiro sino quando nos dirigimos à suíte do Theatro. Com todos a postos, antes do filme começar, o elenco subiu ao palco. Após algumas palavras de todos, já pairava no ar a emoção que daria cara ao filme: de que todas as mulheres alí se veriam, de certa maneira, na Cyclone. Uma mulher da arte, que sonhava em muito mais do que a era permitido na época. Todas aquelas mulheres no palco eram, também, um pouco Cyclone. Separadas por um século e algumas décadas, demonstram a mesma grandeza de Deysi. Só tiveram a escolha de exercer a grandeza sem tantos percalços.
Para nós, o evento foi espetacular, realmente um sonho realizado. Mas o mais interessante é que, como nossa primeira experiência, descobrimos no instante da entrevista inicial que não basta só realizar a pergunta: é necessário tentar a sorte em conseguir falar com o ator por no máximo três minutos; é torcer para que o microfone não pare de funcionar no meio da entrevista; é pensar em um melhor ângulo e luz para gravar tudo ali pelo celular. Esse papel do jornalista é a parte “não planejada”, a parte que foge do nosso controle, mas que, no fim, faz todo o trabalho valer a pena.
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O texto acima foi editado por Juliana Sanches.
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