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Crise de imagem e de pauta: A difícil travessia da direita brasileira na arena política 

Ana Azeredo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

A direita e a extrema-direita brasileiras atravessam um período de intensa turbulência e redefinição, lutando para manter a coesão e o apelo popular que definiram seu auge anos atrás. Se antes o bolsonarismo canalizava o descontentamento e mobilizava multidões, hoje o campo enfrenta um desgaste multifacetado: crises internacionais, a inegibilidade de sua principal liderança e um notável desalinhamento com a opinião pública em votações-chave no Congresso.

O Tsunami de Taxas e Sanções dos EUA 

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Tarifa para o Brasil – A carta que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou nesta quarta-feira (9) ao presidente Lula mistura alegações comerciais e políticas para impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A nova taxa deverá entrar em vigor em 1º de agosto. A abertura da carta é política: ao justificar a elevação da tarifa sobre o Brasil, Trump citou Jair Bolsonaro e disse ser “uma vergonha internacional” o julgamento do ex-presidente no STF. No documento, o republicano afirmou, sem provas, que a decisão de aumentar a taxa foi tomada “em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”. Foto de capa: WIN MCNAMEE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP Veja mais clicando em ‘leia o artigo’ #g1 #g1economia #donaldtrump #tarifa #eua #lula #tiktoknotícias

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Um dos abalos mais significativos veio da arena internacional. A decisão do governo de Donald Trump de impor uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros, justificada, em parte, pelo tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil, criou um imenso constrangimento. Além do tarifaço, as sanções aplicadas pelos EUA a autoridades e ministros brasileiros, chegando ao seu ápice com a imposição da Lei Magnitsky ao Ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, representaram um ataque direto à soberania nacional e ao sistema democrático do país. 

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Presidente Lula discursa na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque.

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Embora o governo Lula tenha reagido diplomaticamente, iniciando negociações para reverter as medidas, o presidente ainda assim reafirmou a soberania brasileira. Por outro lado, o episódio expôs uma vulnerabilidade crítica da direita: sua dependência e alinhamento incondicional com a política externa de Trump não se traduziram em proteção, mas sim em crise econômica e política para o Brasil. Em um cenário polarizado, a defesa das sanções por parte de alguns expoentes da oposição gerou uma imagem de pouco compromisso com o interesse nacional.

Bolsonaro Perde o Capital, o Movimento Perde o Fôlego 

O panorama interno não é menos desafiador. A condenação e a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, que o afastaram da disputa eleitoral até 2030 – e em outros processos, como a condenação na trama golpista, até 2060, segundo a Agência Brasil – representaram um golpe para o capital político da direita. Sem seu principal líder no pleito, a extrema-direita se vê obrigada a buscar novas figuras, o que tem gerado disputas internas e uma perda de foco estratégico, como apontam analistas. 

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Dia 11 de setembro de 2025, 24 anos atrás, os atentados às torres gêmeas, todos os atentados terroristas que deixaram o mundo perplexo nos Estados Unidos. Se voltarmos um pouquinho mais na história, 1973, num 11 de setembro, o general Augusto Pinochet saiu vencedor de um golpe de Estado que submeteu o Chile a uma ditadura longa. E neste 11 de setembro de 2025, Jair Messias Bolsonaro se torna o primeiro ex-presidente da República Federativa do Brasil, condenado por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. #tramagolpista #jairbolsonaro #11desetembro #JN #tiktoknotícias #g1

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Em paralelo, a força das manifestações de rua tem diminuído. As grandes concentrações que marcavam o cenário político nos anos anteriores minguaram, indicando uma desmobilização da base de apoio. Cientistas políticos, como Priscila Lapa, avaliam que “Bolsonaro foi se enfraquecendo” e que a maior parte da população “estava favorável à atuação do governo Lula” após o desfecho de casos judiciais importantes, sinalizando uma mudança no humor popular. 

O Descompasso com a Opinião Pública no Congresso 

Talvez o fator mais corrosivo para o apelo popular da direita tenha sido o seu comportamento recente no Congresso Nacional. Parlamentares identificados com o campo têm votado a favor de pautas que geraram intensa repulsa popular, afastando o eleitorado que valoriza a moralidade e o combate à corrupção. 

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🎧 O Assunto – Quais as consequências se a PEC da Blindagem passar no Congresso? Em conversa com NatuzaNery, o cientista político e professor da FGV, Claudio Couto, explica os cenários. Você pode ouvir #OAssunto no g1, no YouTube ou em sua plataforma de áudio preferida.

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  • A PEC da Blindagem: O apoio em peso à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que buscava ampliar o foro privilegiado para parlamentares e autoridades federais e, de certa forma, blindar os políticos de investigações criminais foi amplamente rejeitado nas ruas, ganhando o apelido de “PEC da Bandidagem“. Embora a proposta tenha sido derrubada por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado – impulsionada pela pressão popular – o voto favorável de muitos deputados da direita na Câmara deixou uma marca negativa. 
  • A Anistia: A articulação para aprovar uma proposta de anistia ou de redução de penas para condenados por atos antidemocráticos (como os de 8 de janeiro) também mobilizou protestos em todo o país, com o mote “Congresso Inimigo do Povo”. O principal objetivo da proposta era anistiar Bolsonaro e toda a considerada “Alta Cúpula do Golpe” condenada junto ao ex-presidente em 12 de setembro. 
  • Veto ao IR dos Ricos: Outro ponto de atrito foi o apoio ao veto presidencial, ou então a derrubada da proposta de aumento do Imposto de Renda (IR) para os super-ricos através dos votos na própria Câmara dos Deputados. Já que essa é uma medida que, para a maioria da população, representa um avanço na justiça fiscal. 

Ao priorizar pautas corporativas e de interesse próprio, a direita brasileira se vê cada vez mais distante do discurso anticorrupção e “antipolítica” que a levou ao poder. A crise atual, portanto, é menos sobre ideologia e mais sobre a incapacidade de transformar o capital político de anos anteriores em uma plataforma legislativa coerente com as demandas de seu próprio eleitorado. 

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O artigo abaixo editado por Marcele Dias.

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Ana Azeredo

Casper Libero '29

Nascida no interior de São Paulo,em uma cidade conhecida pelos bons ares, me mudei para a capital há pouco tempo com o intuito de vivenciar a carreira de jornalista, e sigo como paulistana desde então.
A vida no interior me proporcionou experiências de tranquilidade que eu acredito que sejam inexistentes no local mais sereno de São Paulo, mas o constante movimento de pessoas e informações é estranhamente cativante, me sinto assistindo a uma exposição de arte a céu aberto, talvez circundada por ares demasiadamente poluídos, mas a cultura aqui é, de fato, viva e presente.
O caos e a diversidade da cidade resumem meus maiores interesses profissionais, como política, cultura e entretenimento.
Pessoalmente, a escrita me traz pertencimento e repertório em âmbito social, afinal, a comunicação influencia diretamente na maneira como vemos o mundo e reagimos a ele. Sendo assim, minhas vivências se resumem a diferentes formas de comunicação, como filmes, fotos e músicas que me acolhem e marcam cada momento.
Nas reuniões escolares, meus pais ouviam frases prontas como, "ela é boa, mas fala bastante", tais apontamentos poderiam ter me trazido malefícios, mas hoje em dia, diante da crescente desinformação, querer me comunicar e absorver informações corretamente propicia clareza a uma esfera social, majoritariamente, turva.
Acredito também que o dinamismo presente no diálogo entre escritor e leitor é transformador e nós somos, de fato, metamorfoses ambulantes.