A nova proibição de emissão de vistos nos Estados Unidos deve aumentar ainda mais o tempo de espera e os custos para aqueles que desejam estudar no país. As políticas anti-imigrantes geram impactos sociais, econômicos e retiram dos estrangeiros a oportunidade de estar entre as melhores faculdades do mundo, como a Ivy League.
O aumento na fiscalização, revogação de vistos e deportações fazem os estudantes internacionais repensarem e até temerem sua ida para os Estados Unidos. O que antes era uma medida para barrar somente estudantes que estariam ilegalmente no país, tornou-se uma justificativa pela incapacidade de certos governos em termos de segurança e resposta àqueles que possuem tensões políticas e econômicas com os EUA.
A vontade de estudar em solo norte-americano, associada por muitos brasileiros à melhores condições de vida e um futuro com maiores oportunidades, começa a ser repensada. O que antes era sinônimo de liberdade passou a ser um desafio cheio de incertezas.
Uma estudante brasileira, que prefere não ser identificada, revelou suas experiências ao conseguir realizar um summer program na Louisiana em julho deste ano.
Ela conta que conseguiu seu visto uma semana antes da suspensão de entrevistas, ordenada pelo presidente americano Donald Trump. Embora tenha ficado aliviada por ter sido aprovada, sentiu-se apreensiva sobre como seria recebida em solo norte-americano ao assistir às notícias sobre deportações nos noticiários, ocorridas especialmente com aqueles envolvidos em protestos.
Isso fez com que a brasileira tomasse cuidado em cada ação, com receio de poder ter seu visto cancelado como o de tantos outros alunos.
NOVAS ALTERNATIVAS
O relatório Diversify with Data: Insights for Higher Ed Institutions, divulgado em 2023, baseado em números da UNESCO, revelou que mais de 88 mil brasileiros estudam fora do país. Porém, com ações como o Travel Ban, estudar nos Estados Unidos ganha outro obstáculo: a imigração.
“Para mim, por exemplo, a parte mais difícil de estudar fora é passar na universidade. Mas aí, eu vi que conseguir o visto poderia ser mais desafiador”, afirma a estudante brasileira.
A incerteza em não saber se conseguirá o visto ou se poderá embarcar para continuar a graduação nos EUA, enquanto os demais colegas de turma prosseguem suas aulas, desperta medo nos estudantes estrangeiros. Trata-se de um atraso que impacta a vida profissional e pessoal, tornando-os dependentes de terceiros para decidirem seu futuro acadêmico:
“Isso aqui [concessão de vistos] é muito mais aleatório do que as admissões em universidades”, relata a brasileira.
A barreira burocrática norte-americana faz os brasileiros pensarem em alternativas para conseguirem seguir o sonho de estudar fora, como a busca por universidades em outros continentes, dentre eles a Europa e Ásia. Diversas instituições europeias como em Portugal, França e Reino Unido passaram a aceitar o Enem como parte do processo seletivo para o ensino superior, além de disponibilizarem possibilidades de bolsas de estudo para estudantes internacionais, que foram reduzidas nas universidades norte-americanas.
NO FIM, TODO MUNDO PERDE
Sem a presença de estudantes internacionais, as faculdades norte-americanas têm uma diminuição da sua diversidade cultural, os comércios locais têm seu consumo diminuído e a economia estadunidense não poderá contar mais com as taxas internacionais. Além disso, as medidas geram a fuga de cérebros, afastando os principais contribuidores para que o país se mantenha como um dos maiores nomes da inovação tecnológica.
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O texto acima foi editado por Anna Goudard
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