Com a estreia de Shrek – O Musical se aproximando, a ansiedade dos fãs aumenta a cada minuto. A peça chega em São Paulo com uma história marcada por humor e sensibilidade, celebrando a diversidade e a amizade. Além disso, conta com cenários e figurinos grandiosos que prometem uma experiência imersiva no pântano mais amado do mundo.
Durante a coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (10), acompanhada pela Her Campus Cásper Líbero, pôde-se ter um “gostinho” de tudo o que vai acontecer durante essa temporada. Músicas contagiantes, caracterizações mágicas e uma produção que promete entreter e deixar o público com vontade de voltar e assistir novamente.
Equipe Criativa
Para o presidente do Instituto Artium, Carlos Cavalcanti, o musical é um passaporte de bem-estar que traz esperança em tempos difíceis e de guerra, provando que o teatro e a arte são símbolos de resistência e diz que é preciso manter isso vivo.
A obra ganha ainda mais vida ao contar com diversas referências à cultura popular brasileira quando adiciona inúmeros personagens do folclore brasileiro à montagem. Segundo o diretor Gustavo Barchilon, a ideia é trazer o jeitinho brasileiro para as apresentações.
“[…] A gente conseguiu trazer aqui para o Brasil com o nosso jeitinho brasileiro. […] Trazer, com a liberação dos gringos e tudo, e ‘abrasileirar’ o nosso espetáculo. A gente tem a Cuca, tem a Caipora, tem a Emília. No original são personagens da literatura inglesa e americana e a gente conseguiu trazer homenagens à nossa literatura, conseguimos trazer homenagens à cultura popular brasileira.”, declara Barchilon.
Além disso, ele reflete sobre a função do diretor na comédia, que precisa podar o comediante e falar “isso é bom” ou “isso não é bom”. E para Barchilon, o maior desafio foi equilibrar a comédia com a mensagem profunda que a trama traz.
“E acho que o meu maior desafio foi equilibrar todos esses humoristas, esses comediantes, na verdade, que estavam aqui, e dosar a respiração do espetáculo. Eu acho que a interpretação vai ser sempre deles. A coreografia vai ser sempre da coreógrafa, mas a minha função aqui é equilibrar o tom do espetáculo; é o tom que eu quis que ele fosse em cada detalhe.”, comenta.
Para que o espetáculo ganhe vida, é necessária a atuação de diversos profissionais e um trabalho intenso nos bastidores, resultando em uma produção de grande porte. O cenário, por exemplo, exigiu inúmeras horas de idealização e execução, sendo totalmente artesanal e inspirado no projeto criado por Tim Hatley em 2013 para a Broadway.
O cenário, no entanto, não foi a única coisa feita manualmente: todos os figurinos foram feitos a mão por Lídia Rocha e sua equipe. Para a figurinista o tônico do musical era a leveza, com isso, surgiu a ideia para o vestido da Fiona: “Quando eu pensei na Fiona, que foi o primeiro personagem, eu quis que ela tivesse flores na roupa ou folhas, como se ela andasse ali pela floresta e a folha voar se mudasse na saia dela. Eu até achei no mercado um tecido de florezinhas 3D assim.”, relata.
O conceito dos figurinos foi o de humanizar os personagens, mantendo o aspecto lúdico na medida certa. O figurino do Burro, em especial, exigiu um grande esforço coletivo, envolvendo um amplo grupo de profissionais atentos a cada detalhe do processo, uma vez que toda a pelagem foi tecida à mão.
A maquiagem foi um desafio a parte para Cris Takkahashi (design de maquiagem) e Bruno Vinagre (design de próteses), principalmente a do protagonista, Shrek. Mudar o formato do rosto de alguém requer uma técnica de aplicação de próteses, e, quando são usadas em musicais, elas precisam durar quase três horas de espetáculo direto e continuar intactas para a segunda sessão do dia e isso, ao todo, são quase 12 horas. Mas o maior obstáculo foi achar uma forma do ator Tiago Abravanel ficar confortável com o material no rosto. Bruno Vinagre conta que as próteses do nariz são feitas de látex de espuma garantem mais comodidade:
“A prótese não é uma máscara. Ele não sai de cena, tira e vai para a frente do ventilador se refrescar”, afirma. Segundo ele, depois que o material é aplicado em Tiago Abravanel, só é removido ao fim da segunda sessão. “É uma prótese que dura praticamente 12 horas. O material usado na mão e na cabeça é uma espuma de látex. Então, é uma esponja.”
Já são mais de 200 próteses estocadas para a temporada, e Tiago usa uma por dia.
Ainda na área da maquiagem, por conta da idealização de humanizar os personagens, Cris ficou noites sem dormir pensando em como faria isso, principalmente nas maquiagens do Burro e da Dragona. Ao todo, são mais de 150 desenhos para as maquiagens do show inteiro.
Vale ressaltar que nenhum dos maquiadores teve envolvimento na polêmica maquiagem feita para a divulgação do musical na CCXP 2025. Carlos Cavalcanti ainda acrescentou que naquela ocasião, foi uma improvisação para que Tiago entrasse caracterizado no evento.
