Conheça Clairo, A Cantora Por Trás Do Hit 'Sofia'

Claire Elizabeth Cottrill, conhecida artisticamente como Clairo, tem 22 anos e aos 13 já postava covers em suas redes sociais produzidos com o gravador de seu celular e computador, lugares onde a cantora e compositora fazia suas produções sozinha. A artista que nasceu em Atlanta (EUA), e cresceu em Massachusetts, tem como sua música de mais sucesso “Sofia”, de seu último álbum “Immunity”, que bombou no TikTok e tem quase 247 milhões de reproduções no Spotify, e alcançou, em 2020, o Hot 100 da Billboard. Porém, Cottrill vai muito além do aplicativo.

Apesar de ser chamada de “industry plant”, o que significa ser “plantada” na indústria musical por alguém, pois seu pai é Geoff Cottrill, famoso empresário de marketing, Clairo não se deixou afetar pelos comentários. Aos 13 anos, ela gravou um cover do Maroon 5 e em entrevista para a revista online americana “Rookie”, disse que estava muito nervosa e apenas fechou seus olhos, postou no Facebook e fechou o computador, para esquecer o que havia feito.

Porém, depois desse momento, a artista passou a postar suas músicas autorais e covers acústicos no Bandcamp e SoundCloud, tocando teclado e violão, instrumentos que aprendeu a tocar sozinha, usando também o nome “DJ Baby Benz”. Algumas das canções ainda estão disponíveis nas plataformas. Cottrill teve seu primeiro contato com experiência profissional com a MTV, que a contratou para gravar uma música que, apesar de não usada, seria o som de fundo dos shows do canal.

Print of Clairo Spotify Account Spotify / FADER Label

  1. 1. De anônima para “Pretty Girl”

    Em entrevista dada para a revista nova-iorquina “The Fader”, em 2017, quando Cottrill ainda estudava, já que abandonou a escola para realizar um curso de música na Syracuse University, ela disse que às vezes sentia que era como a Hannah Montana, vivia uma vida normal e fechada na escola e era uma cantora fora dela. Já no curso, a artista conheceu seus melhores amigos, que a ajudaram a entender sobre ela mesma. Clairo usou o Youtube como o seu “lugarzinho secreto”, onde era uma pessoa diferente de sua estudante. Porém, seu vídeo de “Pretty Girl” viralizou em 2017, e hoje possui mais de 73 milhões de visualizações na plataforma.

    Clairo disse que levou aproximadamente duas horas para gravar a música e no máximo meia hora para o clipe. Para ela, tinha sido um momento estúpido, mas foi o que gerou o seu sucesso, que antes parecia impossível, mesmo com a sua determinação. O vídeo, gravado pela câmera de um MacBook, mostra a compositora em seu quarto, sentada na cama, em um dia terrível que, segundo ela, seu cabelo e pele estavam nojentos, não havia tirado a maquiagem do dia anterior, não tinha roupa para colocar e estava difícil para se olhar no espelho.

    A artista viu ali o dia perfeito para fazer o vídeo-clipe e para mostrar que não precisava desses detalhes para ser quem ela é. Clairo fala sobre um relacionamento passado em que ela sentia a necessidade de ser outra pessoa para agradar e ser perfeita para o outro, na letra da música ela diz “Eu poderia ser uma garota bonita // Calar a boca quando você quiser // Eu vou me perder em você” e alguns trechos depois, mostra sua mudança com “Eu era tão tola // Estou sozinha agora, mas é melhor para mim." Dessa forma, Cottrill mostrou a importância das pessoas serem confiantes antes do início de um relacionamento.

  2. 2. Suas influências

    Clairo mistura os estilos lo-fi, bedroom pop e indie pop, com uma pegada dos anos 80, como mostra em “Pretty Girl”. O gosto por músicas dessa época veio de sua mãe, que ouvia com ela músicas alternativas de bandas como The Shins, Cocteau Twins, Trashcan Sinatras, The The e Public Image Ltd. Algumas das inspirações da artista são Norah James, Frankie Cosmos, BrockHampton e Grimes. Além disso, crescer com a influência do gosto de seu pai com o R&B e Soul, enquanto sua mãe gostava de músicas alternativas, também foi importante, pois na sua música tem uma mistura de tudo.

    Tame Impala também é uma inspiração para Clairo e, em 2020, ela teve a oportunidade de abrir os shows da banda com o MGMT. Por causa da pandemia, a tour foi cancelada, porém há um vídeo no canal do Youtube da cantora que mostra o “tour diary”. Ela também abriu shows como da cantora Dua Lipa e participou de grandes festivais como o Lollapalooza e Coachella.

