Brasil 70: A Saga do Tri chegou um pouco antes da Copa do Mundo de 2026, relembrando uma das maiores conquistas do Brasil no esporte e trazendo de volta a memória do “esquadrão”, uma geração que marcou o futebol mundial.
A produção apresenta detalhes da trajetória da equipe brasileira durante o Mundial de 1970, no México, mostrando desde os bastidores da preparação até os momentos decisivos dentro de campo. A minissérie também destaca a atuação dos jogadores que fizeram parte de uma das seleções mais lembradas da história, como Pelé, além da construção do time que conquistou o terceiro título mundial do país.
Os atores por trás da história
Para reviver essa conquista histórica, a produção aposta em um elenco que mistura experiência e novos talentos, dando vida a personagens que fizeram parte de um dos momentos mais marcantes do futebol brasileiro.
Entre os destaques está Lucas Agrícola, que interpreta Pelé em seu primeiro grande papel como ator, assumindo a responsabilidade de representar uma das maiores figuras da história do futebol brasileiro. Ao seu lado, Rodrigo Santoro dá vida a João “Sem-Medo” Saldanha, trazendo sua experiência para interpretar uma figura importante na trajetória da Seleção. Bruno Mazzeo também se destaca ao interpretar Mário Jorge Lobo Zagallo, um dos grandes nomes da história do futebol nacional.
Além desses personagens centrais, a produção conta com outros atores que contribuem para reconstruir a atmosfera da época e dar vida aos bastidores da conquista do tricampeonato.
Um dos fatores mais interessantes da produção é a aposta em atores que ainda não possuem uma trajetória tão consolidada na televisão. A escolha de Lucas Agrícola para interpretar Pelé, por exemplo, era arriscada por se tratar de uma das figuras mais importantes da história do esporte, mas a atuação do ator contribui para que o personagem seja convincente ao longo da narrativa.
A pressão antes do Tri
Entre dramatizações e imagens históricas, uma coisa é certa: o Brasil foi a primeira seleção a conquistar o tricampeonato mundial, além de ser a primeira a alcançar o tetracampeonato e a única pentacampeã da história da Copa do Mundo.
A conquista de 1970 se tornou um dos maiores orgulhos do futebol brasileiro e, como retratado pela série, carregava uma grande pressão sobre aquele elenco. A Seleção chegava ao Mundial do México cercada de expectativas, principalmente por contar com jogadores que já haviam marcado seus nomes na história do país.
O fato de Pelé não ter jogado nenhuma das outras Copas de forma completa, assumindo o protagonismo, ajudou a construir a narrativa de que ele ainda precisava provar que conseguiria conquistar uma Copa do Mundo sendo o grande craque que todos esperavam. Mas esse não era o único “fantasma” que cercava a Seleção de 70, outros fatores também colocavam em dúvida a possibilidade de um novo título mundial.
Maracanaço
Na semifinal, aconteceu algo que jogadores e torcedores brasileiros temiam: enfrentar o Uruguai novamente em uma Copa do Mundo. O reencontro reabre a lembrança do Maracanaço de 1950, uma das derrotas mais traumáticas da história do futebol brasileiro.
Mas, em 70, a história seria diferente. Dessa vez, a técnica e a confiança estavam ao lado do Brasil. Na semifinal, o clima era de tensão mas, no fim, o Brasil fez aquilo que se esperava e venceu por 3 a 1.
Essa foi uma das sequências que mais me envolveu durante a série. Mesmo conhecendo o resultado da partida, a produção consegue transmitir a tensão do jogo e a sensação de alívio quando o Brasil assume o controle da semifinal.
Contexto histórico
Outro ponto que ganha destaque na série é a relação entre futebol e política durante a conquista do tri. A produção explora a forma como a imagem de Pelé foi utilizada naquele período, mostrando também os debates em torno da postura do jogador diante do cenário político brasileiro.
Embora a série apresente Pelé como alguém relativamente distante das questões políticas, essa foi uma das escolhas narrativas que mais me fez refletir. Em alguns momentos, a representação do jogador pode parecer simplificada diante da relevância que ele possuía dentro e fora dos gramados. Ainda assim, a abordagem contribui para levantar discussões importantes sobre a relação entre esporte e política.
Na obra, João “Sem-Medo”, jornalista e ex-técnico da Seleção Brasileira, aparece questionando a relação de Pelé com a realidade política do país, sugerindo que o jogador estaria sendo associado à campanha de imagem construída pelo governo militar.
A situação deste personagem é especialmente marcante, já que a série mostra a pressão sofrida pelo jornalista ao perceber que sua família estava sendo perseguida. Mesmo diante desse cenário, o futebol continuava sendo visto como uma fonte de esperança e alegria em um momento difícil para o país.
Na minha visão, esse é um dos pontos mais fortes da minissérie. A produção não trata a ditadura apenas como um detalhe histórico, mas mostra como o contexto político influenciava a vida dos jogadores, da comissão técnica e da população brasileira durante aquele período.
Enquanto a maior competição esportiva do mundo acontecia nos gramados do México, o Brasil vivia um período marcado pela repressão política. Durante a ditadura, opositores do governo eram perseguidos, a liberdade de expressão era limitada e manifestações contrárias ao regime eram reprimidas.
Ficção x Realidade
A série retratou de forma muito leal aspectos como a atmosfera, os sentimentos e as dificuldades em torno da conquista, mas houve momentos de dramatização.
“A pressão feita por Pelé e outros jogadores para Zagallo me escalar não foi explícita como mostra a série. Se houve pressão, foi silenciosa, pelo olhar, nas entrelinhas e nas conversas ao pé do ouvido.” Um dos craques daquele elenco, Tostão, afirmou que algumas situações foram dramatizadas para efeito narrativo.
Apesar das adaptações feitas para tornar a narrativa mais dinâmica, a série consegue preservar a essência dos acontecimentos e dos personagens. As dramatizações ajudam a construir o envolvimento emocional sem comprometer a compreensão do contexto histórico.
A série também recria uma das imagens mais emblemáticas da história do futebol: Pelé (Lucas Agrícola) sendo carregado pelos companheiros após a conquista do tricampeonato. A fotografia se tornou um dos maiores símbolos daquela campanha.
Mais do que um título, uma memória
Brasil 70: A Saga do Tri vai além da simples reconstrução de uma conquista esportiva. A minissérie resgata os bastidores, os desafios e as emoções de uma geração que marcou para sempre a história do futebol brasileiro. Ao misturar imagens históricas e dramatizações, a produção apresenta não apenas os momentos de glória, mas também as pressões e os contextos que cercavam aquele time.
Mesmo com algumas liberdades narrativas, a obra consegue transmitir o peso simbólico daquele tricampeonato e mostrar por que a Seleção de 1970 continua sendo lembrada como uma das maiores da história. Mais do que reviver uma taça, a série relembra uma época em que o futebol representava sonhos, orgulho e identidade para milhões de brasileiros.
_________________
O artigo acima foi editado por Beatriz Martins.
Gosta desse tipo de conteúdo? Confira a página inicial da Her Campus Cásper Líbero para mais!