Nos livros e nas telas, os romances quase sempre terminam com o famoso “felizes para sempre”. Contudo, fora da ficção, as relações intensas, cheias de segredos e reviravoltas, dificilmente resistem à rotina de uma forma saudável.
Tanto na literatura quanto no cinema, os casais fictícios podem romantizar coisas que, na vida real, seriam sinônimos de desgaste, como ciúmes, dependência emocional e idealização. Então, é bem provável que alguns casais famosos não durariam após o epílogo do livro ou os créditos do filme.
Listamos cinco casais da ficção que provavelmente terminaram depois do final da história. Vale um alerta de spoiler.
1. Tate e Miles (“O Lado Feio do Amor”- Colleen Hoover)
Desde o início, a relação mostra que o futuro para os dois não é favorável. O relacionamento deles nasce do sofrimento e luto de Miles, enquanto Tate tenta ao longo de todo o livro “salvá-lo”. Em uma dinâmica realista, é um romance insustentável.
Quando o relacionamento se baseia em cura emocional de um trauma, ele tende a se esgotar quando o “ferido” se recupera ou se fecha. Apesar de ao longo da trama os personagens abordarem o luto de Miles, perder um filho é uma dor que demora mais do que alguns capítulos para se resolver.
Além disso, eles não têm uma base de amizade para fortalecer a relação, visto que o relacionamento deles começa em uma luxúria. Com o tempo, o cotidiano acabaria afastando os dois.
2. Noah e Nick (Trilogia “Culpados”- Mercedes Ron)
Apesar de terem rendido bons filmes para uma sessão da tarde com as amigas, Noah e Nick têm um relacionamento extremamente tóxico. Além do fato de serem meio-irmãos, ambos possuem um temperamento instável que abala o romance ao longo de toda a trilogia. Os únicos momentos em que o namoro deles aparenta estar bom são nas cenas íntimas, o que sustenta o “amor” é o sexo.
Nick e Noah nascem do clássico “quanto mais errado, mais irresistível”, ignorando pilares fundamentais para criar um relacionamento saudável e duradouro. Ao longo dos livros e dos filmes, vemos crises de ciúmes, impulsividade e falta de comunicação, o que os leva a brigas constantes.
Mesmo que eles tenham amadurecido ao longo da trilogia, o relacionamento é baseado em intensidade emocional extrema, e isso tende a ruir na vida real, quando o amor precisa de rotina, estabilidade e respeito mais do que adrenalina.
3. Bella e Edward (Saga “Crepúsculo”- Stephenie Meyer)
Toda a saga de Crepúsculo acontece em um período de aproximadamente 2 anos (desde janeiro de 2005 até fevereiro de 2007), nos quais Edward fica longe por 6 meses. Ou seja, todo o desenvolvimento do casal – que levou a um casamento, uma filha e Bella abdicando sua mortalidade – ocorre em um ano e meio.
O relacionamento dos dois é baseado em idealização e obsessão. Bella é uma adolescente que se muda para uma cidade, a qual não conhecia ninguém além de seu pai, tentando criar amizades e estabelecer uma vida nova. Já Edward é um vampiro de mais de 120 anos que se sente atraído pela garota nova por não conseguir ler sua mente e pelo cheiro irresistível de seu sangue.
E a cereja em cima do bolo vem com o controle e vigilância de Edward. Ele decide tudo, inclusive se, e quando, ela deve se tornar uma vampira. O combo dessas coisas mostra que, assim que a Bella criasse mais maturidade — coisa que ela tem, literalmente, uma eternidade para fazer–, ela perceberia que o relacionamento é precipitado e não muito saudável.
4. Anastasia e Christian (Saga “Cinquenta Tons”- E.L. James)
Se você ficou surpreso com a linha do tempo de Crepúsculo, a saga de Cinquenta Tons— obra que, inclusive, surgiu como fanfic do romance de vampiros– te deixará ainda mais boquiaberto. A trilogia completa ocorre no período de um ano e meio, nos quais nos primeiros 6 meses já estavam noivos.
Além disso, a relação entre Anastasia e Christian é construída em torno de poder, dominação e trauma. Christian usa o controle como forma de lidar com os próprios demônios, e Anastasia é a “salvação” dele.
Ao longo de todos os livros e filmes, a comunicação do casal é quase inexistente, onde ele dita limites e ela constantemente os ultrapassa. Depois da fase de intensidade sexual, o que restaria seria o peso da manipulação emocional.
5. Quinn e Graham (“Todas as suas (Im)Perfeições – Colleen Hoover)
Apesar do casal conseguir reatar o relacionamento no final do livro, os problemas de Quinn e Graham não se resolvem. A trama toda aborda como o amor não é o suficiente para manter um casamento quando há feridas mal resolvidas, mas, mesmo assim, eles voltam a ficar juntos mesmo com as questões em aberto.
A dependência emocional e o ressentimento por não poderem ter filhos criam uma rachadura profunda no casal, que se “resolve” ao adotarem um cachorro. Não só isso, mas Graham chega a trair Quinn em determinado momento do livro.
Mesmo que tenham terminado o epílogo juntos, o perdão não apaga a falta de comunicação e o peso das mágoas que o casal passou ao longo de toda a obra. Seria difícil manter a reconciliação no longo prazo.
______________
O texto acima foi editado por Anna Goudard.
Gostou do conteúdo? Veja Her Campus Cásper Líbero para mais!