Elenco
Tiago Abravanel contou durante a coletiva que sempre sonhou em fazer o Shrek e que aquele era seu papel dos sonhos:
“Eu acho que esse sonho vem muito de uma identificação da infância”, afirma, ao lembrar que era “um menino gordo” e que se via fora dos padrões. Segundo ele, enxergar um protagonista “que é legal, que é gente boa”, mesmo distante do ideal de herói ou príncipe, foi marcante.
O ator também relaciona essa experiência à própria trajetória. Apesar da carreira construída “com esforço”, conta que por muito tempo foi visto como “o neto do Silvio Santos” ou “o cover do Tim Maia”, destacando esse lugar de julgamento antes do reconhecimento — algo que, para ele, aproxima sua história da do Shrek.
“Hoje, eu poder vestir essa roupa, essa carapaça, para falar um pouco mais de quem eu sou, é muito especial”, diz. “Então, eu estou muito feliz.”
Myra Ruiz e Fabi Bang também comentaram sobre a personagem que dividem, a qual ambas dizem se identificar muito.
Fabi ressaltou a dualidade da Fiona, uma princesa que também é uma ogra, nem sempre delicada e perfeita em padrões estéticos:
“As pessoas só me veem como princesa, e eu não me sinto isso na vida real. Eu não sou isso. Eu não sou uma princesa”, diz. “Eu sou uma ogra mesmo, que fala alto, que às vezes precisa se impor e que, enfim, é desprovida, às vezes, de algumas vaidades.”
A atriz também apontou a identificação com a personagem como uma metáfora sobre aparência e essência. “E aí chegou essa personagem, que é justamente essa metáfora. De uma coisa que a gente oferece para o mundo, que talvez seja uma perfeição estética, e quando a gente chega em casa a gente se depara com o que a gente é de verdade. Quem somos de verdade.”
Myra relaciona a princesa não só com sua identidade fora dos palcos, mas com a memória afetiva de seu irmão mais novo, Tom, que sempre foi apaixonado pelo filme de Shrek e, principalmente, pela Fiona: “Ele assiste Shrek até hoje Toda vez que eu chego na casa da minha mãe tá passando então ele tem uma obsessão por Shrek. Então sempre foi muito parte da minha vida então é muito legal poder saber que ele vai me assistir fazendo essa personagem”
As duas destacaram também que suas interpretações de Fiona são diferentes, existem piadas que uma faz e a outra não, além de ter um toque individual de cada uma delas na Fiona.
Fabi Bang contou que, no início do processo, evitava assistir aos ensaios de Myra Ruiz como Fiona para não cair em comparações e preservar sua própria construção da personagem.
“No começo dos ensaios, eu preferia não assistir a Myra fazendo Fiona. E não porque eu não admire muito — pelo contrário, eu admiro demais —, mas eu não queria ser contaminada por algo que ela estivesse propondo”, explica.
E a atriz observou que, embora a coreografia e o desenho cênico sejam compartilhados por exigências técnicas, há diferenças na interpretação. “Apesar de ser uma coreografia que a gente tem em comum, que a direção e o desenho cênico precisam ser seguidos por uma questão técnica de luz, de deixas musicais e tal, tinham nuances que funcionam com a Myra e que não necessariamente iam funcionar para mim.”
E, fazendo sua estreia no mundo dos musicais, Evelyn Castro estreará como Burro. Todo o elenco e produção elogiaram sua energia e originalidade durante a coletiva. Além disso, com ou sem a caracterização de seu personagem, a essência engraçada e a presença marcante já se fazem presente no palco.
“Eu tô muito feliz em fazer isso aqui. É muito especial poder fazer o Burro, que é um personagem difícil. Na minha vida, ele tem um significado enorme”, relata. “É muito especial estar falando desse significado hoje, porque ele tem a ver com a minha criação, com tudo que foi deixado de legado para mim. Isso é ancestralidade, vem do meu pai, o Eddie Murphy, que era tão alucinado por esse cara.”
A atriz destacou o processo de construção do personagem. “Eu poder estar aqui hoje, estudando da raiz do Burro, podendo trazer um pouquinho do que aquilo significa para mim…”
Evelyn também ressaltou a importância da presença feminina na comédia. “É muito especial ver uma mulher representando esse papel, com tantas camadas e tanta coisa interessante. É também afirmar que nós, mulheres — a Myra Ruiz e a Fabi Bang estão aqui e não me deixam mentir —, somos engraçadas, sim. Que podemos, sim, e que não precisamos estar apenas em personagens orbitantes e estereotipados. Eu estou aqui com todas vocês.”
Estreia
Shrek – O Musical estreia no dia 15 de abril no Teatro Renault, com Myra Ruiz, Fabi Bang, Tiago Abravanel, Evelyn Castro, Baccic, Amanda Vicente e Mateus Ribeiro no elenco. A temporada segue até 7 de junho, com sessões de quarta a domingo e ingressos disponíveis pela Tickets for Fun, com valores entre R$ 50 e R$ 450.
As apresentações acontecem às 20h de quarta a sexta, aos sábados em duas sessões, às 15h e 19h30, e aos domingos às 14h e 18h30. Para eventuais mudanças na escalação, a orientação é acompanhar o perfil oficial do musical no Instagram (@shrekomusicalbrasil) e também as redes sociais do elenco.
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O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann
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