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Casper Libero | Culture

Backrooms: Um Não-Lugar prova que a internet ainda sabe criar bons monstros

Bruna Gabriela Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Quando uma imagem simples de corredores amarelos e iluminação fluorescente apareceu em um fórum da internet em 2019, ninguém imaginava que aquilo se transformaria em um dos maiores fenômenos do terror online. Conhecido como The Backrooms, o conceito dos espaços infinitos, vazios e estranhamente familiares rapidamente se espalhou pelas redes sociais, inspirando vídeos, jogos, teorias e uma mitologia construída coletivamente por milhões de usuários.

Da internet para o cinema

Agora, essa lenda digital chega aos cinemas com Backrooms: Um Não-Lugar, longa dirigido por Kane Parsons, criador da série de vídeos que ajudou a popularizar o universo dos Backrooms. E o resultado não apenas conquistou os fãs da história original, como também se tornou um fenômeno de bilheteria. Em seu primeiro fim de semana, o filme arrecadou cerca de US$118 milhões mundialmente, registrando a maior estreia da história da A24 e uma das maiores aberturas já vistas para um filme de terror original. O desempenho confirma algo que a indústria vem percebendo há alguns anos: histórias nascidas na internet já não são mais apenas nicho, mas parte importante da cultura contemporânea.

Antes mesmo de entrar na sala de cinema, minhas expectativas eram altas. Talvez porque o projeto estivesse nas mãos de um diretor da Geração Z, talvez porque o trailer já deixasse claro que a proposta seria diferente do terror mais convencional. Eu esperava algo estranho, desconfortável e visualmente marcante. Felizmente, o filme entrega exatamente isso.

Uma estética que inquieta e fascina 

A fotografia é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes da produção. Os planos abertos criam momentos de respiro enquanto os enquadramentos inclinados e ângulos incomuns geram uma sensação constante de desconforto. Em alguns momentos, a estética me lembrou bastante Midsommar. Não porque os filmes sejam parecidos narrativamente, mas porque ambos conseguem transformar imagens inquietantes em algo quase bonito. Existe uma sensação estranha de conforto visual ao mesmo tempo em que tudo parece errado.

A trilha sonora também merece destaque. Ela trabalha junto da fotografia para construir uma atmosfera que causa aquela sensação de “gastura” que todo bom terror psicológico procura provocar. Em vez de depender apenas de sustos rápidos, o filme aposta na tensão constante. O roteiro é outro acerto. A história distribui pistas ao longo da narrativa sobre a natureza dos Backrooms sem entregar respostas fáceis. Existe um mistério permanente que mantém o espectador curioso até os momentos finais. Ao mesmo tempo, o filme encontra espaço para desenvolver seus personagens de forma cuidadosa.

Uma das surpresas está justamente na construção de uma personagem que, em um primeiro momento, parece ter pouca relevância para a trama. Conforme a narrativa avança, seus flashbacks revelam experiências que ajudam a explicar sua força e seu papel dentro da história. É uma escolha que acrescenta profundidade emocional sem comprometer o ritmo.

Atuações que elevam a experiência 

O elenco acompanha a qualidade do roteiro. Chiwetel Ejiofor entrega uma atuação impressionante ao interpretar um personagem que muda gradualmente diante dos olhos do público. O mais interessante é como o seu próprio Backroom parece funcionar como um reflexo dos conflitos que carrega internamente. Seus medos, obsessões e fragilidades ganham forma dentro daquele espaço impossível. Lukita Maxwell também se destaca. Sua atuação transmite emoção sem exageros e faz com que a personagem pareça uma das figuras mais sensatas da trama. Já Renate Reinsve prova mais uma vez sua capacidade de comunicar muito através de pequenos gestos e expressões, carregando parte do peso dramático da história quase sem precisar de grandes discursos.

Uma menção especial também vai para Avan Jogia. Mesmo aparecendo menos do que eu gostaria, sua participação ajuda a construir uma atmosfera perturbadora desde os primeiros momentos do filme.

O longa não busca agradar a todos 

Mas talvez o aspecto mais interessante de Backrooms: Um Não-Lugar seja o fato de que ele não tenta agradar todo mundo. É um filme que exige atenção, interpretação e disposição para embarcar em uma narrativa que nem sempre oferece respostas imediatas. Conhecer a lenda original certamente ajuda, especialmente para compreender algumas referências e simbolismos presentes na história.

Essa característica provavelmente vai dividir opiniões. Assisti ao filme acompanhada de alguém que saiu da sessão detestando a experiência, enquanto eu saí completamente envolvida por ela. E talvez esse seja justamente o melhor resumo possível: Backrooms não é um terror universal, mas um filme que conversa diretamente com quem gosta de analisar o que está vendo e montar o quebra-cabeça por conta própria.

Outro ponto que merece elogios é o cuidado técnico da produção. A ambientação dos anos 1990 é extremamente convincente, com figurinos e direção de arte que ajudam a tornar aquele universo mais crível. Existe uma atenção aos detalhes que reforça a sensação de que aqueles acontecimentos poderiam ter sido registrados de verdade. Isso me lembrou uma característica que admiro em muitos projetos da A24: o compromisso em criar terrores que parecem possíveis. Assim como acontece em outros títulos do estúdio, o medo não nasce apenas de monstros ou sustos, mas da sensação inquietante de que algo parecido poderia existir em algum lugar do mundo.

E falando em sustos, o filme conseguiu algo raro: me assustar de verdade. Em uma época em que muitos filmes de terror apostam apenas em jumpscares previsíveis, Backrooms constrói tensão de forma paciente e inteligente. Quando os momentos de choque finalmente chegam, eles funcionam.

Veredito 

Mais do que uma adaptação de uma creepypasta famosa, Backrooms: Um Não-Lugar é uma prova de que a cultura da internet já ocupa um espaço legítimo dentro do cinema contemporâneo. Kane Parsons conseguiu transformar uma das lendas digitais mais populares dos últimos anos em um filme visualmente impressionante, tecnicamente consistente e, acima de tudo, assustador.

O artigo acima foi editado por Ana Azeredo .

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Bruna Gabriela

Casper Libero '28

Journalism Student, passionate about music, fashion and culture ★