    A turnê do último álbum de Cottrill se chamou “Immunity Tour” e foi aberta com shows de suas amigas beabaadoobee e Hello Yello!. Uma de suas tours, chamada “Lazy Days", passou pelo Brasil em 2018. Atualmente, Clairo posta fotos no estúdio em seu Instagram, e os fãs esperam ansiosamente pelo comeback.

    Além de a inspirar com as músicas, a mãe de Clairo ouvia da menina coisas horríveis sobre ela mesma. A falta de confiança, de como ela não gostava de como era e parecia, fizeram a mãe dizer para a garota que ela não diria aquilo para a sua própria versão de 9 anos de idade, se não, iria ferir os sentimentos da criança sendo uma idiota e fazê-la chorar. Por isso, Clairo diz que olha para todas as pessoas como crianças de 9 anos, incluindo ela mesma, e que aprendeu a tratar todos com gentileza. “Falar mal sobre os outros e você mesmo não te leva a lugar nenhum."

  3. 3. Seus álbuns e bissexualidade

    A música, e mais seis faixas como “Flaming Hot Cheetos” e “Hello?” fazem parte de seu primeiro álbum lançado em 2018, chamado “diary 001”. Nele, se apresenta seis faixas, e é como um diário em que Clairo fala sobre relacionamentos, experiências e sentimentos pessoais, assim como ela fez em seu segundo álbum “Immunity” (2019), que também contou sobre relações e experiências tristes e felizes. Porém, nele, ela conta seu processo de gostar de mulheres. Ela também lançou alguns singles como “Bubble Gum”, de 2019, com quase 115 milhões de reproduções no Spotify. Após se abrir ao público, a cantora disse à revista “Them” que está mais calma e em paz, e que isso melhorou até em sua escrita, que agora fala sobre coisas importantes e que a ajudaram a crescer.

    Em maio de 2018, Cottrill se assumiu bissexual por um tweet e em músicas como “Sofia”, a artista fala sobre sua autodescoberta. Em entrevista para a revista britânica “New Musical Express”, ela disse que a canção foi inspirada pelas atrizes Sofia Coppola e Vergara, que Clairo conta ter sentido crush. Segunda ela, o dia que recebeu a demo de volta ficou marcado, porque depois de toda luta e ansiedade, ela percebeu que finalmente tinha conseguido falar sobre o assunto e que tinha dado certo. Porém, a cantora fica assustada com o tamanho da exposição e não quer que sua bissexualidade a coloque em uma caixa que a define como algo, como acontece com muitos artistas LGBTQIA+.

    Ao gravar o álbum, ela também estava interessada em músicas possíveis de se identificar a história através apenas do instrumental. Como acontece em “Sofia”, que a partir dos sons “explosivos”, vocaliza sentimentos que guardava para ela mesma. A partir do auto-tune, ela representa a comunicação e obstáculos que bloqueiam a troca nos relacionamentos. Já em faixas como “Sinking” e “I Wouldn´t Ask You”, ela conta sobre sua artrite reumatoide, doença que mudou a forma dela se enxergar por um tempo, a deixando ainda mais insegura, dependente e com a sensação de ser pior que os outros.

  4. 4. Features

    Clairo faz constantemente parcerias com outros artistas, alguns exemplos são Charli XCX, Cuco, SG Lewis e a banda Wallows, com a música “Are You Bored Yet?” com quase 350 milhões de streams no Spotify. Durante a pandemia, Clairo criou uma banda chamada “Shelly” com seus melhores amigos Claud, Josh e Noa e estreou duas músicas chamadas “Steeeam” e “Natural”, gravadas durante a quarentena em Los Angeles, Chicago, Houston e Atlanta, segundo post em seu Instagram.

As músicas de Clairo trazem conforto e fazem as pessoas se identificarem com suas questões intimistas, além de parecer que o ouvinte é levado para o quarto e ambiente caseiro da artista por conta das batidas e tons das canções. Cottrill diz querer uma relação como de uma amizade com quem a ouve. “Tudo que eu quero é fornecer para meus fãs, especialmente se eles estão lidando com a sexualidade ou saúde mental, um espaço positivo: um lugar para eles se sentirem como se pudessem fazer qualquer coisa. Eu quero encorajar pessoas jovens a usar esses recursos. Está tudo bem pedir ajuda. Eu quero inspirar meus fãs a realmente aceitarem quem são”.

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The article above was edited by Mariana Miranda Pacheco.

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